Eles também falam portuñol

Um dos meus pratos prediletos é o espanholíssimo gambas al ajillo. Que me lembre, nenhum lugar prepara essa receita tão bem quanto o restaurante La Plancha, que nasceu e cresceu – o que era um box tornou-se uma construção de dois andares – dentro do mercado produror da Barra da Tijuca, no Rio. Modéstia a parte, nas vezes que me aventurei a cozinhar os camarões médios em uma mistura de vinho branco, azeite e alho laminado, pouca coisa sobrou na panela.

Na virada do ano, passei dois dias em Bogotá e outros cinco na encantadora Cartagena, na costa atlântica da Colômbia (aliás, quero pedir desculpas por não comunicar que o blog faria essa pausa). Cheguei por lá ávido, portanto, para experimentar os pescados locais. Assim que abri o cardápio do primeiro bar em que entrei, o Portón de San Sebastián (foto), logo procurei pelas gambas. E vi que, na Colômbia, camarão não é gamba, é camarón. Assim como pode ser também langostino. Carro não é coche, como na Espanha. É carro mesmo (diz-se ‘cáro’).

Logo ergui um brinde aos hermanos colombianos, pensando: “Oba! Eles também falam portunhol!” Na verdade, assim como o português de Portugal ganhou suas variações no Brasil, o castelhano também foi se modificando na América.

O Portón de San Sebastián fica no maravilhoso centro histórico de Cartagena. Fundada em 1533, essa cidade – pela qual os espanhóis enviavam para a Europa tudo o que conseguiam enfiar numa nau – tem a região central cercada há cinco séculos por uma muralha. Era assim que se protegia dos ataques de piratas ingleses, holandeses e de outras procedências. Cartagena cresceu mas o centro ficou preservado. Ali estão os hotéis, bares e restaurantes mais charmosos. Passar uma semaninha ali não é nada mau…

Para acompanhar os camarones, pedi alguns patacones. Trata-se de uma porção de fatias de platano, como é chamado o tipo de banana comum na região caribenha. Lembra a nossa banana-da-terra e faz a mesma função e é tão popular por lá quanto a batata frita por aqui. Fatiada ainda verde, a fruta é empanada e frita. Em Cuba, por exemplo, comi uma versão em que a banana já está mais madura. Nos dois casos é uma delícia e, aprendi com os locais, come-se com as mãos mesmo.

De volta a São Paulo, faço um pedido à turma do Exquisito!, bar em que o menu homenageia as diferentes culinárias da América Latina: que tal incluir os patacones no menu? Se bem feitinha, eu seria um fã da receita. Nos próximos dias, conto mais sobre o que comi e bebi por lá e, na medida do possível, tento apresentar lugares similares por aqui.

No mais, que não nos falte boteco, vinho, chope, cerveja, caipirinha, uísque, água, petiscos, boas companhias e motivos para sermos felizes neste e nos próximos 357 dias de 2009.

Exquisito! Rua Bela Cintra, 532, Consolação, São Paulo, tel. (11) 3151-4530.

La Plancha Avenida Ayrton Senna, 1791, Box 10 E, Barra, Rio de Janeiro, tel. (21) 3325-3383.

Portón de San Sebastián Calle del Coliseo, tel. (00XX57 311 6885464), Cartagena de Índias, Colômbia.

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