A Bavária, a 600 quilômetros da Bavária

foto: divulgação

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Passei parte das festas de fim de ano em Hamburgo, na Alemanha, onde mora minha irmã. Você sabem, o mais forte inverno dos últimos 25 anos, neve, ventos, aeroportos fecahdos, tempo feio, menos de oito horas de luz natural por dia. Ainda assim, Hamburgo é uma cidade linda, organizada, que pude conhecer também no verão, quando a margem do Rio Elba se transforma numa festa.

 

Tomado pelo clima natalino e familiar, desta vez pouco explorei os bares e restaurantes locais. A bem da verdade, ali no norte da Alemanha o Natal é celebrado ao longo de três dias e nesse período as famílias fazem um estoque de suprimentos – muitas garrafas de cerveja e comida – já que o comércio fecha quase que completamente.

 

Ainda assim, quando a neve derretida já não representava risco para uma viagem de carro, aproveitamos boa parte do dia 26 em Luebeck, cidade declarada Patrimônio Histórico da Humanidade e que foi fundada no século XII quase à beira do Mar Báltico.

 

Depois de tomar um vinho quente numa das barracas do Mercado de Natal e de caminhar pelas ruas de construções medievais, paramos para comer algo no Paulaner’s, bar temático ligado à famosa cervejaria da Bavária. Embora estivesse a cerca de 640 quilômetros de Munique, não resisti à vontade de combater o frio por meio de algum pesado prato da culinária bávara.

 

Aqui cabe um parêntese: imaginar que a gastronomia alemã resume-se a eisbein, chucrute e salsichão, típicos do sul do país, é o mesmo que dizer que acarajé, feijoada e rapadura são receitas encontráveis no dia-a-dia do sertanejo, do carioca e do gaúcho ao mesmo tempo. Como acontece na França, na Itália, no Brasil ou em qualquer lugar, na Alemanha existem diferenças regionais no sotaque, no jeito de ser das pessoas e naquilo que elas levam à boca na hora de beber e de comer. O que não torna impossível, evidentemente, compor uma mesa ou um cardápio coerente, composto de pratos de diferentes procedências, sem correr o risco de oferecer algo sem personalidade.

 

Por serem banhadas pelo Mar do Norte, pelo Mar Báltico e por rios limpos e navegáveis como o Elba – o estaleiro que construiu o megaiate do russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, fica em Hamburgo –, as cidades do norte da Alemanha utilizam muitos peixes e frutos do mar em sua culinária, frescos, salgados ou defumados, em especial o herring (arenque).

 

Nas águas geladas da costa da região existem mais de 100 tipos de arenque, que costuma ter a carne bem gordurosa para o seu porte médio, de uns 25 centímetros de comprimento. Outro peixe comum por lá é o pollack, de carne branca, e que no Paulaner’s é apresentado em filé, grelhado, com com molho de mostarda e batatas (12,90 euros).

 

Optei, porém, pelo wiesn platter, um pot-pourri de gordurices como costelinha de porco grelhada com molho de repolho (sauerkraut), molho de cerveja Dunkel e lascas de batata gratinada (9,90 euros). Mais bávaro, impossível.

 

Para beber, comecei com um copo de Paulaner Weiss, tirada na pressão, cremosa, aroma de cravo subindo pelo nariz e terminei com uma pilsen fresquíssima, também tirada na hora (3,70 euros cada copo de meio litro).

 

Que não faltem motivos nem bares nem copos nem bebidas para brindarmos neste 2010.

Paulaner’s. Breite Strasse 1-5, tel. 00XX49 0451-7079450, Luebeck, Alemanha, http://www.paulanres-luebeck.de

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