Lançamento (de caldeiretas)


Daqui a duas horas e meia, mais ou menos, o jornalista Nirlando Beirão vai começar a autografar, no Bar Original, em Moema, o livro “Original – Histórias de um bar comum”.

Nesse trabalho, o atleticano Nirlando perfila, é claro, o boteco do título. Mas como este blog antecipou com exclusividade em 13 de julho de 2007, narra passagens suas e curiosidades de alguns dos bares mais fantásticos do mundo, como o Harry’s Bar, de Veneza, o Algonquin (nota do blogueiro: neste aqui eu já estive!) e o McSorley’s, ambos de Nova York.

Um craque – substantivo com o qual ele próprio costuma saudar seus afetos – do jornalismo, Nirlando divide espaço nesta belíssima obra com as fotos de Rômulo Fialdini, prefácio e posfácio de Washington Olivetto.

Se quiser levar para casa um exemplar, chegue um pouco antes, peça o seu chopinho e receba um marcador de livro. Cem unidades serão sorteadas durante o lançamento.

Bar Original. Rua Graúna, 137, Moema, tel. (11) 5093-9486.

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Secos e molhados

Casa Cheia: botecando à mineira

Em contradição ao dito popular, segundo o qual o mineiro come e bebe quieto, a edição deste ano do festival Comida di Buteco já deve estar transformando Belo Horizonte num fuzuê danado.

Desde o dia 11 de abril e até o dia 11 de maio, os 41 botecos participantes da competição estão recebendo a freguesia e o “júri de experts” que, juntos, irão escolher o melhor tira-gosto, o melhor atendimento, o boteco mais higiênico e o que serve a cerveja na temperatura mais perfeita.

No domingo, 18 de maio, serão revelados os campeões, ao fim da festa de saideira, que começará no sábado, 17, e cujos ingressos já estão à venda.

Neste ano a festa terá shows de Trio Mocotó e Vander Lee (sábado) e, no dia seguinte, da Velha Guarda da Portela com Teresa Cristina, Monobloco, Moacyr Luz e Brascuba. O passaporte para os dois dias vale R$ 70,00. Mais informações no site http://www.comidadibuteco.com.br.

Pude conferir pessoalmente, ainda que por pouco tempo, as edições de 2006 e de 2007 do evento. No ano retrasado estive na festa de saideira, que contou até com a participação ilustre do paulistaníssimo Bar do Luiz Fernandes.

Essa presença, aliás, me fez ver uma diferença fundamental entre os tipos de petiscos mais apreciados nos botecos paulistanos e nos belorizontinos.

Enquanto nós temos certa preferência por bolinhos, pastéis e qualquer tipo de tranqueira servido por unidade – e que pode ser comido com as mãos –, a moçada de beagá gosta de se lambrecar com tira-gostos molhadinhos.

Lembro-me que fiz uma degustação de língua de boi ao molho disso, filezinho ao molho daquilo, diferentes versões de vaca atolada…

Em 2007, pude confirmar essa tese – que, aliás, não é nem minha, mas do organizador do Comida, Eduardo Maya – depois de experimentar a espetacular moelinha do Bar da Cida e a fraldinha ao molho de mostarda do bar Amigos e Antigos.

Não fui à festa de saideira, mas fiz melhor: estive pessoalmente nesses dois sensacionais botequins e também no Bar do Antônio (Pé-de-cana) e no Bar do Careca o Pescador. Ali, meninos, eu vi, um funcionário retirando, com um alicate e uma faca, um por um os quase 300 ossos de uma traíra.

Em 2008, meio que para tentar mudar um pouco essa história, o Comida di Buteco vai prestar um tributo ao torresmo, premiando o bar que faz o mais saboroso.

Se os 31 dias de evento mais o fim de semana em que acontece a festa de saideira ainda não fazem parte do calendário oficial de Belo Horizonte, proponho que os vereadores da cidade tratem de incluir na agenda institucional. É uma questão de utilidade pública.

Em Brasília, 2 da manhã


Como de costume, ou melhor, como está se tornando um, fui conhecer o vencedor entre os botecos ao fim de mais um evento de lançamento das edições de O Melhor da Cidade.

Na quinta passada foi a vez do Beirute, o campeão de Brasília, que ganhou também o prêmio na especialidade Happy Hour. Confesso que cheguei depois da meia-noite, portanto não posso opinar sobre esse segundo quesito.

Quanto a ser um boteco, bacana é perceber as diferenças e semelhanças entre esses que constituem uma verdadeira instituição nacional.

Assim como o Ossip, ao qual visitei no início do mês em Porto Alegre, o Beirute recebe um público que podemos rotular de eclético, alternativo. Convivem ali jovens vestidos com camisetas de banda de rock indie, gays, jornalistas.

Existissem esquinas em Brasília, diria que ele foi aberto no ano de 1966 em uma delas, na Asa Sul.

Tem uma imensa área externa, que abriga cadeiras e mesas de plástico. Nesse espaço foram tramadas campanhas pró-eleições diretas e músicos do Capital Inicial e da Legião Urbana rabiscaram letras de músicas.

Sobre as mesas vêem-se garrafas geladas de Heineken 600 ml – e não de Polar – deixadas por garçons que são conhecidos da freguesia pelo nome. Boa parte da bancada do PT na Câmara Distrital, por exemplo, passa por lá para provar o filé à parmigiana ou o quibeirute servidos pelo Cícero.

Como cheguei já depois da meia-noite, comi o penúltimo quibe, depois de pedi-lo direto no balcão, enquanto tomava a saideira.

Algo que me chamou a atenção no Beirute, porém, foi o fato de que às 2 da manhã havia pouquíssimas mesas ocupadas, ao passo que no Ossip, a essa hora, mal consegui atravessar a multidão que se aglomerava à porta.

Essa brava gente brasiliense queria, certamente, dar exemplo: chegar cedo para trabalhar no dia seguinte, enquanto a turma do congresso… bom, deixa pra lá.

Beirute. 109 Sul, bloco A, loja 2/4, tel. (61) 3244-1717.

O melhor chope não é o do Pingüim

Lembro-me bem da primeira vez na qual estive no Pingüim: dia 30 de junho de 1999, uma quarta-feira. Era estréia de Ronaldinho Gaúcho na Seleção, durante uma Copa América. Ele faria um dos gols do 7 a 0 contra a Venezuela. Golaço, aliás, depois de chapelar um zagueiro.

Eu estava em Ribeirão Preto a trabalho, como repórter da Playboy, para visitar o campus local da USP. O hotel em que me hospedei ficava a duas quadras do bar e, como eu estava sozinho, decidi assistir à partida em companhia do mítico chope.

Não me lembro de quantas tulipas tomei naquela noite, mas certamente foram mais que o número de gols brasileiros.

No fim de semana passado voltei a Ribeirão Preto para um casamento. Saí de São Paulo pouco antes do almoço e a boa média de velocidade na estrada permitiu que eu chegasse à cidade antes das 4 da tarde – a tempo, portanto, de rever o Pingüim, já que o casório seria somente às 8.

Quando entrei no bar, uma mesa bem no centro do salão, era a única disponível. Meio que não acreditei, mas a melhor mesa, redonda, imensa, cercada por quatro cadeiras e um sofá de couro verde, a mais bem localizada, estava à minha espera. A mesa da diretoria, saca?

Assim que me acomodei, comecei a re-reconhecer o ambiente. Nas outras mesas havia gente da terra, turistas, todos conversando e bebendo.

Comecei a olhar para a decoração e lembrar de histórias – seriam lendas? – que diziam que uma serpentina saía diretamente da fábrica da Antarctica para o Pingüim, o que garantiria sempre a qualidade da bebida.

O garçom trouxe a primeira rodada. E veio a segunda, a terceira, até que ele solta à minha frente um copo cujo líquido parecia ter mais gás que uma bexiga. Estranhei, pedi para trocar, mas o estrago já estava feito.

Na verdade aquele chope ruim serviu para que eu desacreditasse o mito de que o chope do Pingüim é o melhor de todos. Se era há nove anos, quando lá estive, não me lembro mas custo acreditar que era. Se assim foi no passado, má sorte a minha que não pude experimentá-lo nos bons tempos.

Ainda assim, naquele momento compreendi que “tomar um chope no Pingüim” é mais legal, é melhor que “o chope do Pingüim”.

Se aquele quarto copo estava gasoso demais, os três anteriores não faziam feio, mas a espuma nem se comparava ao creme que é a do chope do Original, ou do Amigo Leal, por exemplo.

O chope do Pingüim é um bom chope, assim como o Ronaldinho Gaúcho provou ser um bom jogador. Craque, infelizmente, ele não é.

Pingüim. Rua General Osório, 389, Centro, tel. (16) 3610-8258.

O dia em que não comi kebab


Em qualquer lugar do mundo, o kebab é algo que se pode chamar de comida de rua. Menos em São Paulo.

Popular na Turquia e em outros lugares no Oriente Médio, foi levado para os demais países da Europa e lá é servido em lanchonetes simples, como uma alternativa de lanche rápido e barato, para ser comido com as mãos. Trata-se da combinação da carne de carneiro desfiada com um pão, que pode ser o árabe ou o folha.

Em Berlim ou Istambul, por exemplo, é daqueles itens que o turista não pode deixar de experimentar. Está para a baixa gastronomia local assim como o hot-dog da esquina está para a de Nova York, como o crepe está para a de Paris ou como o pastel de feira está para São Paulo. Todo mundo come, todo mundo paga pouco.

Menos, como eu disse, em São Paulo.

Sábado passado, quarenta minutos antes de assistir no Espaço Unibanco a Shine a Light, o filme do Scorsese sobre os Rolling Stones, decidi conhecer a Kebab Salonu, na própria Rua Augusta. A idéia era fazer o que se faz em qualquer lugar do mundo – menos em São Paulo: comer um prosaico kebab, tomar um chopinho e zarpar para o cinema.

Mas não consegui. Embora houvesse espaço no balcão, eu não seria atendido ali, informou-me o “host”, porque atrapalharia a logística da casa. Só na mesa, se eu quisesse – já pensou se eu chegar na Barraca do Zé, na feira, e pedir garfo, faca e guardanapo de pano para comer o pastel de carne?

Argumentei o que acabei de escrever três parágrafos acima, mas não teve jeito.

O mais engraçado é que a casa estava cheia. Cheia de gente que iria pagar, em média, 20 reais pelo kebab – que na Europa não sai por mais de 2 ou 3 euros.

Kebab Salonu. Rua Augusta, 1416, Consolação, tel. (11) 3283-0890.

Pizza com cerveja

A partir das 20h desta quinta, a beer sommelier Cilene Saorin vai comandar uma degustação de cervejas na Estação Quick Pizza.

Enquanto sugere a combinação de diversos rótulos da cervejaria catarinense Eisenbahn com petiscos e pizzas da casa, Cilene vai falar também do processo de produção de uma cerveja artesanal.

Quem quiser participar, deve fazer reserva – ainda há tempo – e pagar a taxa de R$ 23,00.

Estação Quick Pizza. Avenida Marcehal Juarez Távora, 22/34, Portal do Morumbi, tel. (11) 3744-7000.

Porto Alegre é sempre um programa (tri) legal


A edição 2008/2009 de VEJA Porto Alegre chegou às bancas e aos assinantes da capital gaúcha no fim de semana.

Estive na cidade por 21 horas, entre as manhãs de quinta e sexta-feira, para o evento de lançamento da revista – razão pela qual mantive-me ausente deste blog, pelo que peço desculpas. A festa foi bem legal, com direito à uma bem temperada canja da banda do escritor Luis Fernando Veríssimo que, aliás, foi jurado da categoria Restaurantes.

Cheguei lá às 11h30, corri para o hotel para deixar a bagagem e às 13h, encontrei-me com meu amigo Alexandre, o João, João porque o sujeito tem lá seus dois metros de altura, mais o menos os mesmos do João Grandão, o personagem do desenho.

Almoçamos no Gambrinus, um misto de Bar Léo com Gigetto, que fica no belo e interessante Mercado Público. Quem nunca foi ou quem revê Porto Alegre deve sempre passar por essa casa aberta em 1889 e pedir a bênção.

Traçamos uma salada de bacalhau, seguida de costela com mandioca, e lamentamos não ser esse dia uma sexta-feira, quando a casa prepara uma sensacional tainha recheada.

Caminhamos pelo centro da cidade, despedimo-nos e segui para a General Câmara, uma ladeira que é uma espécie de rua das barbearias. Aliás, incrível: paguei R$ 8,00 pelo serviço que em São Paulo não sai por menos de R$ 15,00.

Em meio a essa calçada do Fígaro, fica o Bar Chopp Tuim, um dos indicados ao melhor chope de Porto Alegre. Descobri o bar por acaso, convém dizer, mas parei para tomar um, digamos assim, chope digestivo.

O lugar não deve comportar mais do que vinte pessoas em suas seis ou sete mesas. Acomodei-me no balcão, ao lado da chopeira, e dali pude ver o entregador empurrando até a casa, ladeira acima, o carrinho com dois barris cheios da bebida.

Por volta de 1h da manhã, depois que o evento de VEJA Porto Alegre acabou, desatei o nó da gravata, entrei num táxi e desci até a Cidade Baixa a fim de tomar a saideira – em tempo: deveria estar de pé às 6h, pois meu vôo de volta a São Paulo sairia às 7h.

A uns 50 metros da Rua João Alfredo, na Rua da República, já pude ver a multidão reunida na calçada, na rua, ocupando cada centímetro quadrado de asfalto em frente ao Ossip, que foi eleito o melhor boteco da cidade.

Completando dez anos, o bar tem pouco a ver com botecos como o Bracarense no Rio ou o Bar do Zezé em BH ou o Bar do Giba em São Paulo. Está mais para uma Mercearia São Pedro.

Chamaram-me a atenção o fato de agora a casa ter dois salões e o entra-e-sai de legítimas representantes da beleza porto-alegrense. Foi minha segunda vez ali, a primeira faz nove anos, justamente quando conheci a cidade.

Depois de traçar quase inteira uma pizza de brócolis – o petisco-símbolo do bar – e de tomar duas Polar, voltei para o hotel mais uma vez com a certeza de que Porto Alegre, como disseram Kleiton e Kledir, é “bah, trilegal!”

Bar Chopp Tuim. Rua General Câmara, 333, centro, tel. (51) 9962-8851.

Gambrinus
. Mercado Público, tel. (51) 3226-6914.

Ossip. Rua da República, 677, Cidade Baixa, tel. (51) 3224-2422.