Pamplona, Zurich, São Paulo

Nunca desci a Rua Augusta a 120 por hora, mas na ladeira que é a Rua Pamplona, no trecho entre a Paulista e a Estados Unidos, já devo ter passado dos 30 algumas vezes, a bordo da minha velha Caloi de 18 marchas que, aliás, está precisando de uma boa revisão de câmbio.


Lembro-me como achava divertido ir com meus pais ao Eldorado da Pamplona para fazer “a compra do mês”. Eu tinha uns 4 ou 5 anos e, antes de encher o carrinho com biscoitos de leite Nestlé, Cebolitos e Danoninhos, fazia uma parada obrigatória no restaurante do hipermercado – acho que se chamava Zum Zum – para jantar o de sempre: filé com fritas. Para beber, Fanta Limão.

A Pamplona é uma das minhas ruas preferidas na cidade. Sempre achei chique essa palavra. Passei a gostar ainda mais de ouvir e pronunciar Pam-plo-na, assim, devagar, quando cresci e descobri que esse era o nome de uma cidade espanhola – ao menos pela TV, assistimos todo ano as célebres disparadas dos touros pelas ruas da cidade, durante a festa de São Firmino.

Mas a Pamplona ficou fora de moda. O Eldorado não existe mais, virou Carrefour, e nos últimos anos nenhuma atração gastronômica surgiu no pedaço. Restam restaurantes daquele tempo, que ainda estão ali, firmes e fortes. Como o Alfama dos Marinheiros, com o fado de quinta a sábado e seus garçons-popeyes servindo enormes porções de bacalhau. Ou a Camelo que, além de preparar deliciosas pizzas de massa fina, frita o melhor frango à passarinho de São Paulo. E a Trattoria do Sargento, com sua ácida sardela, suas filas dominicais e paredes cobertas por fotografias esmaecidas de fregueses ilustres, como Tarcísio Meira, Glória Menezes e Pelé.

Tem ainda um bar, certamente mais jovem, localizado na esquina da Pamplona com a Lorena. Chama-se Zurich Beer e, que me lembre, jamais esteve em evidência nos roteiros de revista ou de jornal. É um daqueles bares esquecidos que, entra ano e sai ano, continua a atender a clientela de sempre, que chega para instalar-se na varanda a fim de fazer uma horinha.

A happy hour fica mais gostosa em companhia dos bem-recheados pasteizinhos de carne e de queijo, além de uma caipirinha. O chope nunca foi dos melhores, mas a cerveja tem bom tratamento na casa. Sete ou oito anos atrás, quando não havia a fartura de rótulos como hoje, suas geladeiras já guardavam garrafas de Original, Pilsen Extra e outros da linha Antarctica.

Segunda-feira passada passei por lá. A caipirinha, por um momento, teve sabor de Fanta limão.

Zurich Beer. Rua Pamplona, 1551, loja 4, Jardim Paulista, tel. (11) 3885-0510.

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