Venga! para São Paulo, venga!

Venga! em Ipanema, Rio / Foto: Leo Martins

Ontem à noite, durante a festa de 15 anos do bar Original, Edgar Costa contou ao blog em que pé estão os preparativos para a inauguração da filial paulistana do Venga!, bar de tapas carioca aberto em 2009 na Rua Dias Ferreira, no Leblon, e que no fim de 2010 ganhou uma unidade em Ipanema.

Edgar é um dos sócios da Companhia Tradicional de Comércio, que comanda, além do Original, o Pirajá, as pizzarias Bráz e Quintal do Bráz, a Lanchonete da Cidade e o Astor. Recentemente o grupo associou-se aos proprietários do Venga! para, enfim, dar cabo ao plano de abrir um bar de tapas legal em São Paulo. “Desta vez fizemos o caminho inverso”, diz Edgar, com o knowhow de quem exportou para o Rio as marcas Bráz e Astor. “Nenhum dos bares de tapas recentemente abertos em São Paulo se compara ao que os meninos do Venga! fizeram no Rio, no que diz respeito, por exemplo, à qualidade da comida”, completa.

As obras estão em pleno andamento. A casa tem previsão de abertura para o fim do mês de outubro, na Vila Madalena, no imóvel que fica de frente para o Astor, na esquina das ruas Turí e Delfina. “Estamos estudando alguns fornecedores, mas a princípio vamos replicar aqui o cardápio das casas do Rio, que está redondinho”, antecipa Edgar.

Que vengan, então, os pinchos, as sangrias, o polvo com batat e páprica picante e outras tapas!

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O sul da Bahia, na baixa, é o paraíso

Pelo segundo ano consecutivo viajei ao sul da Bahia, coincidentemente, no terceiro fim de semana do mês de agosto. Enquanto os termômetros em São Paulo marcavam temperaturas de um dígito, nos arredores de Porto Seguro, ao sul e ao norte, à sombra eu tinha uns 27 ou 28 graus. De modo que no sábado e no domingo, mesmo à noite, não precisei dispor da malha que havia colocado na mala, por garantia. Bem, as fotos deste post dão uma ideia de como tem sido o inverno naquele pedaço que vai de Trancoso a Guaiú.

Antes de passar à fotos, o que eu quero mesmo dizer é que esta é a melhor época para viajar a este trecho do litoral baiano, que conheci nos primeiros dias de 1995 e ao qual voltei quase duas dezenas de vezes, em quase todos os meses do ano.

E por que é esta é a melhor época? Aqui vão meus argumentos:

1. Por ser baixa temporada, os preços de passagens aéreas e das pousadas e hotéis são mais em conta. Desconfio que se tivesse ficado em São Paulo, o fim de semana teria me custado a mesma coisa.

Rio Buranhém, balsa entre Porto Seguro e Arraial D'Ajuda, sábado, meio-dia

2. No caso específico das passagens, é um bom momento também para quem adere aos programas de milhagens, já que os tíquetes podem ser emitidos em troca de uma pontuação menor. Em 2010, por exemplo, o bilhete Guarulhos-Porto Seguro-Guarulhos, pela TAM me custou 4.000 pontos. Desta vez, pela Gol, desfiz-me de 3000 milhas mais 250 reais pelos mesmos trechos. O avião decolou de Guarulhos às 22h45 de sexta e às 2 da manhã eu estava no hotel.

Praia do Rio Verde, Trancoso, sábado, por volta das 2 da tarde

3. Nesta época, até mesmo as pousadas e hotéis mais caros reduzem bem o preço das tarifas. O resort Costa Brasilis, por exemplo, tinha quartos a partir de R$ 220,00 a diária (no Booking.com). Como meu voo de volta a SP estava marcado para às 18 horas de domingo, resolvi ficar hospedado em Porto Seguro mesmo. Fui pão-duro, resolvi seguir a dica do Guia Quatro Rodas e hospedei-me no Estalagem Porto Seguro, um hotelzinho que fica num casarão colonial tombado pelo Patrimônio Histórico, numa rua tranquila. Silencioso, o hotel teve apenas três quartos ocupados no fim de semana (contando com o meu). Por cada diária desembolsei R$ 80,00. Fraquinho era apenas o café da manhã mas, convenhamos, por esse preço, eu não poderia exigir muito. Acredite, caro leitor, gastei R$ 6,00 a menos em cada diária em comparação com 2010, quando fiquei duas noites na Pousada Água Marinha, no Arraial D’Ajuda, a 100 passos do mar. 

Praia do Rio Verde, mais uma

4. Os preços nos restaurantes, nos bares e mesmo nas cabanas pé-na-areia também são mais em conta, mesmo lá para os lados de Trancoso.

Praia de Taípe, Arraial D'Ajuda, sábado, 4 da tarde

5. A fila para a balsa entre Porto Seguro e Arraial D’Ajuda e de Santa Cruz Cabrália a Santo André praticamente não existe, o que é um bênção para quem tem pouco tempo. 

Praia de Taípe, Arraial D'Ajuda, sábado, 4 da tarde ( outro lado da praia, só para não deixar dúvidas)

6. Seus ouvidos são poupados de todo tipo de axé music, dança disso e dança daquilo.

Praia de Guaiú, no distrito de Santo André, domingo, 1 da tarde

7. As férias de julho, meia estação, já passaram e os feriados do segundo semestre ainda estão longe. Isso significa uma coisa só: praias vaziinhas da silva, só para você.

Balsa entre Santo André e Santa Cruz Cabrália, domingo, 4 da tarde

8. Por fim, o fato de ser inverno não impede que se desfrute de temperaturas agradáveis tanto na areia quanto no mar. De quebra, um bom mergulho e um pedido de bênção a Iemanjá te fazem voltar a São Paulo com a cabeça zerada.

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Este jovem vinho chileno só existe no Brasil

No Chile, onde foi elaborado, não existe mais nenhuma garrafa do vinho Alfa Centauri Sauvignon Blanc 2008 à venda. A maioria das 900 unidades produzidas nesta primeira safra pela vinícola O. Fournier foi comprada pela importadora brasileira Vinci, que vai começar a vendê-lo aqui a 59,90 dólares (em torno de R$ 95,24). As unidades restantes serão privilégio dos passageiros que embarcarem na Primeira Classe dos voos da Bristish Airways que saírem e partirem da América do Sul e do Caribe entre os meses de setembro e novembro.

Tive a oportunidade de provar este e outros vinhos na segunda-feira,  durante a apresentação a jornalistas feita pelo espanhol José Manuel Ortega Gil-Fournier, proprietário das Bodegas O. Fournier. Ex-executivo do Banco Goldman Sachs, ele se dedica há cerca de dez anos à empresa, que mantém vinhedos na Argentina, na Espanha e, mais recentemente, no Chile.

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Na minha opinião, o Alfa Centauri é um vinho benfeito (ah, essa  nova ortografia…), um tanto quanto robusto, frutado e com o sabor marcado pela madeira – afinal, ficou doze meses maturando em barricas novas de carvalho farncês. Mas sua persistência no paladar é incrível e longa e o retrogosto, bem agradável.

Boa compra, talvez melhor, será o Centauri Sauvignon Blanc 2009 (sem o ‘Alfa’ no nome, notem), com clara tipicidade da uva. Por tipicidade entenda-se a presença intensa das características dessa cepa cuja origem está na região francesa do Vale do Loire e que também é muito cultivada em Bordeaux: extremamente aromática, com toques cítricos. Na boca, boas surpresas são uma certa mineralidade e o fato de não ser enjoativo, como vem acontecendo com muitos sauvignon blancs chilenos.

Sem contar que na comparação com o Alfa Centauri, sai 20 dólares mais em conta, a 39,90 dólares (61,60 reais no site da Vinci).

Tanto quanto os vinhos, porém, chamaram-me a atenção a ousadia e as convições que José Manuel Ortega Gil-Founier emprega em seu negócio.

Um exemplo? Num caminho inverso ao que os produtores de vinho europeus fizeram na América do Sul no século XIX, quando trouxeram mudas para serem produzidas aqui e dar início à produção comercail de bons vinhos, a O. Fournier trasladou e enxertou 60 pés de uva malbec argentina nos vinhedos na região espanhola da Ribera del Duero. Em 2012, disse José Manuel, eles já devem entrar em produção.

Os tintos que produz no Chile resultam de vinhedos centenários, como é o caso do Centauri Blend 2009 (US$ 53,90/ R$ 76,64), um corte de cabernet sauvignon (vinhedo de 100 anos), carignan (80 anos), merlot (60 anos) e cabernet franc (120 anos!). O que isso significa? Que esses vinhedos superantigos já não rendem tanto – 4.000 a 5.000 quilos de uva por hectare – quanto os mais novos – 12.000 por hectares – mas a qualidade de suas frutas, em compensação, tende a ser bem superior.

Menos, sim, é mais!

A Mooca faz bem

Don Carlini / Foto: divulgação

Ao deixar a Sala São Paulo no mesmo sábado citado no post anterior, resolvi fugir do óbvio – para um paulistano do Pari e que recentemente só tem circulado pelas regiões central, Sul e Oeste, sim, a querida Mooca é um refúgio – e decidi jantar no Don Carlini.

O relógio marcava 11 da noite e eu previa chegar lá em quinze minutos, o que consegui, mesmo costurando o caminho pelas Ruas São Caetano, Oriente e Bresser (no Brás), Viaduto Bresser, Avenida Paes de Barros e Rua da Mooca, àquela hora desertos.

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Inaugurado em 1985, o Don Carlini abriu filiais na Vila Madalena e em Perdizes mas, a bem da verdade, elas não têm nem de longe a graça da casa original, que fica a um quarteirão da Avenida do Estado, em meio às construções que restaram daquele passado operário mooquense.

Ao chegar ao restaurante, as recompensas não demoraram a postar-se sobre à mesa: um fettuccine ao molho de calabresa, com cuja massa, garante a casa, é moldada num aro de bicicleta (R$ 29,00). E o nhoque da bisnonna, pedido da Camila, com um densíssimo ragu de carne (R$ 32,00).

Na saída, passei pela rotisseria e acabei não levando para a casa uma bandeja de talharim (R$ 11,00 o quilo) para o almoço de domingo. Paciência, espero passar por lá em breve.

Voltar a Mooca faz bem para a saúde e a alma.

Don Carlini. Rua Dona Ana Néri, 265, Mooca, tel. (11) 3208-2024.

As ilhas do Centro de São Paulo

Sala São Paulo / Foto: Daniel Kfouri

 

Na noite de sábado fui  à Sala São Paulo assistir ao concerto da Britten Sinfonia, uma orquestra de câmara baseada na Inglaterra, que se apresentou com o tenor inglês Allan Clayton e o carismático violinista e regente finlandês Pekka Kuusisto.

Qualquer que seja a atração, um programa na Sala São Paulo é sempre uma experiência bacana, embora toda vez eu saia de lá com a impressão de que acabei de deixar uma ilha, à qual só se pode chegar, de forma segura, de carro ou de táxi.

Desta vez, fiquei acomodado no coro, ou seja, no alto e atrás do palco, de frente para a plateia, posição que me proporcionou observar a sala de concertos por um ângulo que eu desconhecia.

Infelizmente, o café existente naquele piso, no mezanino, estava fechado.

Felizmente, isso me obrigou a descer na hora do intervalo até o café no andar térreo e a rever o belo saguão de entrada, com seu pé-direito altíssimo (quase tão bonito quanto a própria sala de concertos).

Dali pude observar de relance o pouco movimento na Praça Júlio Prestes e a lamentar o fato de que passados doze anos de sua inauguração, a Sala São Paulo continua sendo, sim, uma ilha limítrofe com a Cracolândia.  Mas, não, a única.

Ok, há planos para que a área onde ficava a antiga rodoviária, e que mais recentemente deu lugar a um shopping, venha a ser a sede da São Paulo Companhia de Dança. Mas isso deve demorar uns bons anos, já que atualmente o que se vê ali é um terreno cercado por alambrado. Um olhar mais atento por entre os losangos de arame focará os zumbis alheados, zanzando pela Rua Barão de Piracicaba. Muito, muito triste.

Durante o dia, até me arrisco a circular pela região a pé, como nos sábados em que resolvo tomar um chope no Bar Léo. Ou como fiz muitas e muitas vezes na adolescência, época em que voltava à pé da Galeria do Rock ao Pari, passando pela Avenida Duque de Caxias, o antigo prédio do Dops (atual Estação Pinacoteca), a Estação da Luz (que, além de abrigar o Museu da Língua Portuguesa, também está linda!), o Parque da Luz (mais bem cuidado também) e a Pinacoteca do Estado.

À noite, hoje em dia, o que me sobra é lamentar por quem vive ali, pela decrepitude da vizinihança e a falta de segurança, fechar os vidros, engatar a segunda e acelerar.

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, (11) 3223-3966.

E por falar em Paris…

Paris e França têm estado presentes na minha vida ultimamente, ainda que no cinema ou engarrafadas com vinhos.

Dos três últimos filmes que vi no cinema, um tem como cenário o interior da França – o poético Minhas Trades com Margueritte, com Gérard Depardieu – e os demais a capital: Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, e o fabuloso Gainsbourg, O homem que amava as mulheres (e que mulheres…).

Meia-Noite em Paris (foto: divulgação)

E entre os vinhos que tenho tomado, por sorte e oferta dos amigos, os rótulos franceses têm sido insuperáveis, como este Baron de Pichon-Longueville 2002:

Essa alta dose de Paris me fez lembrar, não por acaso, do Le Cosi, onde jantei na viagem mais recente que fiz à cidade, no réveillon de 2010. A bem da verdade, esse restaurante tem um ambiente bem cute-cute, gostosinho, e uma culinária razoável, mas que no fim das contas valeu os 100 eurinhos que Camila e eu deixamos ali justamente pela somatória desses itens – e por estar em Paris, é claro.

Os pratos ali têm inspiração na gastronomia da Córsega e da Provence, caso da cocotte (sopa) de legumes com foie gras (13 euros) e da versão da casa para o entrecôte (26 euros).

O mais legal do Le Così, porém, é mesmo o seu entorno, aquele miolinho da Rive Gauche e dos Jardins de Luxemburgo, com suas ruas cada vez mais silenciosas conforme os ponteiros do relógio vão chegando e ultrapassando a meia-noite. São perfeitas para uma caminhada sob a chuva, como sugere Gil, o protagonista de Meia-noite em Paris, ou sob o frio do inverno, como felizmente pude experimentar.

Le Così. Rue Cujas, 9, Paris.

PS: propaganda nunca é demais. Paris está na capa da VIAGEM E TURISMO de agosto/2011.

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