Secos e molhados

Casa Cheia: botecando à mineira

Em contradição ao dito popular, segundo o qual o mineiro come e bebe quieto, a edição deste ano do festival Comida di Buteco já deve estar transformando Belo Horizonte num fuzuê danado.

Desde o dia 11 de abril e até o dia 11 de maio, os 41 botecos participantes da competição estão recebendo a freguesia e o “júri de experts” que, juntos, irão escolher o melhor tira-gosto, o melhor atendimento, o boteco mais higiênico e o que serve a cerveja na temperatura mais perfeita.

No domingo, 18 de maio, serão revelados os campeões, ao fim da festa de saideira, que começará no sábado, 17, e cujos ingressos já estão à venda.

Neste ano a festa terá shows de Trio Mocotó e Vander Lee (sábado) e, no dia seguinte, da Velha Guarda da Portela com Teresa Cristina, Monobloco, Moacyr Luz e Brascuba. O passaporte para os dois dias vale R$ 70,00. Mais informações no site http://www.comidadibuteco.com.br.

Pude conferir pessoalmente, ainda que por pouco tempo, as edições de 2006 e de 2007 do evento. No ano retrasado estive na festa de saideira, que contou até com a participação ilustre do paulistaníssimo Bar do Luiz Fernandes.

Essa presença, aliás, me fez ver uma diferença fundamental entre os tipos de petiscos mais apreciados nos botecos paulistanos e nos belorizontinos.

Enquanto nós temos certa preferência por bolinhos, pastéis e qualquer tipo de tranqueira servido por unidade – e que pode ser comido com as mãos –, a moçada de beagá gosta de se lambrecar com tira-gostos molhadinhos.

Lembro-me que fiz uma degustação de língua de boi ao molho disso, filezinho ao molho daquilo, diferentes versões de vaca atolada…

Em 2007, pude confirmar essa tese – que, aliás, não é nem minha, mas do organizador do Comida, Eduardo Maya – depois de experimentar a espetacular moelinha do Bar da Cida e a fraldinha ao molho de mostarda do bar Amigos e Antigos.

Não fui à festa de saideira, mas fiz melhor: estive pessoalmente nesses dois sensacionais botequins e também no Bar do Antônio (Pé-de-cana) e no Bar do Careca o Pescador. Ali, meninos, eu vi, um funcionário retirando, com um alicate e uma faca, um por um os quase 300 ossos de uma traíra.

Em 2008, meio que para tentar mudar um pouco essa história, o Comida di Buteco vai prestar um tributo ao torresmo, premiando o bar que faz o mais saboroso.

Se os 31 dias de evento mais o fim de semana em que acontece a festa de saideira ainda não fazem parte do calendário oficial de Belo Horizonte, proponho que os vereadores da cidade tratem de incluir na agenda institucional. É uma questão de utilidade pública.

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2 thoughts on “Secos e molhados

  1. Miguel,Vá agora à BH e coma o rabo apertado do Zezé que é muito bom.Já que você já está lá, passe no Doca e prove o aperitivo de moqueca de carne de sol recheada de queijo coalho e banana,acompanhada de farofa de torresmo.Legítima comida di buteco é em BH.Abaixo a picanha na chapa!Chega de bolinho!

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  2. Valeu Miguel,obrigado pelo comentario, nos encontramos na festa da saideira em BH em 2006, foi festa de primeira QUALIDADE.Estou c/você paulista gosta de petisco mineiro gosta de prato.Foi um intercambio muito BOM c/ os botecos de Minas(Zezé, Casa Cheia e outros mais)Tenho uma foto sua em minha barraca na festa da saideira, como lhe mando?Um abraço Luiz Eduardo

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