Xixos, espetinhos e seus primos

Sugestões da Casa do Espeto

Sugestões da Casa do Espeto

Na quinta-feira passada, após uma reunião de trabalho em Porto Alegre, saí para tomar uma cerveja com meu amigo João. Grande figura, o rapaz é dos mais informados tanto em termos de baladas quanto em viagens – trata-se de um globetrotter.

Baixamos no Boteco Imperial, uma casa aberta cerca de um mês atrás no arborizado bairro de Santana. Pelo jeito, o negócio vai pegar: as mesas da área interna e do terraço estavam bem cheias.

Para acompanhar as garrafa de Polar – estando em Porto Alegre faça como os locais e valorize o produto da terra; se encontrar uma Coruja geladinha, pronto, comece uma degustação – resolvi pedir um xixo.

Numa escala P-M-G, o xixo é, por assim dizer, um espeto tamanho M, enquanto o espetinho é o P e os de churrascaria rodízio são GG ou XG.

Via de regra, o xixo mistura filé mignon, lombo de porco e calabresa, entremeados por fatias de pimentão e cebola. Por seu tamanho, em vez de ser abocanhado, o consumo pode ser amparado por talheres.

Não há como negar o parentesco do xixo com os espetinhos, primos-irmãos dos espetinhos de gato, que anos atrás tornaram-se especialidade de muitos bares paulistanos.

Como lembrou Xico Sá em uma crônica há alguns dias, a região de Perdizes e Pompeia é a meca dos bares de espetinho paulistano. A história começou, se bem me lembro, com a Casa do Espeto, na Rua Cotoxó, e foi copiada por locais que já se foram e outros que prosperam, caso do agradável Dita Cabrita. Alguns açougues da vizinhança também passaram a montar uma churrasqueira na porta do estabelecimento (recomendo um que fica na esquina da Piracuama com a Cayowaá).

Outra prima do xixo e do churrasquinho de gato é a robata, espeto de carne, fruto do mar ou legumes grelhados, típicos da gastronomia japonesa. Hoje as robatas estão difundidas na cidade, mas tenho saudade do Santa Mônica Robata Bar, que funcionou a partir de 1998 ao lado do restaurante Nagayama, na Rua Bandeira Paulista, e que deu lugar a outra coisa uns cinco anos atrás. Havia um balcão, três ou quatro mesas e robatas bem temperadas dos mais diversos sabores.

Do Oriente Médio vem ainda o michui, espeto de metal fino e de uns 30 centímetros de comprimento que acomoda sobre o fogo pequenos pedaços de carne de cabrito, frango ou pescados do Mediterrâneo e a da costa Atlântica do norte da África. Na Casa Líbano, no bairro do Pari, o michui de cafta é sensacional, úmido, uma delícia.

Em Marrakesh, no Marrocos, entreguei meu fígado a Alá e nos primeiros dias deste 2010 encarei algumas sessões de michui em barracas da feira que toma conta todas as noites da alucinante praça Djeema-el Fna. Assim que o turista atravessa o muro da medina (a cidade antiga) já consegue avistar o fumacê que sobe através dos toldos.

Se você não tem medo de desafios, faça como eu fiz: desvie dos macacos acrobatas (e trombadinhas?), da tatuadoras de henna e dos encantadores de serpente. Garanta o seu lugar em uma das barracas, peça um mix de michui, um cuscuz marroquino e reze.

Boteco Imperial. Rua Santana, 375, Santana, Porto Alegre, tel. (51) 3026-3213.

Casa do Espeto. Rua Cotoxó, 582, Pompeia, tel. (11) 3676-0436.

Casa Líbano. Rua Barão de Ladário, 831, Pari, tel. (11) 3313-0289.

Dita Cabrita. Rua Barão do Bananal, 961, Pompeia, tel. (11) 3868-2463.

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