Cadê (os) camisas 10?

O ambiente do All Black/ foto: divulgação

Desde o mais recente jogaço entre São Paulo e Botafogo – apenas para registro, os dois times que mais cederam jogadores para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo; 46 pelo Bota e 42 pelo Tricolor –, ocorrido em meados de novembro no Engenhão, passei a integrar a brilhante torcida SampaFogo.

Aos que levam a vida a sério demais, cabe advertir que se trata de uma brincadeira, evidentemente, entre amigos, em favor da cordialidade e do bom humor nas disputas ludopédicas (smepre quis escrever esta palavra, hehe).

Naquele 22 de novembro, eu e mais um grupo de amigos sãopaulinos fomos mui bem recebidos no Rio de Janiero por amigos botafoguenses, que providenciaram as entradas, transporte e nos ciceronearam até o Engenhão.

Ao fim do jogo, ainda tivemos direito à saideira no Jobi para secar o Flamengo – deu certo, ao menos naquela noite, pois o Urubu ficou no 0 a 0 com o Goiás, no Maracanã lotado.

Todo esse preâmbulo serve, na verdade, para lembrar que na próxima terça-feira, dia 2, tem jogo da Seleção Brasileira, em Londres, contra a Irlanda. O All Black promete receber torcedores com um telão, a partir das 17 horas. Um pub pode realmente ser uma bom lugar para acompanhar a partida, ao lado de um pint de Guinness, que tal?

Por falar em seleção, assim como o São Paulo, o time do Dunga carece de um camisa 10 autêntico, da estirpe de um Zico, Pita, Raí. Hernanes é bom jogador, mas a 10 pesa pra ele. A 8 lhe cai melhor, assim como a Kaká.

Torço para que Ronaldinho continue melhorando e rezo para que Dunga considere levá-lo à África do Sul. Por ora, e com a contusão do Luís Fabiano, esta deve ser a lista dos 11 titulares na terça-feira: Julio César, Maicon, Juan, Lúcio e Michel Bastos; Gilberto Silva, Josué, Elano e Kaká; Robinho e Nilmar.

Para este jogo, a mim pouco importa quem vai jogar. Mas para a estreia contra a Coreia do Norte, no dia 15 de junho, eu entraria em campo com: Julio César, Daniel Alves, Juan, Lúcio e Michel Bastos; Kleberson, Ramires, Kaká e Ronaldinho; Luís Fabigol e Nilmar.

E a sua seleção, qual é? Abra uma cerveja e ajude o nosso comandante.

All Black. Rua Oscar Freire, 163, Jardim Paulista, São Paulo, tel. (11) 3088-7990.

Jobi. Avenida Ataulfo de Paiva, 1166, loja B, Leblon, Rio de Janeiro, tel. (21) 2274-0547.

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Bode bonito é bode ruim

Atolado de bode do Mocotó/ foto: Mario Rodrigues

 

Do show do bloco Quanta Ladeira, na noite de quinta (11), ao bota-fora no show de Elba Ramalho no Marco Zero e à enlouquecedora aglomeração no Galo da Madrugada, às 9 da manhã de sábado, o carnaval em Recife e Olinda foi dos mais intensos.

Dez anos depois do que havia sido a última experiência carnavalesca por lá, ficou a lição de que a energia para dançar, cantar, frevar e festejar sem parar, dormindo apenas três horas por noite, é exclusividade dos mais resistentes e mais jovens. E foi legal constatar também que a festa, em Pernambuco, mantém sua essência popular. As ruas recebem crianças, famílias, casais e idosos fantasiados em relativo clima de paz, se considerarmos que mais 1 milhão de pessoas costumam sair ao mesmo tempo.

Nos intervalos entre um e outro bloco e uma ou outra atividade, aproveitei para conhecer e rever alguns bares e restautantes, como o Beijupirá, de Porto de Galinhas (caro, de serviço e cozinha medianos), o Camarada (gratíssima surpresa, por receitas como o prato repleto de camarão grelhado com pimentões), e o recém-aberto Tapioca, de cozinha sertaneja, ambos em Boa Viagem.

A visita a todos eles de alguma forma correspondeu às expectativas. A exceção, ou melhor, a decepção, infelizmente ocorreu num dos lugares que eu mais gostava em Recife – o Entre Amigos o Bode. Aberta em 1994, a unidade de Boa Viagem prosperou de uma forma curiosíssima. Para resumir, os donos de uma banca de jornal passaram a servir espetinho de bode com cerveja.

O sucesso foi imediato e, apesar de a banca existrir até hoje, o foco do negócio voltou-se para um bar-restaurante no estilo botecão, com salão arejado e simples, sem frescura, teto de telha e cardápio dedicado quase 100% a invencionices com cortes de bode: guisado, assado, com molhos e acompanhamentos diversos.

Um barato era sair da praia e seguir direto para lá, de chinelo e sunga molhada por baixo da bermuda, e se jogar numa das cadeiras de madeira, bem à vontade naquele ambiente que apropriadamente lembrava uma ampla varanda de casa do interior.

Pois agora o astral do Bode, como é singelamente conhecido, perdeu todo e qualquer resquício de autenticidade. Sob o pretexto da modernização – sempre ela… –, os proprietários botaram tudo a baixo e ergueram um Bode todo modernoso, com pé-direito alto, balcão chique, persianas de madeira escura e outros exageros.

Qualquer desavisado que chegar ali e não observar o cardápio, dirá que está em uma pizzaria-chique, em um restaurante de cozinha variada, uma hamburgueria-chique ou em uma casa especializada em uma culinária qualquer. Jamais identificará um dos lugares que sempre representou com orgulho a culinária sertaneja.

A cozinha, para meu desgosto, derrapou logo na entrada. Tive de devolver a porção de macaxeira frita, que na verdade é empanada. Em seu interior, a raiz estava completamente congelada. A carne servida no réchaud (outra modernidade…) ressecou antes que terminasse de comer.

Felizmente, na unidade do bairro do Espinheiro, disseram-me meus amigos recifenses, nada mudou.

Em São Paulo, deixo duas dicas certeiras, e cada uma autêntica à sua maneira, para quem quiser encarar pai e filho: no Mocotó, não se pode dispensar o atolado de bode preparado pela equipe do chef Rodrigo Oliveira.

E no Bar do Magrão (na verdade é na Cantina, que funciona ao lado), sob encomenda, o anfitrião prepara um senhor pernil de cabrito assado, que pode ser dividido por quatro comensais.

Bar do Magrão. Rua Agostinho Gomes, 2988, Ipiranga, tel. (11) 2061-6649, www.bardomagrao.com.br

Mocotó. Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, tel. (11) 2951-3056, http://www.mocoto.com.br

Na rua, na chuva, no bloco

Bloco Passaram a Mão na Pompeia - concentração

Como bem disse meu amigo Dinho Luiz, crítico de bares do Guia do jornal O Estado de S. Paulo, diante da multidão que descia a Rua Harmonia atrás do bloco da “Confraria do Pasmado”, ontem à tarde, nós paulistanos estamos aprendendo a revalorizar o pré-carnaval de rua. No ano que vem, dizia ele, esse tipo de programa tem tudo para bombar.

No fim de semana, vários blocos, bandinhas, troços etc tomaram as ruas de diversos bairros. Além do Pasmado, que se concentra em frente à Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, segui o “Passaram a Mão na Pompeia” na tarde do sábado.

O bloco, que foi incluído no calendário das festividades pelo centenário do bairro, saiu da Rua Cotoxó, em frente ao bar Santa Zoé, e fez um percurso com paradas estratégicas em outrso bares das redondezas, como o Valge, Olivo, Desembargador e Botequim Bar & Grill.

A chuva, providencial, ajudou a refrescar os cerca de 500 foliões, entre famílias, crianças e uma moçada bem bonita, que cantavam marchinhas tradicionalíssimas. Muitas delas – como “A pipa do vovô” e “A bruxa vem aí” – foram compostas por Ruth Amaral e Manoel Ferreira, moradores da Pompeia, que seguiram à frente do grupo, em cima do carro de som.

Que Momo te ouça, Dinho Luiz!

Bloco Passaram a Mão na Pompeia

Santa Zoé. Rua Cotoxó, 522, Pompeia, tel. (11) 3868-3303.

Desserviços de manobristas

Acostumado a deixar R$ 15,00 separados na carteira para pagar pelo serviço de manobrista nos bares da região da Vila Madalena e de Pinheiros, fiquei surpreso por ter gastado “apenas” R$ 10,00 na noite de ontem n o restaurante Le Jazz Brasserie.

O Le Jazz Brasserie, é bom dizer, está bombando há quase dois meses, desde que foi inaugurado em dezembro. Por seu ambiente, cardápio e estilo de serviço, arrisco dizer que, em São Paulo, a casa é a que mais se aproxima do conceito dos bistrôs e brasseries parisienses.

Vou ter de voltar lá num fim de semana para experimentar os mexilhões, disponíveis apenas aos sábados e domingos, mas aprovei a bem temperada terrine campagne (R$ 10,50) de entrada. Entre os principais há steak tartar, sanduíches, quiches, peito de pato, peixe do dia e omeletes, além de uma espécie de escondidinho de rabada (R$ 23,50) muito saboroso, em que a carne (misturada também a um pouco de músculo) vem bem desfiada e coberta com purê de batata e migalhas de pão gratinados.

Quem pede o couvert (R$ 4,50), em que o pão é reposto sem maiores esforços do comensal, surpreende-se com a jarrinha de água “da casa” que completa o trio de itens, composto também por manteiga.

O leitor mais atento há de reparar no preço dos pratos: R$ 10,50 + R$ 23,50 + R$ 4,50. Com os 10% do serviço, gastei menos de R$ 42,00. Tentei puxar na memória a última vez em que gastei esse valor em um bar, consumindo petiscos e tomando um chopinho, e não consegui encontrar. (Na verdade, a relação preço-qualidade nos bares será tema de post em outra oportunidade).

Soa coerente, portanto, que o valor cobrado pelo serviço de manobrista do Le Jazz – terceirizado, diga-se – seja um dos mais em conta na região.

Se tem uma coisa que me irrita é o preço que se paga nesta cidade pelo serviço de manobrista. Em regiões como Jardins, Itaim e Vila Madalena, chega a parecer que há um cartel formado por empresas desse setor.

Acabei de fazer um breve levantamento com base na edição especial “Comer & Beber” da VEJA SÃO PAULO e constatei que dos 35 bares indicados na região Pinheiros/Vila Madalena, oito cobram R$ 15,00 para manobrar os carros, quatro cobram R$ 14,00, onze cobram R$ 12,00 e apenas três cobram R$ 10,00. Detalhe: são preços publicados em setembro de 2009!

Sim, há também os bares e restaurantes que zelam pelo veículo do cliente e não cobram (os manobristas se contentam com as gorjetas) e existem aqueles que não dispõem do serviço.

Mas a regra é ter uma empresa terceirizada, que vai cobrar um absurdo para, sabe-se lá, deixar seu carro na rua, em geral num trecho em que é proibido estacionar.

Ok, se num exemplo de correção levarem seu carro a um estacionamento, a devolução pode reservar surpresas, que só serão descobertas mais tarde: um arranhão no para-choque, o banco irritantemente deixado fora de posição, o rádio sintozinado na rádio que você mais detesta, a demora de 10, 15, 20 minutos até o carro chegar. Afinal, não raro uma mesma equipe de manobristas atende a mais de um estabelecimento ao mesmo tempo. Alguém já reparou, por exemplo, no uniforme dos funcionários que correm para lá e para cá para dar conta dos carros que chegam aos bares no cruzamento das ruas Aspicuelta e Fradique Coutinho, na Vila Madalena?

Resultado: ou nos conformamos em deixar na mão dessa turma o valor equivalente ao de dois ou três copos de chope, ou corremos o risco de notar, como já aconteceu com este trouxa que vos escreve, que o estepe, o som e os CDs preferidos foram surrupiados do interior do querido carrinho que tanto tempo você levou para pagar.

Le Jazz. Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros, tel. (11) 2359-8141.

PS: mudando de assunto… na mesa ao lado da minha, não tive como não reparar na conversa de dois casais. Na verdade, numa das partes de um dos casais, uma senhora de fino trato, 50 e muitos ou 60 e poucos anos de idade, que soltou em alto e bom som três pérolas enquanto eu me entretia com meu escondidinho.
Divido com vocês:
1. “Eu já fui em muito motel na minha vida” (pela surpresa do marido, ele não deve ter sido a companhia em todas as vezes)

2. “Ah, Zé Augusto, você é o Berlusconi brasileiro” (para o marido)

3. “Esta bolsa aqui é aquela que paguei 725 euros. Repara na qualidade das ferragens”