Nasceu Tiago! Viva Santiago!

Detalhe da Catedral de Santiago de Compostela Fotos: Miguel Icassatti

 

À 1 e tanto da manhã desta segunda-feira, 18 de abril de 2011, quase 2 horas (ou10 da noite deste domingo, 17 de abril, no horário brasileiro), nasceu meu sobrinho Tiago Padberg-Biederbeck em Hamburgo, na Alemanha, com 51 centímetros (os mesmos de quando nasci) e 3 quilos, 350 gramas (10 gramas a mais do que eu). Minha irmã Daniela passa bem e ele já mamou uma vez. É o terceiro sobrinho deste tio apaixonado, que vem se juntar a Júlia e Torbinho, o alemãozinho que prestes a completar três anos de vida já é fã de AC/DC e do Iron Maiden, torce para o São Paulo e o St. Pauli, tem uma bela canhota e acaba de ganhar um irmãozinho.

Logo depois do café da manhã deste domingo liguei o computador para falar com a Dani e saber, afinal, como ela estava se sentindo, porque toda a família já estava de prontidão à espera do novo integrante da família, cujo nome, aliás, ela manteve em segredo até agora (torço para que Tiaguinho deixe a maternidade com o macacão dos Beatles que comprei meses atrás na Galeria do Rock). Conversamos por cerca de meia hora pelo Skype e ela estava bem. Minutos depois minha irmã Priscila, mãe da Julieta, telefonou para minha casa e avisou que a Dani estava indo para a maternidade. Era meio-dia, mais ou menos, horário do Brasil e eu estava assistindo a Bayern Munich x Bayer Leverkusen na TV, enquanto me preparava para ir ao clube.

Neste primeiro texto depois de um período de oito semanas sem escrever, eu esperava me desculpar a você, leitor, pelo longo tempo sem escrever, já que tenho estado de molho, depois de uma cirurgia a que submeti o meu tornozelo esquerdo, após tê-lo fraturado num jogo de futebol. Eu esperava também contar a boa nova, ou seja, a migração deste blog para o portal Viajeaqui, também da Editora Abril, já que agora o blogueiro passa a ser também editor-chefe do referido portal.

Mas eis que o domingo, 17 de abril, reservaria outras boas novas: desde quinta-feira, fui autorizado pelo meu ortopedista a pisar novamente com o pé esquerdo – depois de quase sete semanas! –, a trocar as muletas axilares pelas canadenses (alguém sabe o porquê desse nome?) e a começar a fazer alguns exercícios de fisioterapia na água. Pois bem: já sabendo que meu sobrinho poderia nascer a qualquer momento, segui para o clube, onde, pela primeira vez em dois meses, mergulhei em uma piscina, em um dia de lindíssimo céu azul de outono.

O dia passou rápido, até o momento em que recebi a notícia da chegada de Tiago, por um telefonema de minha mãe. Eu recebi a ligação enquanto participava do sensacional e comovente jantar beneficente organizado pelo chef Jun Sakamoto no hotel Unique e com a participação de 20 outros chefs, cuja renda foi revertida às vítimas do terremoto e do maremoto no Japão. Não pude atender na hora, apenas na saída, após cumprimentar alguns chefs.

Enquanto minha mãe descrevia o peso e o tamanho de Tiaguinho, emocionada, é óbvio, não sei por quê, meu pensamento viajou aos primeiros dias de agosto do ano passado, quando visitei a cidade de Santiago de Compostela, na Galícia, Espanha.

Fiquei apenas duas noites naquela cidade, cujo entorno da catedral do discípulo de Jesus é repleto de ruelas medievais, que estavam tomadas por peregrinos, turistas, gente, enfim, do mundo inteiro.

A praça da Catedral de Santiago

 

Cheguei a Santiago numa noite de sábado, de carro, dirigindo desde Coimbra, em Portugal. A cidade estava lotada e sob uma aura alegre, festiva, já que o período coincidia com a festa do jubileu do santo, algo que, se eu não estiver enganado, acontece a cada onze anos. Faminto, deixei o hotel e me juntei à multidão que vagava entre os prédios centenários das ruas centrais, medievais e abertas apenas a pedestres. Guiei-me pelo fluxo de pessoas e quando me dei conta estava diante na praça em que fica a catedral. Um mundaréu de gente acompanhava o show do músico francês Jean-Michel Jarre (os mais velhos haverão de se lembrar de seus clips no Fantástico nos anos 80), um concerto algo psicodélico, algo new age, que combinava perfeitamente com a aura mística que domina a cidade.

Naquela noite, depois do show, parei em um bar que estava lotado. Não saberei dizer o nome. Tomei uma taça de vinho branco no balcão, duas talvez, observei a moçada falando alto e se divertindo, belisquei umas tapas e voltei ao quarto do hotel.

A Catedral de Santiago de Compostela, fabulosa

 

Todo esse roteiro de repente se reconstitui à minha frente. Enquanto escrevo este texto dedicado a Tiago, meu sobrinho, bebo um copo de uísque, sentado no sofá de casa. Daqui a pouco vou dormir, e com uma certeza: logo estarei em Compostela, diante da catedral, prestes a tocar a imagem de Santiago, em agradecimento a mais esta graça, mais esta bênção, mais esta alegria. Viva Thiago! Viva Santiago!

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