Dias de uma música só

Ontem à noite fui ao show do The Cult, no Credicard Hall. De quem? Sim, eles ainda existem, alguém há de perguntar. À frente estão o vocalista Ian Astbury e o fazedor de riffs de guitarra Billy Duffy – é estimulante ver com que vontade, com que prazer esse cara empunha e domina sua Gibson Les Paul no palco.

Que eu me lembre, o Cult foi a primeira banda de rock com a qual tive alguma identificação. Não é nem nunca foi a preferida – tanto é que só tenho um LP deles, Sonic Temple, de 1989 – mas lembro que ali por 1986, mais ou menos, eu tocava minha guitarra imaginária toda vez que ouvia o riff de Rain no rádio.

O show do ano passado foi muito melhor, desta vez o som não estava lá essas coisas e Ian parecia cansado, gripado, sei lá. Mas assistir a um show dessas quase ex-bandas em atividade me faz lembrar do meu tempo de adolescente, das tardes perdidas batendo papo na porta da casa do Cebola, no Pari, do tempo em que nossas maiores preocupações eram saber se passaríamos de ano na escola e se “aquela mina” finalmente iria dar bola para a gente.

É ter sempre mais uma oportunidade de tocar guitarra ou bateria no ar e não se sentir ridículo por isso, já que quase todos à sua volta estão fazendo o mesmo (roqueiros e metaleiros são mesmo muito ingênuos).

Como o show acabou por volta de meia noite e meia, eu e o Fabra, meu amigo que me acompanhou ao Credicard Hall, mais o Rodrigo e o Felipe Machado (jornalista e guitarrista do Viper, que escreveu um texto sobre a noite de ontem em seu blog, cujo link você vê aqui, a quem encontramos na saída, seguimos para o Filial, na Vila Madalena, para a saideira.

Apesar de lotado, conseguimos uma mesinha bem no meio do salão do bar. E logo vimos que o Filial, àquela hora, estava uma festa. Numa mesa do fundo, acabava de chegar uns meninos de uma tal McFly, banda teen que havia acabado de tocar no Via Funchal lotado (juro que nunca tinha ouvido falar deles…).

À nossa frente, assim que o garçom trouxe o chope, vimos chegar o Sócrates, ele mesmo, o Doutor, o capitão de 82, o único corinthiano que, confesso, tenho alguma admiração. Veio com o grande Xico Sá e o Victor Birner.

Minutos depois, entram no bar o baixista Chris Wyse, o guitarrista Mike Dimkich e o baterista John Tempesta que, uma hora atrás estavam justamente no palco do Credicard Hall. Por um momento, voltamos a ser meninos mais uma vez: será que o Ian e o Billy vão aparecer também? Alguém na mesa ponderou que não, que a dupla, quase cinqüentona, já estaria no hotel.

Às 2h53 da manhã fechamos a conta. A turma do Doutor e os caras do Cult ficaram no bar, os meninos do McFly foram dormir cedo. Quando acordei esta manhã e vi o céu cinza, logo senti que a quinta-feira pós-Cult seria um tanto melancólica, um daqueles dias nos quais a gente tem vontade de ouvir uma música só. Hoje é dia de Rain.

Filial. Rua Fidalga, 254, Vila Madalena, tel. (11) 3813-9226.

7 thoughts on “Dias de uma música só

  1. Menino, adorei seu blog, nao o conhecia, conheci porque fui ler o que o Felipe escrevia sobre o show do Cult. Amei o nome do teu blog, alias.Fui poucas vezes a SP, o Filial esteve entre os locais visitados. Com um que de memoria do bar, tive profundas saudades do Brasil e da vida boemia dai. Hoje moro em Beijing e aqui nunca encontrei um cantinho etilico pra chamar de meu. Nao que tu tenhas pedido, mas conheces o Mercatto DÁrte, em Porto Alegre? Eu o chamo de Moveis, e’ minha segunda casa na cidade onde vivi 7 anos. Bueno, deixo um oi e quem sabe tomemos alguma em algum bar de SP qualquer dia. Com chope gelado. O gelado aqui eh dificil, o chope, impossivel…

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  2. Que pena que perdi esse! Fui aos 2 primeiros shows do Cult em Sampa ( Ibira e Olympia ) e tenho ótimas lembranças!Já o Doutor, jogava tão elegantemente, mas no time errado. pelo menos, aconselhou o irmão na escolha do time!Abraço!

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  3. Pois é, Miguel; a dupla quase cinqüentona, ao menos na noite de quinta, estava mesmo no hotel. Enquanto Yannick Alléno servia o jantar no Eau, Duffy e Atsbury tomavam uma no bar do Hyatt. Vi os dois ali no balcão, tranqüilões, sem afetação de rock star. Abraço.

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  4. Qual o problema de não conhecer The Cult?!Da mesma forma que o McFLY não conhece o The Cult, é o cúmulo a maioria do pessoal que daqui não conhecer McFLY! Eles não são uma febre, a não ser que essa febre dure mais que 4 anos!Para os desinformados, McFLY é uma ‘modinha’ agora aqui no Brasil devido aos shows e tudo mais, mas na Inglaterra e em outros países eles são muito conhecidos! Não duvido nada que o próprio The Cult conheça eles! Afinal de contas, é meio difícil não conhecer a banda que tirou o lugar dos Beatles no Guiness Book, situação essa que não é muito fácil de acontecer!”Numa mesa do fundo, acabava de chegar uns meninos de uma tal McFly, banda teen que havia acabado de tocar no Via Funchal lotado (juro que nunca tinha ouvido falar deles…).”Eu me pergunto, quem é mais desinformado, McFLY que não conhece The Cult uma banda que eu achava que já estava extinta, ou os donos de Blogs e seus leitores que pelo visto gostam tanto e entendem tanto de musica, que não conhecem uma tal de McFLY que desbanda os Beatles (esses vocês conhecem, certo?) do Livro dos Recordes? de qualquer jeito, o show do The Cult foi realmente bom, acompanhei meu pai, e me surpreendi com os senhores no palco!

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