A garçonete Supersincera

“Esse risoto? Hummm… Não é gostoso, não! Melhor pedir outra coisa.”

Até a tarde de ontem, não me lembro de ter ouvido, de um garçom, um comentário tão franco quanto esse. Pois foi isso mesmo que me disse a garçonete do Girassol do Alentejo, enquanto eu examinava o cardápio da casa, um restaurante de ambiente despojado, com 7 ou 8 mesinhas num salão que parece ocupar o que um dia foi a garagem de uma residência da Vila Madalena.

Quando visito um estabelecimento pela primeira vez, tento observar o que as pessoas nas mesas mais próximas estão consumindo, a fim de saber, por exemplo, quais são os pratos ou bebidas mais legais da casa. Em seguida, com uma expressão de dúvida, peço ao garçom ou ao maître para me sugerir alguma coisa que seja a marca registrada do lugar, ou o petisco mais gostoso. E, não raro, esse cidadão aponta o dedo bem na direção do item mais caro do cardápio. Pronto: quando isso acontece vai-se embora metade da minha boa-vontade, começo a desconfiar que o cara quer me empurrar logo o que há de mais caro, a fim de faturar um troquinho extra no serviço.

Fato raríssimo, infelizmente, é ouvir do garçom uma verdade tão verdadeira quanto a da Supersincera – não vou dizer seu nome sob pena de, sei lá, levar uma bronca de sua patroa por conta de sua supersinceridade.

Essa mesma figura, aliás, disse-me que o chef português Paulo Mateus já não estava mais à frente do negócio. Ele havia fundado a casa na Rua Girassol uns quatro anos atrás, época em que servia pratos com bacalhau a preços muito justos. “Ele era competente, mas não tenho saudade nenhuma. Era um patrão difícil…”, prosseguiu a Supersincera.

Na cozinha agora está o chef Reginaldo, que foi treinado por Mateus. Decepcionei-me com o arroz de pato, muito seco (R$ 28,00), mas quase não consegui parar de comer os bolinhos de bacalhau (R$ 15,00 a porção com 8 unidades mais 2 copos de chope Brahma, ruinzinho).

Os bolinhos, aliás, tinham sabor e textura mais parecidos com os das pataniscas, quitutes fritos que levam bacalhau, batatas e farinha de trigo. A Supersincera garantiu que o chef preparava a massa ali naquela hora, pois o estoque do dia havia acabado. Como estavam deliciosos, eu acreditei.

Girassol do Alentejo. Rua Wisard, 261-A, Vila Madalena, tel. (11) 3814-7710.

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2 thoughts on “A garçonete Supersincera

  1. Olá Miguel, merece mesmo o destaque da Supersincera. Não me lembro de uma deferência assim. Boa viagem e na volta e ai o Seu João também já voltou da Ilha da Madeira. Grande abraço. José Maria

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  2. Salve José Maria!Pena que não pude conhecer ontem o Bar do Seu João. Vamos lá assim que eu voltar. Durante as férias, tentarei escrever uns textos sobre os bares que encontrar pelo caminho.Abração!

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