Hamburgo – primeiras impressões

Levei pelo menos 24 horas para, enfim, tomar o primeiro copo de cerveja em Hamburgo. Na segunda-feira, dia em que cheguei à cidade, não quis saber de sair durante o dia. Fiquei babando sobre meu sobrinho Torben, que nasceu há dois meses e pouco.

À noite, caminhei pela vizinhança da casa de minha irmã, que não poderia morar num lugar mais representativo do que é esta cidade: ela vive num apartamento no bairro de St. Pauli, a dois quarteirões do rio Elba. O belo prédio de tijolos à vista em que fica o apê, aliás, foi sede da cervejaria Astra. Sinto-me como se estivesse entre a Vila Madalena (St. Pauli) e Puerto Madero (o cais cheio de cafés, mas nada charmosos, na margem do rio). A Reeperbahn está a 3 minutos deste computador, com suas dezenas de bares, cafés e sex shops. Essa rua, conta-me meu cunhado, é a mais famosa da Alemanha, por sua história ligada à boemia e por seu público punk e suspeito.

St. Pauli tem um time do coração, St. Pauli, que já chegou a disputar a série A da Bundesliga, mas há anos não sai da segunda divisão. Seu estádio é acanhado, e um meio-termo entre a Rua Javari e o Canindé. Por isso, é inevitável a comparação desse clube com a Lusa ou o Juventus. É o primeiro time de alguns locais e o segundo no coração de todos por aqui. Semana passada, para comemorar a inauguração de uma nova ala do estádio, jogou um amistoso contra a forte seleção de Cuba. Ganhou de 7 a 0…

A primeira cerveja, eu dizia, só tomei ontem, mas não em St. Pauli. Durante um passeio pela região do porto, esticamos até o bairro Português e sentamos numa mesinha na calçada em frente ao bar Rei dos Presuntos. O garçom iraniano que falava português serviu-me uma tulipa de Holsten, uma marca local. É uma cerveja amarga, mas não tanto quanto a Astra (da qual tomei duas garrafinhas ontem à noite, em casa) nem como a Jever, originária da cidade de… Jever. Aqui é fato comum que cada cidadezinha ou bairro tenham uma bebida com seu próprio nome.

Provei a Jever no bar Jimmy Elsass, que fica numa esquina do bairro de Sternschanze, com suas confortáveis casas de dois ou três andares. A Jever tem sabor de malte tostado, lembrou-me amendoim – tem algumas garrafinhas na geladeira, mais tarde vou tirar a prova para ter certeza se é isso mesmo.

Esse aconchegante bar, que parece uma taverna, é especializado em flammkucher, uma espécie de aperitivo alsaciano que lembra uma pizza de massa ultrafina. Pode ter, portanto, diferentes coberturas. Escolhi queijo de cabra com presunto da floresta negra e, para acompanhar, um vinho genérico da uva riesling, seco e que fez bom papel.

Na volta para casa, caminhamos uns 40 minutos. Em seu carrinho, o pequeno Torben vinha dormindo enquanto o pai cantava uma versão daquelas canções que turmas de amigos boêmios adoram entoar, que dizia mais ou menos assim: “Não existe cerveja em São Paulo… Não existe cerveja em São Paulo…“

Tudo bem que estamos na Alemanha, mas daqui a uns dezoito anos o pequeno Torben poderá ver que seu pai está um tanto equivocado.

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