O chope mais amargo da minha vida

Foto: Andre Nazareth

Para o bem da verdade, o Odorico não teve culpa. No meio do caminho entre a redação da Veja Rio e a estação de metrô de Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, esse boteco pé-limpo cedeu-me seu colo por alguns minutos na noite de anteontem.


Eu estava numa fossa danada e precisava beber alguma coisa. Como a maioria dos chopes que já tomei no Rio, o do Odorico Bar era regular, coisa que eu já esperava. Chope bom mesmo, na cidade maravailhosa, lembro-me de dois: o do Bar Brasil e o do centenário Bar Luiz.


Só não esperava que aquela tulipa seria a mais amarga da minha vida.


Eu acabara de deixar a estação de metrô, vindo do Maracanã. Com a camisa do São Paulo ainda enrolada na cintura, tentava lembrar qual teria sido a última vez que havia me sentido tão triste. Copa de 2006? Não. Algum pé-na-bunda? Que nada. Ouso dizer que revivi ali o mesmo vazio de vinte anos atrás, no dia em que morreu meu avô, parceiro de partidas de futebol de botão sobre a mesa da sala – juro que eu fazia de tudo para ele conseguir ganhar de mim, mas o holandês nunca sequer marcou um golzinho…


Mas eu dizia que o Odorico não teve culpa de estar no meio do meu caminho, numa noite como a de terça. Se o chope foi o da amargura, seus pasteizinhos de palmito e de carne, ao cntrário, foram de conforto. E foi sentado ali em uma das mesinhas no terraço, observando o grupo de garotas conversando próximas à parede de pedras portuguesas, que me dei conta de que tinha acabado de viver o meu Maracanazo.


Tá doendo ainda, vou ter de agüentar o sarro dos colegas corintianos (eles se esquecem que estão na segunda divisão, coitados) e dos palmeirenses por uns dias, mas foi ali, no Odorico, que passei a ter uma certeza: a partir de agora sou muito mais são-paulino do que fui em todos os outros dias.


Odorico Bar. Rua Voluntários da Pátria, 31, lojas C e D, Botafogo, tel. (21) 2266-3773.

6 thoughts on “O chope mais amargo da minha vida

  1. Fala Miguel, tudo bom!?Aqui em SP também tomei a cerveja mais amarga dos últimos tempos… Meu pensamento ontem (e hj) era o mesmo do seu: A quanto tempo não ficava tão triste com o meu São Paulo. Mas, só perde a Libertadores que joga. Ano que vem estamos ai novamente!Abraço

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  2. No exato momento que os tricolores da Vila Leonor tomavam chope sem colarinho e cerveja oxidada, resolvi ser solidário. Abri um champanhe Drappier Grande Sendrée, um reserva especial dessa prestigiosa casa da região francesa de Champagne, elaborado com o corte de Chardonnay e Pinot Noir. Derramei um pouco na taça, esperei segundos, e completei. Cheio de frescor, muita fruta, encorpado. Foi um dos melhores champanhes que já tomei. Senti minha alma mais leve depois desse gesto de solidariedade aos bambis, ops!, digo torcedores da Vila Leonor. Saúde!!

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  3. Acho que o chope desceu ruim pq vc estava no Rio… Aqui, tomei uma bela cerveja trappista, a Chimay Grande Réserve 2003 para comemorar a vitória do tricolor… carioca, claro!meus sentimentos aos bambis

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  4. Fiquei consternado com o relato do triste torcedor.Saiba que estava na Vinheria Percussi degustando vinhos da uva Merlot pelo mundo, e sinceramente, depois do final do jogo a característica mais marcante dessa nobre uva, se aflorou na taça como nunca,um veludo,uma maciez,estava excepcional.Meus sentimentos.

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