Em Maceió: acarajé baiano, pizza e chope paulistas (ou réquiem tricolor)


Pode ser apenas uma primeira impressão, mas nos dois dias que passei em Maceió, de domingo a terça, notei a presença de muitos casais, jovens casais, caminhando pra lá e pra cá na belíssima orla, da Pajuçara a Jatiúca.

É provável, portanto, que a capital alagoana seja uma espécie de meca brasileira dos casais em lua-de-mel. Se minha tese pudesse ser confirmada por dados estatísticos, a cidade mereceria o título, pois atributos não lhe faltam: mar verdinho, temperatura média entre 25 e 29 graus a uma semana do inverno, com sol a maior parte do dia, e um clima algo sossegado.

Como eu não estava por ali em lua-de-mel, mas, sim, por causa de trabalho, tratei de aproveitar o tempo livre para calar algum lugar em que pudesse provar alguma coisinha da gastronomia local. Acabei, na verdade, experimentando três legítimos exemplos da culinária e da boemia forasteira.

Na noite de domingo me atraquei com um acarajé no Akuaba. Com todo respeito às soteropolitanas Dinha (que Oxalá a tenha) e Cira, o quitute dali não faria feio diante do delas. Nesse bar-restaurante instalado a duas quadras da praia, o bolinho tem uma circunferência do tamanho da palma da mão e vem bem apresentado, numa bandeja, ao lado dos pertences. Camarão defumado, vatapá e caruru e uma pimentinha bem boa chegam à parte, para que o próprio comensal o tempere. Por R$ 4,00, estava bom demais! Perfeito para ser dividido por duas pessoas, como entrada.

Dali segui para o Armazém Guimarães, pizzaria local que exportou sua expertise para Recife. Num clima de bar e aquele zunzunzum de casa da nonna, encarei uma pizza brotinho light (no cardápio constavam 300 calorias, de peito de peru, R$ 11,90) acompanhada de uma taça de Paso El Portillo (R$ 9,00), um vinho branco argentino fresquinho – sem trocadilhos. Caiu bem como parceiro para fazer matar o tempo.

Na noite seguinte baixei no Alagoana Casa de Chopp & Botequim (foto). Vencedor da categoria chope na edição passada de VEJA MACEIÓ, o bar pertence a Cadu Gardel, empresário que comanou casas de sucesso na Vila Olímpia (bairro paulistano que já foi dominado por casinhas, depois por bares e hoje por prédios comerciais monstruosos), como o Rabo de Peixe e o Moça Bonita.

Para minha surpresa, Gardel conseguiu levar o know-how para esse local. Arrisco dizer que é o chopinho mais bem tirado do Nordeste. Com temperatura e colarinho ideais, o líquido dourado e cremoso vai à mesa numa caldeireta idêntica à do bar Amigo Leal, outro símbolo de SP. Isto é: o copo é mais alto e mais longilíneo que o usual.

Minha intenção era tomar dois copos e voltar ao hotel. Quando me dei conta, percebi que uma roda de samba e choro se formou, em plena segundona, ali numa mesinha de canto.

Em volume e cadência adequados, o quarteto de cavaco, violão, atabaque e pandeiro foi despejanto Paulinho da Viola, Jackson do Pandeiro e outros lordes, entre eles, Paulo Vanzolini que, aliás, é tema de um documentário que está em cartaz.

Como diz seu samba, é isso aí, Tricolor: “reconhece a queda e não desanima/ levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

Akuaba. Avenida Álvaro Calheiros, 6, Mangabeiras, Maceió, tel. (82) 3325-6199.

Alagoana Casa de Chopp & Botequim. Rua Deputado Luiz Gonzaga Coutinho, 125, esquina com a antiga Avenida Amélia Rosa, Jatiúca, Maceió, tel. (82) 3235-1678.

Armazém Guimarães. Avenida Doutor Antônio Gomes de barros, 188, Jatiúca, Maceió, tel. (82) 3325-4545.

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