Passos gastronômicos

Foto: Miguel Icassatti

Foto: Miguel Icassatti

Em uma cidade como Paris, não é difícil escolher um lugar para comer e beber. A oferta de bistrôs, brasseries, bares, cafés e restaurantes de todo tipo de cozinha é absurda. Guias, revistas e sites de turismo e gastronomia do mundo inteiro ajudam a fazer a seleção de um endereço perfeito para aplacar a fome, a sede e o desejo do turista.

 

Quando se tem a sorte de contar com a ajuda de um amigo ou parente que possa dar algumas dicas de insider, a brincadeira fica ainda mais divertida. Felizmente, é o meu caso. Na última noite da viagem a Paris, no dia 3 de janeiro, fui visitar uma prima de minha mãe, artista plástica que vive na França há cerca de trinta anos. Jane é casada com Luc-Michel, um moldurista artesão premiadíssimo que mantém um ateliê de frente para a Ile St. Louis, às margens de um dos braços do Sena.

 

Não foi a primeira vez que estivemos juntos, mas a noite foi uma das mais especiais. Natural da Borgonha, Luc fuçou em sua adega particular e abriu uma garrafa de um pinot noir sobre sua prancheta de trabalho, para darmos juntos o primeiro brinde do ano. Em seguida, ciceroneou-os a um restaurante típico francês instalado há cem metros de distância de seu ateliê.

 

O Cafe Restaurant Louis Philippe tem um cardápio especializado em clássicos da Borgonha, com espaço para algumas sugestões de outras regiões do país, tanto entre os pratos como na carta de vinhos. Do salão do primeiro andar, tem-se vista panorâmica para o Sena, com a Catedral de Notre Dame ao fundo. Não exagero ao dizer que seu ambiente, a iluminação, a localização e a atmosfera compõem o conjunto ideal do que se espera para receber um jantar romântico.

 

À mesa, éramos seis, contando com Moffy, o dálmata de treze anos do casal Jane e Luc. A julgar pela silhueta rechonchuda de seu dorso e a avidez com que traçou os restos de boeuf bourguignon, deve ser habituê da casa.

 

De entrada, suei para dar conta de uma porção de meia dúzia de ostras, cultivadas nas águas frias da Bretanha. Em seguida, deliciei-me com um gigot d’agneau (fatias perna de cordeiro).

 

Após despedir de Jane e Luc, caminhando pela noite gelada e silenciosa de Paris, dei-me conta de que esse hábito de explorar, a pé, os bons bares e restaurantes vizinhos de casa tem se tornado cada vez mais raro em São Paulo.

 

Pensando bem, uma caminhada pelos arredores de casa pode revelar também mercadinhos, uma padoca diferente, uma lanchonete, uma casa de sucos, a sorveteria… Da próxima vez que pegar as chaves do carro para dar um pulinho à padaria, caro leitor, lembre-se do tempo em que sua mãe lhe pedia para buscar o pão quentinho, que saía de hora em hora.

 

Cafe Restaurant Louis Philippe. 66, quai de L’Hotel de Ville, Paris, tel. 00XX33-0142722942.

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