Fim de semana no (s) jardim (ns)

Troca-troca, obra de Jarbas Lopes exposta em Inhotim / Foto: divulgação

Por coincidência e sorte, nos dois últimos fins de semana acabei fazendo programas ao ar livre. E que programas!

No sábado (21), finalmente conheci Inhotim (www.inhotim.org.br), o maravilhoso museu de arte contemporânea a céu aberto que ocupa uma área visitável de 100 hectares na cidadezinha de Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte.

Melhor do que detalhar todo o esplendor desse lugar é ver as imagens de Inhotim.

Galerias – são dezessete – dedicadas exclusivamente a nomes como o fotógrafo Miguel Rio Branco e o artista Cildo Meireles, assim como obras expostas em meio a plantas de diferentes portes, parecem brotar próximo aos lagos e no percurso das alamedas do jardim botânico, que é dono da maior coleção de palmeiras do mundo, com 1500 espécies!

Veja também a reportagem sobre Inhotim da revista Viagem e Turismo

Um final de manhã e uma tarde, o tempo que tive, não basta para explorar todo o local. O ideal é reservar dois dias inteiros para poder explorar Inhotim com calma. Diretamente do aeroporto de Confins, com carro alugado, a viagem leva uma hora e meia, em estrada movimentada mas de condições razoáveis, no caso, a Fernão Dias.

Se Belo Horizonte, a capital mineira já merecia uma visita não só para quem quer explorar os botecos, Inhotim é a razão que faltava para uma viagem nestes tempos de passagens aéreas a bom preço: no meu caso, consegui comprar bilhetes no site da TAM por R$ 78,00 (ida e volta), menos de um mês antes do embarque.

Estufas do Jardim Botânico de São Paulo / Foto: divulgação

De volta a São Paulo, no fim da manhã de ontem participei de um piquenique no Jardim Botânico (Avenida Miguel Estéfano, 3031, Água Funda, tel. 11/5073-6300). Era aniversário de um amigo e juntamos-nos em quatro ou cinco casais mais  meia dúzia de crianças. Desde os tempos de colégio – quando fazíamos aquelas excursões chatas e a professora de ciências tentava nos mostrar as diferenças entre as plantas briófitas e as pteridófitas – eu não visitava o Jardim Botânico.

O domingo amanheceu frio mas ensolarado, o que me fez perceber que antes de encarar um programa como esse é sempre bom lançar mão de um chapéu e passar protetor solar no rosto antes de sair de casa. De casa – moro na região da Avenida Paulista – até lá não gastei mais do que trinta minutos, seguindo pelas avenidas Vinte e Três de Maio e Bandeirantes.

Surpreendi-me com a beleza e a limpeza do local, que fica próximo ao Zoológico. Além de bem-cuidadas áreas gramadas e de portar muitas lixeiras, inclusive para coleta seletiva, o Jardim Botânico de São Paulo tem trilhas, alamedas, lagos e as duas estufas de vidro inauguradas em 1928, ano de abertura do parque, que conservam espécies nativas da Mata Atlântica. A alameda que dá acesso a partir da portaria, por exemplo, é escoltada por belíssimas e altíssimas palmeiras.

Enquanto a criançada descarregava sua bateria correndo para todo lado, os adultos quase não saíram de perto das toalhas estendidas – pena que nenhuma era quadriculada… – sobre a grama, sobre as quais dispusemos nossas contribuições para o piquenique: pães de diversos tipos, queijos variados, frios, vinhos, salgados, frutas e o bolo de aniversário, é claro.

A julgar pela quantidade de gente que passava por nós e observava nosso piquenique, a ideia foi um sucesso.

Farofa chique, minha gente, é isso aí.

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E por falar em estádios…

Estádio Olímpico de Berlim Foto: Camila Antunes

Sempre que chego pela primeira vez a uma cidade procuro conhecer dois tipos de atração: estádios de futebol e mercados (sob a aba do chapéu “mercado” incluo feiras de rua, camelódromos e supermercados).

Mas é de estádios que quero falar. Num momento em que os principais estádios brasileiros estão em reforma para a Copa do Mundo de 2014 – a exceção do Morumbi, o mais importante de todos!, que, não sei não, ainda acho que vai receber alguns joguinhos do mundial – é interessante saber que a bola vai rolar por velhos-novos gramados, antes esquecidos.

Como pode ser visto nesta galeria de estádios publicada pelo viajeaqui, o Brasileirão 2011 terá partidas em Pituaçu (Salvador), no Presidente Vargas, em Fortaleza, e até em Macaé, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro.

Aos torcedores mais fanáticos, eis um bom motivo para seguir os times e conhecer novas cidades, não só em dia de jogos.

É verdade que os clubes e/ou cidades e/ou estados que administram os estádios pelo país ainda estão engatinhando no que poderíamos chamar de “turismo de futebol”. As exceções, eu diria, são poucas.

Uma delas é o Estádio do Pacaembu, em São Paulo, onde fica o maravilhoso Museu do Futebol e cuja infra-estrutura fica disponível a qualquer pessoa que queira, por exemplo, fazer uma caminhada na pista ao redor do gramado ou mesmo tomar um sol na arquibancada.

Ao Morumbi é possível fazer visitas programadas, com direito a conhecer a espetacular sala de troféus, entre outras instalações.

Lembro-me que, quando criança, explorei o Mineirão, onde já assisti diversos jogos, e pude até pisar no gramado.

Fora do Brasil foram inesquecíveis:

– a visita a La Bombonera, do Boca Juniors, em Buenos Aires, onde estive por duas vezes: a primeira, em 2004, fiz a visita guiada pelos vestiários, loja, sala de imprensa, museu e gramado. Naquele dia, por sorte, Carlitos Tevez, que ainda jogava pelo Boca Juniors, estava no clube e pude tirar uma fotinho ao lado dele. Voltei ao estádio em 2009, quando assisti a um empate de 2 a 2 do time da casa com o Argentinos Juniors.

– as duas vezes em que fui ao Estádio Olímpico de Berlim. A primeira delas, na companhia de dois amigos, assisti a estreia do Brasil na Copa de 2006, o 1 a 0 contra a Croácia, gol de Kaká. Naquele dia tive a prova de que Deus existe: apesar de um amigo ter se perdido bem na hora que o jogo ia começar, ele conseguiu ver o jogo. Enquanto procurava por ele, eu encontrei um ingresso para a partida, jogado na alamenda que liga a estação de metrô ao estádio. Não localizei meu amigo – só fui revê-lo tarde da noite, já no nosso motorhome como qual rodamos a Alemanha – mas vendi o ingresso pelos mesmos 300 euros que tive de desembolsar ao cambista de quem comprei a entrada (que dava acesso ao setor destinado à amável torcida croata). Na segunda vez, em 2008, fiz um passeio por toda a área do estádio, que tem uma arquitetura monumental, como se pode ver pelas fotos deste post (desculpem pela qualidade das imagens).

No detalhe, a pira olímpica

– na mesma Copa, assisti no Estádio Olímpico de Munique ao jogo entre Alemanha e Argentina, que acontecia no Estádio Olímpico de Berlim. Como? Simples: a organização da Copa de 2006 instalou um megatelão no meio do gramado do estádio de Munique para que todos os torcedores e turistas que estavam na cidade pudessem torcer pelas equipes. Foi muito legal (ainda mais porque deu Alemanha, hehe)!

– o jogo entre Real Madrid e Atlético de Bilbao, em dezembro de 2006, no Santiago Bernabéu. Em sua fase “galática”, o Real tinha na equipe Ronaldo, Beckham, Roberto Carlos, Emerson, Raúl, Van Nistelrooy, Robinho, entre outros. O Real ganhou de virada, com gols de Ronaldo e Roberto Carlos. Não pude conhecer os bastidores do estádio mas fiquei impressionado com a organização dos setores, a acústica (se eu estivesse no lugar do jogador do Bilbao que foi expulso e tomou a mais sonora vaia de todos os tempos, eu teria saído do gramado aos prantos) e o acesso: há uma estação de metrô na porta, exatamente na porta do Bernabéu.

– a estreia do St. Pauli na segunda divisão do Campeonato Alemão de 2008-2009, em seu estádio em Hamburgo. Havia pelo menos 20.000 pessoas nas arquibancadas, em uma partida às 18 horas de uma sexta-feira. O bacana é que esse estádio é o único na Alemanha que tem autorização para que seja vendida cerveja na arquibancada, conforme contei aqui mesmo no Boteclando.

Mas preciso contar uma coisa: nenhuma dessas experiências se compara ao dia em que o São Paulo ganhou seu primeiro título da Taça Libertadores, em 1992, em pleno Morumbi. Eu estava lá.

11 botecos em 4 horas

Bar do Zezé: campeão de 2011 Fot: divulgação

Eu sabia que a tarefa não seria fácil: provar, em uma única tarde, o maior número de petiscos diferentes entre os bares concorrentes do Comida di Buteco 2011, reunidos no domingão durante a festa de Saideira do festival, em Belo Horizonte.

A tarefa se transformaria em uma missão quase impossível quando, a caminho do evento, fui interceptado por um telefonema de uma prima, convidando-me para um churrasco de família. Não tive como negar o convite, muito menos como dispensar os cortes que meu primo ia tirando da churrasqueira.

O fato é que a saideira da Saideira do Comida di Buteco – festa que começou no sábado – me esperava. Esta foi a terceira vez, em doze edições, que participei do evento. Comparada com as de 2006 e 2009, foi a mais bacana e bem organizada.

Os donos dos 41 botecos participantes, que tiveram de criar petiscos com ao menos um de uma lista de onze ingredientes típicos do Norte de Minas Gerais, mandaram muito bem no sabor e na apresentação de seus pratos. Não faltou cerveja gelada e no fim da festa havia táxi na porta, com preço cobrado de acordo como que marcava o taxímetro. Nada do péssimo hábito dos taxistas paulistanos de estorquir os passageiros com tarifas fechadas, como acontece nos garndes eventos – lembram-se do show do U2?

Muito bem: das 4 da tarde às 8 meia da noite, quando parei de provar os tira-gostos para acompanhar o anúncio dos vencedores do festival, consegui degustar 11 porções de petiscos diferentes. Tive sorte na minha seleção porque escolhido, entre eles, as sugestões do Bar da Lora, vencedora no ano passado e 3º lugar este ano, e do grande campeão, o Bar do Zezé.

Dá uma olhada na lista, pela ordem que os petiscos foram degustados:

1. Café Palhares – bolinho de carne de sol com molho, farofa de pequi e maionese

2. Köbes – carne de porco à moda, vinagrete de feijão andú e farofa de alho

3. Bartiquim – panhoca (pão italiano), creme de milho verde, carne de sol em cubos puxada na manteiga de garrafa acompanhada de requeijão do Norte, parmesão e salsinha

4. Bar Temático – carne de sol, jerimum, requeijão do Norte, vinagrete de conetro, queijo de manteiga e manteiga de garrafa

5. Bar da Leninha – pé de porco desossado e recheado com carne-seca e molho de pequi

6. Buteco do Filho – carne de sol na brasa com rapadura, bolinho de feijão andú recheado com requiejão escuro

7. Família Paulista – charque na manteiga de garrafa, creme de abóbora com gorgonzola e gengibre mais mandioca cozida e assada

8. Bar da Lora – carne de sol, linguiça defumada, mandioca na manteiga de garrafa, requeijão do Norte, molho de siriguela, melaço de rapadura e farinha de pequi

9. Bar do Zezé – músculo cozido, feijão andú, calabresa, bacon e mandioca amarela na manteiga de garrafa

10. Barção Moreira – carne de sereno de boi e de frango refogados na rapadura caramelada com farofa de pequi e creme de siriguela

11. Cantina da Ana – bolinho de crane de sol com molho acompanhado de farofa de pequi e maionese

Não foi pouca coisa, pois não me limitei a uma garfada ou espetada, nem dispensei a companhia da cerveja.

O melhor de tudo é que me pesei na manhã desta terça-feira e não ganhei um quilo sequer.

Quem disse mesmo que cerveja com petisco engordam?

Leia também post sobre o Bar da Lora, de outubro de 2010.

Comida di Buteco: BH, aí vamos nós!

Petisco do Bar da Lora: casa campeã em 2010/ Foto: divulgação

Neste fim de semana (21 e 22), acontece a festa de saideira do Comida di Buteco 2011 em Belo Horizonte.

Para o sábado (22) estão previstos shows de Luiz Melodia e Casuarina. No domingão, o Fino Coletivo e o Bailão do Simonal vão tomar conta do Largo da Saideira, no bairro União. Nesse dia também serão divulgados os nomes dos botecos vencedores e o blog estará lá, ao vivo, para acompanhar o resultado e divulgar em primeira mão, pelo twitter (@boteclando). 

Além da programação musical, como todos os anos anteriores os 41 bares participantes do festival servirão no local os petiscos concorrentes.

E então, vamos nessa?

Serviço: Comida di Buteco – Saideira
Data: 21 e 22 de maio
Local: Largo da Saideira (Avenida Cristiano Machado, 3450, União, Belo Horizonte).
Ingressos: R$ 70,00 (meia entrada: R$ 35,00)
Horário de abertura dos portões: 12h

O Jabuti e os frutos do mar

O balcão do Jabuti / Foto: Gustavo Lourenção

Caramba!, perdi mais uma vez a chance de esclarecer um mistério: se a especialidade da casa é o cardápio de petiscos e frutos do mar, por que o boteco se chama Jabuti?

Pois é, depois de sair da fisioterapia – aliás, a quem interessar possa: nesse interlúdio em que o blog ficou fora do ar, quebrei o tornozelo esquerdo em uma partida de futebol, ganhei uma placa com 11 pinos e mais quatro parafusos -, ontem à noite combinei de tomar um chopinho com um amigo. Como estávamos na região da Vila Mariana, fomos ao Jabuti.

Meu amigo, que é carioca, não conhecia esse botecão. Logo deu seu parecer: “ixto aqui pariéce demaix com os botecox do Rio, de Copa, né não?, tipo o Caranguejo, ali péarrrto do metrô Cantagalo.”

Concordei e disse mais: o Jabuti me remete muito às marisqueiras lisboetas, como o fantástico restaurante Ramiro, e tantas outras casas do gênero espalhadas por Portugal.

Sobre marisqueiras, é bom lembrar, fiz aqui mesmo neste blog uma comparação rápida entre as amêijoas de Portugal e os berbigões que comi na Marisqueira Sintra, em Florianópolis (leia aqui).

Para quem se lembra, o Jabuti é a cara do santista Mar del Plata, da Ponta da Praia, antes da reforma que o deixou “moderno”. O salão envidraçado, fora de moda, é preenchido com mesas e cadeiras simplérrimas. No fundo do salão, sobre o balcão também de vidro, as travessas exibem as porções de polvo, ostra, lula, sardinha, atum e salmão (escabeche e/ou à vinagrete), sem contar os bolinhos de bacalhau enroladinhos, à espera de irem à frigideira.

No canto direito, fica a chopeira. A turma da casa costuma tirar o chopinho à moda carioca, com pouco colarinho, mas não se importa caso você reclame pelos três dedos regulamentares.

Aí é que mora o perigo: você toma três ou quatro copos e esquece de esclarecer com o garçom a dúvida cruel sobre o nome do bar.

Tudo bem, fica para a próxima vez.

Jabuti. Rua Conselheiro Rodrigues Alves, 1315, Vila Mariana, tel. 5549-8304.

Um frango para o Timão

É nos momentos difíceis que a amizade é submetida às maiores provas. Por isso quero agradecer aos amigos corinthianos que, após a derrota do meu São Paulo para o Avaí na quinta-feira passada, deixaram mensagens e mais mensagens de solidariedade no meu telefone celular.

Mais do que agradecer, quero retribuir tamanha demonstração de amizade e homenageá-los com a foto abaixo, clicada em uma das viagens que fiz a Hamburgo, na Alemanha, onde mora minha irmã.

Assim que saiu o gol do Neymar na final do paulistinha de ontem, o segundo do Santos, sabe-se lá o porquê, lembrei-me desse restaurante, que fica numa das ruas mais movimentadas do bairro português, a três ou quatro quadras do porto da cidade.

Essa região, que fica, aliás, às margens do Rio Elba, ganha uma intensa agitação nos meses de verão, que começa daqui a pouco no hemisfério norte.

O curioso é que na Churrascaria O Frango, gostoso, mesmo, é o bolinho de bacalhau.

Churrascaria O Frango: Reimarusstrasse, 17, Neustadt, Hamburgo,  Alemanha.

A nova viagem do Boteclando

Depois de algumas semanas fora do ar, o Boteclando volta à ativa, desta vez hospedado no portal Viajeaqui, da Editora Abril.

A viagem que começa agora – ou recomeça, dependendo do ponto de vista – tem uma razão. Desde meados de março, este blogueiro faz parte da distinta equipe do portal Viajeaqui, na função de editor-chefe.

Vou trazer ao Boteclando mais e mais histórias e memórias de bar, de boemia, de gastronomia, em São Paulo e onde eu vier a aterrissar.

Seja benvindo, obrigado e volte sempre ao blog!