172 anos em uma semana

Esta semana fiz um bate-e-volta a Belo Horizonte. A estada foi curta, mas consegui almoçar com um grande amigo, Eduardo Maia, CEO, por assim dizer, do festival Comida di Buteco. Em pouco mais de uma hora, conseguimos percorrer três lugares na região central.

Primeiro paramos no Mercado Municipal, onde abrimos os trabalhos com um delicioso pão de queijo na banca Dona Diva Café & Quitandas. O miolo aerado, amarelinho (consequência da gema do ovo caipira usado na receita), e o sabor pronunciado do queijo me fazem dizerque é o melhor que já comi.

Dali seguimos para o Bar da Lora, um dos finalistas do Comida di Buteco, cuja festa de saideira acontece exatamente neste fim de semana. Este ano, os 41 bares finalistas tiveram de preparar uma receita exclusiva com jiló. A Lora preparou um certo “pura garra da lora”, que vem a ser uma porção de garrão (cubos de músculo cozido) com molho de cerveja Malzibier e linguiça, acompanhado de purê de mandioca com queijo e jiló na chapa.

Meia-porção foi suficiente para satisfazer meu apetite, mas tinha mais. Dali partimos para a região da Avenida Afonso Pena, também no centro, para uma pausa no Café Palhares, um clássico inaugurado em 1938 na Rua Tupinambás.

Ao encostar no balcão, fiquei pensando: “será que meu avô almoçava ali?” Afinal, ele trabalhou no almoxarifado da Mesbla, magazine que ocupava meio quarteirão a uma quadra dali.

Também finalista do Comida di Buteco, o Palhares concorre com o prosa de minas, um prato de língua ao molho com purê de ervilha e bacon, acompanhado de pão de jiló e pão francês (foto). Para os iniciantes, porém, a dica ali é pedir um “caol”, PF composto de couve, arroz, ovo frito e linguiça, o clássico dos clássicos da casa.

Na hora de desmontar o prato, comece furando a gema com o garfo e misture-a com o arroz. Na hora de levar à boca, na mesma garfada inclua um pedaço da linguiça. Os 8 reais pagos pelo prato terão valido imediatamente a pena.

Ainda apoiado no balcão, diante de um copo de chope (Nova Schin, convém dizer, estava redondinho) e ao lado de balconistas, contínuos e frequentadores da região, continuei pensando e lembrei-me do Ao Bar Guanabara, onde almocei na semana passada. Em 2010, essa casa instalada na esquina da Avenida São João com o Vale do Anhangabaú completa 100 anos!

Assim como o Palhares, o Guanabara estava lotado na hora do almoço. Sua clientela, pelo que pude reparar, continua sendo composta de gente que trabalha na região, advogados, contadores e bancários principalmente. O cardápio é um desfile de pratos fora de moda – ainda bem! – mas deliciosos. Coxa-creme, cabrito ao forno, casadinho de camarão.

Quando chego a lugares como o Palhares e o Guanabara, fico com a impresão de que a fronteira entre o que é clássico e o que é popular pode ser algo inexistente. Estarei enganado?

Ao Bar Guanabara. Avenida São João, 128, centro, tel. (11) 3228-0958.

Bar da Lora. Avenida Augusto de Lima, 744, loja 115, Mercado Central (entrada pela Rua Santa Catarina), Belo Horizonte, tel. (31) 3274-9409.

Café Palhares. Rua Tupinambás, 638, centro, Belo Horizonte, tel. (31) 3201-1841.

Dona Diva Café & Quitandas. Avenida Augusto de Lima, 744, loja 163, Mercado Central, Belo Horizonte, tel. (31) 3072-0966.

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