Bares da Vila Madalena são acusados de vender bebida a menores

A coluna “Nós Testamos” da edição de hoje do Diário de São Paulo traz uma reportagem que flagra a venda de chope e cerveja a dois jovens, menores de 18 anos, por parte de bares da Vila Madalena.

A reportagem, assinada por Carol Knoploch, foi feita com orientação de um promotor da Infância e da Juventude do Ministério Público Estadual: os dois garotos foram convidados pelo jornal a testar se alguns estabelecimentos iriam exigir que apresentassem seus documentos de identidade antes de pedirem uma bebida alcoólica.

Dos cinco bares visitados, apenas o Quitandinha quis ver o RG dos garotos. No Genial, no Empanadas, no Zeppelin e no Espetinho 2, a dupla não teve problemas para beber – eles não o fizeram porque havia o compromisso de que o jornal não permitiria que eles bebessem.

Trata-se de uma situação delicada, ainda mais por que um desrespeito a lei como esse pode ter conseqüências graves para os estabelecimentos. Afinal, vender bebidas alcoólicas a menores é crime.

Em tese, concordo com uma eventual punição aos estabelecimentos. Afinal, se existe uma lei, ela deve ser cumprida. Ponto.

O problema é que estamos falando de uma reportagem armada. Desconheço se, antes da produção da matéria, os jornalistas do Diário estiveram nesses bares, flagraram situação semelhante e, a partir daí, a fizeram.

E nesse caso, tendo a achar que uma armação tende a dar no que deu. Parece aqueles casos de flagrante de adultério nos programas de TV tipo mundo cão, em que a produção contrata um mulherão para dar em cima de um namorado ou marido supostamente adúltero, só porque a mulher está desconfiada.

O fato de ele ceder à tentação na armação não significa que faz isso dia sim, dia não.

Outra questão é a seguinte: de 17 para 18 anos, um jovem ganha alguns pêlos no corpo, mas a voz, o jeito e a aparência continuam os mesmos. Se ele sai de casa disposto a entrar em um bar e pedir uma bebida, a responsabilidade pelo ato é dele, do pai ou do garçom?

Por outro lado, se há bares e casas noturnas que se reservam o direito de impedir o acesso de qualquer pessoa só porque ela calça tênis e não sapato, ou porque ela é feia ou não é amiga dos donos, essas casas não deveriam também treinar suas equipes para que exijam a apresentação dos documentos dos clientes quando esses quiserem beber?

A pensar.

7 thoughts on “Bares da Vila Madalena são acusados de vender bebida a menores

  1. A questão é que não há fiscalização — e muito menos, punição — para os estabelecimentos que infringem a lei. Em Nova York, não se entra num bar sem antes mostrar o ID, porque os donos de bares sabem que as multas são pesadas e a fiscalização é constante. É uma pena que em São Paulo, se a fiscalização existe e pega alguém com a boca na butija, quase sempre é possível “dar um jeitinho”.

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  2. E qndo não há o “jeitinho”, o “jeitinho” (da garotada) é apelar pro supermercado, pra loja de conveniências mais próxima que esses estão “acima da lei”. O que nos leva a pensar que faltam leis mais rígidas, mais abrangentes e fiscalização ( com penas e multas igualmente rígidas)!

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  3. Matéria armada por uma reporterzinha barata do Diário de São Paulo que provavelmente não tem o que publicar. Prejudicou donos de estabelecimentos que certamente ralam para manter seu negócio. Quem é empresário no Brasil, sabe bem. Talvez esses estabelecimentos nunca venderam para menores mesmo antes dessa armação. Infeliz e coitada deveria saber que os pais é que deveriam estar mais atentos aos atos de seus filhos. O que adianta dar liberdade sem educação e orientação?

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  4. A armação é clara. O assunto é batido (não que seja irrelevante) e fica clara a falta de qualidade jornalística da criadora.Se fizer em 50 bares a estatística será, provavelmente, a mesma, 80% de irregularidade. O que é irregularidade neste caso?Tanto na Vila Madalena como na Olímpia ou em qualquer outra, pode ter certeza de que encontrará ambulantes da madrugada vendendo de tudo o que se imagina para “fazer a cabeça”, de maiores e de menores. Estaria esta reporter e este promotor interessados em batalhar pela extinção destes. Claro que não. Fechar um bar de alguns milhões de reais dá mais “IBOPE”. Precisamos pensar melhor em que tipo de mídia gastamos nosso dinheirinho e em que faculdade de direito colocamos nossos filhos.

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  5. Realmente! Como identificar um menor se muitos maiores parecem menores e vice-e-versa. Se é numa boate (balada) a recepção pode se encarregar disso. Num boteco um menor pode sentar comer e beber sem consumir algo alcoólico. Mas e se ele estiver acompanhado de amigos maiores de idade? Na “muvuca” da noite, como o garçom vai controlar? Sou botequeiro e sei que é complicado, mesmo para os estabelecimentos mais sérios, fazer este controle. Sem falar que há uma grande, grande quantidade de menores com RGs falsificados, por aí. Na minha opinião, a responsabilidade é, antes de tudo, do juizado de menores que deveria fiscalizar e coibir o indivíduo menor de idade de se embriagar. Agora, vamos combinar: uma repórter que arma uma cilada para pegar estabelecimentos sérios, que conheço e freqüento (pois vivo na Vila Madalena), que nem são botecos de molecada e sim de trintões e quarentões, não pode ser levada a sério e nem se basear que seu relato seja uma realidade. Armação descarada!! E os outros milhares de bares sérios que também poderiam ter sido visitados e caído na cilada? Tem tanto ambulante pela noite vendendo de tubaína à cocaína e ninguém faz nada. PURA IPOCRISIA da nossa justiça invertida.

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  6. O engraçado é que as leis criadas são sempre apenas contra os comerciantes e/ou empresários que deram duro para conseguir montar seu estabelecimento e buscar seu sustento a partir da mesma. Por que não existe uma lei que puna o “cliente” que faz o pedido, já que ninguém melhor que o próprio sabe a idade que tem e se pode ou não beber. É muito difícil dizer se uma pessoa é maior ou menor pela aparência, com certeza não é ganância dos comerciantes “vender” bebida alcoólica sabendo que o cliente é menor. Mas nossa sociedade é hipócrita ao ponto de querer responsabilizar somente o “vendedor” trabalhador e nunca o “cliente” safado e malandro (já que este sabe que não pode ingerir bebida alcoólica segundo a lei). Resumindo: BEBER é para quem pode, e não para quem quer. Ficar “armando” esse tipo de reportagem não vai resolver o problema em questão, somente vai prejudicar quem quer e está trabalhando.

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  7. Quer dizer que o estado então se coloca como responssável oelo menores? E estes pais?Já ausentes no dia a dia agora felizes por arrumar tutores para as noites de balada.E os cigarros ?Será que vão punir a Souza Crua por vários menores fumarem?ou vão fechar as padarias? rsrsrsr

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