Algumas delícias de Gostoso

Tourinhos. Foto: Ylton Amaral

 

Fico muito, mas muito feliz mesmo, quando consigo cumprir 100% de uma meta a que me propus.

Na noite de 25 de dezembro – quando embarquei em Guarulhos com destino a Natal, uma hora de atraso, o que nem foi muita coisa diante do que se tem visto até o dia de hoje nos aeroportos –, meu desafio era o de passar os sete dias seguintes sem calçar nenhum par de sapato ou de tênis.

Meus pés deveriam aceitar apenas 1. o par de Havaianas comprado em novembro no Hiper do Itaigara, em Salvador, a 14 reais; 2. a sandália de couro e sola de pneu de caminhão (30 reais numa lojinha no centro de Porto Seguro, adquirida em agosto); e 3. a areia quente das praias de São Miguel do Gostoso, no litoral norte potiguar, o destino que escolhi para passar aqueles dias pré e pós o réveillon.

A querida, ensolarada e bela Natal que me desculpe, mas desta vez nem sequer cogitei passar por sua Via Costeira. Duas horas depois de desembarcar no aeroporto Augusto Severo eu chegava são e salvo, às 4 da manhã, à Pousada das Caravelas, em Gostoso, graças ao transfer que o Wladimir, meu anfitrião naqueles dias, havia providenciado.

O turismo em São Miguel ainda é incipiente e as praias estendem-se por quilômetros e quilômetros, razões pelas quais, imagino, fiquei com a impressão de que a cidade estava um tanto quanto vazia. A única fila que peguei foi na casa lotérica em frente à igrejinha, no dia 31, quando pensei em fazer uma fezinha na Mega-Sena da Virada.

Mentalize a praia dos seus sonhos. Muito provavelmente ela será parecida com Tourinhos: pequena, quase deserta, mar calmo, uma enseadinha, areia fofa e pôr-do-sol divino. Aos domingos, me contaram, fica cheinha.

Xêpa, Maceió e Cardeiro,  na região central, formam uma só faixa de areia e se unem à Ponta do Santo Cristo, onde bati ponto e retomei o windurfe depois de mais de ano. Na Dr. Wind, misto de escola e clube de kite e windsurfe, pousada e bar de praia localizada na Ponta do Santo Cristo, passei a maioria dos dias a beber uma cervejinha e uma água de coco. Comi também sandubas sarados montados no pão de hambúrguer, como o de atum com abacaxi e salada.

Fiquei surpreso, aliás, com a qualidade de alguns lugares em que comi e bebi, embora tenha me decepcionado com a fraca oferta de bons peixes e frutos do mar na região. Destaco, sobretudo, os seguintes:

Casa da Laura (Ponta de Santo Cristo): descobri esse lugar po acaso, quando tentava encontrar a casa de umas italianas que alugam bicicletas.  Donos de um bed&breakfast no Lago de Como, na Itália, Giorgio e Laura estabeleceram-se em São Miguel em 2008. No arborizado e bem cuidado quintal de sua própria residência, eles atendem no máximo a 24 pessoas por noite e nas noites em que decidem abrir o portão. Cobram 20 reais pelo menu fixo, que pode incluir uma bem-feitíssima brischetta, nhoque com ragú, musse de maracaujá e uma caipirinha.

Hibiscus (Rua das Ostras, centro): é o mais ajeitadinho da cidade, com decoração naquele estilo rústico-chique-praieiro. Leves, os mini-acarajés valem como entrada (cuidado com a pimenta!). Com uma apresentação moderninha demais – uma ilha de arroz no centro do prato cercada de três ou quatro pedaços de peixe e três ou quatro camarões -, a moqueca me decepcionou. A caipirinha de mexerica com gengibre, porém, é das boas.

Pizzaria Quintal (Rua Praia da Xêpa): num enorme terreiro, a poucos metros da praia, a casa assa pizzas de massa fina em forno à lenha. A da casa é a que vale a pena: vem coberta por queijo de coalho picado. E ainda dá pra ver o céu estrelado.

Urca do Tubarão (RN 221, 7 km, Praia de São José): por si só é uma atração turística e merece um dia inteirinho de atenção. Num sítio que fica às margens da estrada que liga a BR-101 a São Miguel, quase à beira-mar, o figuraça Edson Nobre e sua mulher Lila, ex-professores, servem pratos regionais em porções para duas pessoas. Carne de sol com nata é a pedida. Antes de refeição, deixe-se ser conduzido pelo anfitrião até a cachaçaria, onde ele mostrará objetos antigos que compõem a pitoresca decoração e servirá uma dose da cachaça que engarrafa ali mesmo. Por 10 reais, traga na mala uma garrafa da que envelhece em barris de freijó.

Urca do Tubarão/ Foto: Camila Veras Mota

 

O melhor de tudo é que meu All-Star não fez a menor falta mesmo.

4 thoughts on “Algumas delícias de Gostoso

  1. Um paraíso chamado “Gostoso”. São Miguel do Gostoso vale bem a viagem e a descoberta. As praias são lindas especialmente Tourinhos que é de uma beleza única. Gostoso conta já com estrutura de qualidade para o Turista, com bons lugares para dormir, comer e beber. Parabéns pela matéria.

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  2. São Migel é mesmo mto Gostoso, porém vc esqueceu de dizer q é um dos principais pontos mundiais de kitesurf. As praias ficam lotadas de pipas coloridas e infestadas de estrangeiros de todos os cantos que vêem a São Miguel para velejar de kite. Abç

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    • Tem toda razão, Patricia. Eu mesmo aproveitei os bons ventos para retomar meu cambaleante windsurfe. Obrigado por seu comentário e volte sempre ao blog.

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