O cofrinho do patrão – e os 10% dos otários

Foto: Leo Feltran

Era quase 1 hora da manhã de sábado para domingo quando cheguei ao Boteco São Bento do Itaim Bibi.

O bar estava lotado, não havia uma mesa vaga sequer e a solução foi juntar-me às minhas amigas que estavam no balcão e que haviam chegado ali pouco antes de meia-noite.
Pedi um chope a um dos barmen e ele me orientou a pegar uma ficha no caixa.
Fui até lá e encontrei uma pequena fila. Olhei no cardápio e vi que o chope custava R$ 3,90.
Como havia apenas duas pessoas à minha frente, pude perceber que, para a primeira delas, a funcionária do caixa disse: “desculpe, vou ficar te devendo 30 centavos”.
Da que vinha atrás, ela cobrou R$ 4,29 pelo chope – ou seja, com a taxa de 10% de serviço incluída.
Na minha vez, pedi 4 copos de chope, pelos quais deveria pagar R$ 15,60. E perguntei para a moça: “cada chope custa R$ 3,90, né?”.
Ela já estava digitando o valor R$ 4,29, quando olhou-me com aquela cara sem-graça, dizendo: “Vou tirar os 10% do serviço”.
Agradeci e paguei com uma nota de R$ 20,00 mais uma de R$ 1,00, para facilitar o troco, que deveria ser de R$ 5,40.
Voltei ao balcão e comentei essa história com as meninas. Uma delas ainda me disse: “é verdade, ela ficou me devendo 20 centavos! Falou que já pediu para o patrão colocar mais moedas no caixa, mas ele não o fez…”.
Bom, é claro que a clientela bonita e bem-nascida do bar não vai se importar com esses centavos a mais que deixam ali. O que me irrita é essa lei de Gérson que não se extingue, a de todos quererem levar vantagem em tudo. E para alguém levar vantagem, sempre vai ter um otário para arcar com o prejuízo.
Não custa lembrar, mas ninguém é obrigado a pagar pelo serviço, tendo sido bem ou mal-atendido. Em casos como esse em que o funcionário fez o favor de me mostrar o caminho do caixa para que eu mesmo cuidasse do serviço, trata-se de um desaforo. E o pior é que este bar não é o único a fazer isso.
Para não dizer que não falei de flores, eu já estava terminando o terceiro chope – bem-tirado e com colarinho bem cremoso, diga-se – quando a hostess veio até nosso grupo oferecer uma mesa.
Minhas amigas ficaram surpresas porque, quando chegaram ao bar, a mesma hostess alertou: “olha, a casa está cheia e não vou poder acomodá-las numa mesa. Vocês terão de ficar no balcão”.
Tá vendo, é tão difícil assim respeitar o cliente?

Boteco São Bento. Rua João Cachoeira, 800, Itaim Bibi, (11) 3079-4285.

3 thoughts on “O cofrinho do patrão – e os 10% dos otários

  1. Olá Miguel, pela idade talvez, ou com certeza, ando um pouco sem paciência com casas assim. É estranho as pessoas procurarem “lugares com gente bonita”, pagarem mais, não serem bem atendidas e sairem elogiando. Nada, absolutamente nada contra estas casas e os frequentadores, os proprietários investiram e precisam do retorno financeiro, são locais bonitos, agradáveis mas que muitas vezes “fica devendo”, e muito. Grande abraço.

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  2. Miguel, eu fico extremamente irritado com este tipo de coisa. Sou o primeiro a limar os 10% da conta ou recusar o famoso “posso ficar te devendo” 5 centavos, que sejam.Tenho me preocupado menos com isto desde que decidi pagar TUDO com cartão de crédito.

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  3. Olá José Maria, olá Gui:É realmente uma pena. Ainda bem que existe gente que sabe fazer bom uso do cartão de crédito hoje em dia!Abraços e obrigado pelos comentáriosPS: José Maria, estou devendo a visita ao boteco do Ipiranga

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