A saideira da semana

O Ministrão, quarta-feira passada

Antes tarde do que nunca e depois de enfrentar três horas de ‘viagem’ pela Marginal Tietê’, repasso a dica da minha amiga dos tempos de faculdade Ana Paula, que apresentou anteontem a mim e a mais dois amigos um belo de um botecão.

Falo do Ministrão – desculpem-me pela péssima qualidade da imagem, foi tirada do meu celular -, nome oficial ‘Ministro’ que fica na esquina da Rua Ministro Rocha Azevedo com a Alameda Lorena.

Bem diferente do chiquê das casas das alamedas, o lugar é simplório como o da imensa maioria dos pés sujos desta cidade. E como a maioria dos que se prezam, contam com a presença diuturna do proprietário, o Seu Fernando, que zela pela qualidade dos salgados, como a porção de croquetinhos de carne-seca com mandioca ou do churrasco acebolado.

E o público? Bom, tem de tudo um pouco: gente com cara de que acabou de sair do escritório, grupos de lindíssimas moradoras e/ou praticantes dos Jardins (me contaram que a um quarteirão dali há o escritório de uma agência de comunicação em que trabalham umas 30 mulheres e apenas 2 ou 3 marmanjos), solitários de balcão e até um vendedor ambulante de castanha de caju que, acreditam, aceita pagamentos com cartão de débito.

Ok, ok, como nem tudo é perfeito, não pude conferir a coxinha que a Ana tanto propagandeou. Mas vale a dica: só peça se for frita na hora. Do contrário, esqueça.

Em compensação, a Serramalte estava gelada, no ponto, a R$ 5,50, com direito a saideira antes da 1 da manhã, porque Seu Fernando respeita a vizinhança e recolhe as mesas antes de levar bronca do PSIU.

Ministrão. Alameda Lorena, 1218, Jardim Paulista, tel. 911) 3085-9373.

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Xixos, espetinhos e seus primos

Sugestões da Casa do Espeto

Sugestões da Casa do Espeto

Na quinta-feira passada, após uma reunião de trabalho em Porto Alegre, saí para tomar uma cerveja com meu amigo João. Grande figura, o rapaz é dos mais informados tanto em termos de baladas quanto em viagens – trata-se de um globetrotter.

Baixamos no Boteco Imperial, uma casa aberta cerca de um mês atrás no arborizado bairro de Santana. Pelo jeito, o negócio vai pegar: as mesas da área interna e do terraço estavam bem cheias.

Para acompanhar as garrafa de Polar – estando em Porto Alegre faça como os locais e valorize o produto da terra; se encontrar uma Coruja geladinha, pronto, comece uma degustação – resolvi pedir um xixo.

Numa escala P-M-G, o xixo é, por assim dizer, um espeto tamanho M, enquanto o espetinho é o P e os de churrascaria rodízio são GG ou XG.

Via de regra, o xixo mistura filé mignon, lombo de porco e calabresa, entremeados por fatias de pimentão e cebola. Por seu tamanho, em vez de ser abocanhado, o consumo pode ser amparado por talheres.

Não há como negar o parentesco do xixo com os espetinhos, primos-irmãos dos espetinhos de gato, que anos atrás tornaram-se especialidade de muitos bares paulistanos.

Como lembrou Xico Sá em uma crônica há alguns dias, a região de Perdizes e Pompeia é a meca dos bares de espetinho paulistano. A história começou, se bem me lembro, com a Casa do Espeto, na Rua Cotoxó, e foi copiada por locais que já se foram e outros que prosperam, caso do agradável Dita Cabrita. Alguns açougues da vizinhança também passaram a montar uma churrasqueira na porta do estabelecimento (recomendo um que fica na esquina da Piracuama com a Cayowaá).

Outra prima do xixo e do churrasquinho de gato é a robata, espeto de carne, fruto do mar ou legumes grelhados, típicos da gastronomia japonesa. Hoje as robatas estão difundidas na cidade, mas tenho saudade do Santa Mônica Robata Bar, que funcionou a partir de 1998 ao lado do restaurante Nagayama, na Rua Bandeira Paulista, e que deu lugar a outra coisa uns cinco anos atrás. Havia um balcão, três ou quatro mesas e robatas bem temperadas dos mais diversos sabores.

Do Oriente Médio vem ainda o michui, espeto de metal fino e de uns 30 centímetros de comprimento que acomoda sobre o fogo pequenos pedaços de carne de cabrito, frango ou pescados do Mediterrâneo e a da costa Atlântica do norte da África. Na Casa Líbano, no bairro do Pari, o michui de cafta é sensacional, úmido, uma delícia.

Em Marrakesh, no Marrocos, entreguei meu fígado a Alá e nos primeiros dias deste 2010 encarei algumas sessões de michui em barracas da feira que toma conta todas as noites da alucinante praça Djeema-el Fna. Assim que o turista atravessa o muro da medina (a cidade antiga) já consegue avistar o fumacê que sobe através dos toldos.

Se você não tem medo de desafios, faça como eu fiz: desvie dos macacos acrobatas (e trombadinhas?), da tatuadoras de henna e dos encantadores de serpente. Garanta o seu lugar em uma das barracas, peça um mix de michui, um cuscuz marroquino e reze.

Boteco Imperial. Rua Santana, 375, Santana, Porto Alegre, tel. (51) 3026-3213.

Casa do Espeto. Rua Cotoxó, 582, Pompeia, tel. (11) 3676-0436.

Casa Líbano. Rua Barão de Ladário, 831, Pari, tel. (11) 3313-0289.

Dita Cabrita. Rua Barão do Bananal, 961, Pompeia, tel. (11) 3868-2463.

A pior padaria do mundo

Eu, que seria capaz de passar os meus dias apenas alimentado por pão (água e um tintinho também iriam bem), tenho a má sorte de morar a dois quarteirões da Bella Paulista, a pior padaria do mundo.

Pelo que percebo quando passo por perto da pior padaria do mundo, devo ser a única pessoa a achar que a Bella Paulista é a pior padaria do mundo. Afinal, a qualquerhora do dia ou da noite o salão ultrailuminado está cheio, seja numa madugada de quinta para sexta, seja numa manhã de domingo, quando há filas para servir-se no bufê do brunch, para ir ao banheiro, para pagar a conta e para conseguir uma mesa livre.

Há quem goste de começar o dia ou curtir a saideira dessa forma, mas definitivamente esse não é o meu caso.

Não tenho dúvida que a localização estratégica, a uma quadra da Avenida Paulista, aliada à conveniência de funcionar 24 horas por dia são a razão principal do sucesso da pior padaria do mundo. Ok, ok, os sandubas sarados são bons e a ala reservada aos vinhos é melhor que a de alguns supermercados.

O fato é que em quase dois anos de vizinhança, foram raras, raríssimas as vezes em que não me aborreci ou me arrependi por ter precisado dos serviços da pior padaria do mundo. Já me cobraram o preço errado por um pote de manteiga (a mais, claro), já incluíram itens na comanda que evidententemente eu não havia pedido e de grão e grão a galinha encheu o papo com trocos de 5, 10 ou 20 centavos que acabaram no bolso de alguém por falta de moedas no caixa.

Para o café da manhã de domingo passado – não, não me refiro ao serviço de brunch da casa; aliás, nunca tive o prazer de degustá-lo, simplesmente porque me nego a encarar uma espera na primeira refeição do dia, ainda mais em um domingo; estou falando do desjejum caseiro mesmo – tive de recorrer à pior padaria do mundo para comprar quatro pãezinhos e alguns gramas de frios.

Pães comprados, segui para o balcão de frios e procurei pela tabela de preços dos frios.

Não a vi exposta em nenhum lugar.

Perguntei ao funcionário, então, por ela:

– A gente vai colocar, mas pode perguntar o preço do que quiser e eu falo – respondeu-me ele, com ar de sabichão.

Acredite se quiser, caro leitor, mas recebi essa mesma resposta muitos meses atrás, na época em a pior padaria do mundo foi ampliada.

Retruquei:

– Não é essa a questão. Quero ver a tabela para poder comparar preços, ver se levo alguma coisa diferente…

E segui para o caixa, onde passei por mais amolação. Ao pegar a comanda eletrônica (e imaginando que eu tivesse gastado uma boa grana ali), a funcionária perguntou:

– Nota fiscal paulista?

– Sim – eu disse.

Como a conta ficara em R$ 2,20, pois eu havia comprado meros quatro pãezinhos – só pode ser por isso –, ela entendeu “não”.

Obviamente, saí de lá com a nota fiscal, não sei antes reclamar à gerente pela falta da tabela de preços e lembrar de outra situação que vi por lá.

Na noite do domingo semana anterior, a caminho da farmácia, tive de passar pela calçada em frente à pior padaria do mundo.

Ao cruzar a faixa de pedestres e alcançar o passeio, que naquele trecho da Haddock Lobo deve ter uns 4 metros de largura, dei-me conta que a calçada estava tomada por bancos de madeira ocupados por clientes da… pior padaria do mundo!

Não contentes em colocar bancos encostados na parede, a pior padaria do mundo resolveu ocupar mais um quinhão do espaço publico, deixando bancos também próximos à guia. Assim, de uma hora para outra, os 4 metros reduziram-se a um corredor de 1 metro, cercado também por fregueses da pior padaria do mundo, que se lambrecavam de sorvete e davam uns traguinhos em seus Marlboro e Dunhill (não vou comentar nada sobre as bitucas de cigarro).

A julgar pelo desdém com que a gerente da pior padaria do mundo ouviu minhas reclamações, eles não devem estar precisando de meus R$ 2,20. Eu que me dane, sou o pior cliente do mundo.

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Passos gastronômicos

Foto: Miguel Icassatti

Foto: Miguel Icassatti

Em uma cidade como Paris, não é difícil escolher um lugar para comer e beber. A oferta de bistrôs, brasseries, bares, cafés e restaurantes de todo tipo de cozinha é absurda. Guias, revistas e sites de turismo e gastronomia do mundo inteiro ajudam a fazer a seleção de um endereço perfeito para aplacar a fome, a sede e o desejo do turista.

 

Quando se tem a sorte de contar com a ajuda de um amigo ou parente que possa dar algumas dicas de insider, a brincadeira fica ainda mais divertida. Felizmente, é o meu caso. Na última noite da viagem a Paris, no dia 3 de janeiro, fui visitar uma prima de minha mãe, artista plástica que vive na França há cerca de trinta anos. Jane é casada com Luc-Michel, um moldurista artesão premiadíssimo que mantém um ateliê de frente para a Ile St. Louis, às margens de um dos braços do Sena.

 

Não foi a primeira vez que estivemos juntos, mas a noite foi uma das mais especiais. Natural da Borgonha, Luc fuçou em sua adega particular e abriu uma garrafa de um pinot noir sobre sua prancheta de trabalho, para darmos juntos o primeiro brinde do ano. Em seguida, ciceroneou-os a um restaurante típico francês instalado há cem metros de distância de seu ateliê.

 

O Cafe Restaurant Louis Philippe tem um cardápio especializado em clássicos da Borgonha, com espaço para algumas sugestões de outras regiões do país, tanto entre os pratos como na carta de vinhos. Do salão do primeiro andar, tem-se vista panorâmica para o Sena, com a Catedral de Notre Dame ao fundo. Não exagero ao dizer que seu ambiente, a iluminação, a localização e a atmosfera compõem o conjunto ideal do que se espera para receber um jantar romântico.

 

À mesa, éramos seis, contando com Moffy, o dálmata de treze anos do casal Jane e Luc. A julgar pela silhueta rechonchuda de seu dorso e a avidez com que traçou os restos de boeuf bourguignon, deve ser habituê da casa.

 

De entrada, suei para dar conta de uma porção de meia dúzia de ostras, cultivadas nas águas frias da Bretanha. Em seguida, deliciei-me com um gigot d’agneau (fatias perna de cordeiro).

 

Após despedir de Jane e Luc, caminhando pela noite gelada e silenciosa de Paris, dei-me conta de que esse hábito de explorar, a pé, os bons bares e restaurantes vizinhos de casa tem se tornado cada vez mais raro em São Paulo.

 

Pensando bem, uma caminhada pelos arredores de casa pode revelar também mercadinhos, uma padoca diferente, uma lanchonete, uma casa de sucos, a sorveteria… Da próxima vez que pegar as chaves do carro para dar um pulinho à padaria, caro leitor, lembre-se do tempo em que sua mãe lhe pedia para buscar o pão quentinho, que saía de hora em hora.

 

Cafe Restaurant Louis Philippe. 66, quai de L’Hotel de Ville, Paris, tel. 00XX33-0142722942.

Para terminar (e começar) bem a semana

Foto: divulgação

Foto: divulgação

 

Na sexta passada almocei no restaurante Pomodori. Fazia mais de um ano que não ia à casa. Em minha opinião, e apesar da dissolução da sociedade entre os chefs Jefferson Rueda e Rodrigo Martins (que atua no vizinho Vino!, para mim, um dos melhores custo-benefício da cidade), o restaurante segue sendo o melhor italiano de alta gastronomia na cidade. A área foi ampliada (ocupa a do breve, sensacional e extinto Pomodori Wine Bar)  e ganhou um belo balcão de bar.

 

O que vou contar abaixo não se trata de grande novidade – sobretudo para quem é habituê do lugar –, mas voltei de lá com duas boas notícias e outra, digamos, nem tanto:

 

1. No almoço, Rueda sugere um menu executivo a R$ 49,00, que a cada dia traz duas opções de entrada, três de prato principal e duas de sobremesa, além do couvert. Fui de polenta grelhada com ragú à bolonhesa, depois cabrito assado com batata bolinha, brócolis e molho de alecrim. Tudo acompanhado por um excelente nebbiolo disponível em taça, sugestão da sommelière Gabriela Monteleone (bebidas são pagas à parte).

 

2. Já na entrada fiquei meio atordoado ao perceber que a hostess é a Michelly Machri, que há dez anos ganhou notoriedade com o célebre comercial de TV para a Sukita (foto). O tempo passa e a garota, que posou para a PLAYBOY em 2001, continua linda aos 30 anos. Muito gentil, ela me conduziu até o aconchegante bar, onde pude aguardar por um amigo que me acompanharia na refeição.

 

3. Acalmem-se, tios! A moça é mulher do subchefe da casa.

Pomodori. Rua Doutor Renato Paes de Barros, 534, Itaim Bibi, tel. (11) 3168-3123.

O Ritz do 6ème

Hambúrguer do Ritz. Foto: divulgação

Hambúrguer do Ritz. Foto: divulgação

 

Chegamos em Paris no dia 27 de dezembro, com temperatura positiva, de 3 graus. Mas por causa do vento, a sensação térmica fatalmente era de 1 ou 2 graus abaixo de zero.

 

Na região fronteiriça ao Quartier Latin, onde aluguei um studiozinho para passar quatro noites, um dos lugares mais quentes, em que foi possível abandonar o casaco, cachecol, luvas e gorro para tomar uns tragos, era o Coffee Parisien, que minha namorada havia conhecido em 2007.

 

Há outras unidades na cidade, mas a da pequenina Rue Princesse, nos arredores do Boulevard Saint German, sem dúvida é a mais acolheradora e movimentada.

 

A atmosfera do bar-restaurante tem um quê do paulistano Ritz. Balcão atraente e acolhedor, garçons, barmen e garçonetes boa-pinta e atenciosos, mesas pequenas e próximas umas das outras, ocupadas por casais e turmas de garotas, rapazes, mistas e de gays, sonzinho quase inaudível por causa da algazarra e aquele clima “faz de conta que não te vi chegar”.

 

Entre outros itens do cardápio, algumas versões de hambúrguer se destacam – encarei um certo ‘obamac burger’ (16,50 euros, se não me engano). Os dois bifões vieram ao ponto, conforme pedi, acompanhados de uma espécie de batat rôsti, pesadona, que dispensei. A carne tinha boa textura, mas achei que lhe faltou sal e tempero. O pão, surpreendentemente, em se tratando de França, também não era lá essas coisas. Ponto positivo para a mostarda.

 

Pensando bem, o hambúrguer mais simples do Ritz dá de dez nesse aí. E, modestamente, o que preparo em casa, com acém e gordura de picanha moídos juntos, dica do chef Benny Novak, do Ici Bistrot, também.

 

Foi legal, porém, ter acompanhado essa comilança bebendo um chardonnay genérico, da casa, bom e barato, por 9,50 euros a garrafa. De sobremesa, o que dizer de uma caminhada de dez minutos até o studio, Boulevard Saint Michel acima? Paris.

Coffee Parisien. 4, Rue Princesse, 6ème, tel. 0XX33-0143541818, Paris, França.

Ritz. Alameda Franca, 1088, Jardim Paulista, tel. (11) 3062-5830, São Paulo.

A Bavária, a 600 quilômetros da Bavária

foto: divulgação

foto: divulgação

 

Passei parte das festas de fim de ano em Hamburgo, na Alemanha, onde mora minha irmã. Você sabem, o mais forte inverno dos últimos 25 anos, neve, ventos, aeroportos fecahdos, tempo feio, menos de oito horas de luz natural por dia. Ainda assim, Hamburgo é uma cidade linda, organizada, que pude conhecer também no verão, quando a margem do Rio Elba se transforma numa festa.

 

Tomado pelo clima natalino e familiar, desta vez pouco explorei os bares e restaurantes locais. A bem da verdade, ali no norte da Alemanha o Natal é celebrado ao longo de três dias e nesse período as famílias fazem um estoque de suprimentos – muitas garrafas de cerveja e comida – já que o comércio fecha quase que completamente.

 

Ainda assim, quando a neve derretida já não representava risco para uma viagem de carro, aproveitamos boa parte do dia 26 em Luebeck, cidade declarada Patrimônio Histórico da Humanidade e que foi fundada no século XII quase à beira do Mar Báltico.

 

Depois de tomar um vinho quente numa das barracas do Mercado de Natal e de caminhar pelas ruas de construções medievais, paramos para comer algo no Paulaner’s, bar temático ligado à famosa cervejaria da Bavária. Embora estivesse a cerca de 640 quilômetros de Munique, não resisti à vontade de combater o frio por meio de algum pesado prato da culinária bávara.

 

Aqui cabe um parêntese: imaginar que a gastronomia alemã resume-se a eisbein, chucrute e salsichão, típicos do sul do país, é o mesmo que dizer que acarajé, feijoada e rapadura são receitas encontráveis no dia-a-dia do sertanejo, do carioca e do gaúcho ao mesmo tempo. Como acontece na França, na Itália, no Brasil ou em qualquer lugar, na Alemanha existem diferenças regionais no sotaque, no jeito de ser das pessoas e naquilo que elas levam à boca na hora de beber e de comer. O que não torna impossível, evidentemente, compor uma mesa ou um cardápio coerente, composto de pratos de diferentes procedências, sem correr o risco de oferecer algo sem personalidade.

 

Por serem banhadas pelo Mar do Norte, pelo Mar Báltico e por rios limpos e navegáveis como o Elba – o estaleiro que construiu o megaiate do russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, fica em Hamburgo –, as cidades do norte da Alemanha utilizam muitos peixes e frutos do mar em sua culinária, frescos, salgados ou defumados, em especial o herring (arenque).

 

Nas águas geladas da costa da região existem mais de 100 tipos de arenque, que costuma ter a carne bem gordurosa para o seu porte médio, de uns 25 centímetros de comprimento. Outro peixe comum por lá é o pollack, de carne branca, e que no Paulaner’s é apresentado em filé, grelhado, com com molho de mostarda e batatas (12,90 euros).

 

Optei, porém, pelo wiesn platter, um pot-pourri de gordurices como costelinha de porco grelhada com molho de repolho (sauerkraut), molho de cerveja Dunkel e lascas de batata gratinada (9,90 euros). Mais bávaro, impossível.

 

Para beber, comecei com um copo de Paulaner Weiss, tirada na pressão, cremosa, aroma de cravo subindo pelo nariz e terminei com uma pilsen fresquíssima, também tirada na hora (3,70 euros cada copo de meio litro).

 

Que não faltem motivos nem bares nem copos nem bebidas para brindarmos neste 2010.

Paulaner’s. Breite Strasse 1-5, tel. 00XX49 0451-7079450, Luebeck, Alemanha, http://www.paulanres-luebeck.de