Santiago parte 3 – pisco sour na saideira

Foto: Andrea D'Amato

Foto: Andrea D'Amato

 

Já com um sabor de saideira descendo pela garganta, fui explorar o Barrio Brasil, um pedaço da cidade que segue uma rotina mais parecida com a da Santiago dos anos 40 ou 50 – confie, leitor, mesmo sabendo que eu nasci nos 70. Suas ruas retas e planas acomodam um casario simples, de planta térrea e construções que se emendam umas nas outras.

Alguns desses imóveis abrigam famílias. Outros, bares e restaurantes charmosos. Indeciso sobre em qual deles entrar, acabei andando algumas quadras, até dar-me conta que já estava no Barrio Concha y Toro. Barrio, ou bairro, é modo de dizer. Estamos falando aqui de um microconjunto de vias estreitas e de paralelepípedo que circundam a Plazoleta de la Libertad de Prensa, também conhecida como Plaza de los Periodistas (Praça dos Jornalistas). Arandelas e iluminação amarelada mais sobrados com fachadas de estilos tão distintos quanto o gótico e o art déco compõem a atmosfera da área.

Apesar do nome, a famosa vinícola não está instalada ali. Na verdade, nesse pedacinho mágico da capital chilena moraram, entre os anos 20 e 40, Don Melchor (o fundador da marca, cujo nome batiza o rótulo mais famoso produzido pela casa) e seu irmão Enrique Concha y Toro.

Num prédio erguido nos anos 30, ao qual o acesso é feito por uma bela escada de mármore, foi inaugurado cerca de seis meses atrás o Club Santiago, um bar-restaurante em que se come uma tenra albacora (peixe também conhecido como atum-branco) e deliciosas, suculentas costelinhas de porco.

Como nos almoços e jantares anteriores eu havia consumido uma quantidade de vinho equivalente ao que bebo normalmente em um mês, decidi provar, finalmente, um pisco sour – não exagero ao dizer que o amor que o chileno tem pelo drinque é o mesmo que dedicamos à caipirinha. Essa mistura de suco de limão com pisco e açúcar combina mais com um dia de verão, evidentemente, mas eu não poderia sair de lá sem tomar uma delas. De quebra, trouxe uma garrafa d destilado na mala, para tentar fazer uns coquetéis por aqui.

Ao fim de quatro noites e cinco dias, voltei para casa com a lembrança de uma Santiago cinza e nublada – resultado da poluição e do smog, a névoa marcante – e com a impressão de que os chilenos são amáveis, pontuais e conservadores (as crianças, por exemplo, usam ainda terninho e gravata como uniforme escolar; o país, por sua vez, foi um dos últimos a legalizr o divórcio, em 2004). Mas formam um povo que sabe comer, beber e receber muito bem.

Club Santiago. Erasmo Escola, 2120, Barrio Concha y Toro, Santiago, tel. (02) 673-4700

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