As ilhas do Centro de São Paulo

Sala São Paulo / Foto: Daniel Kfouri

 

Na noite de sábado fui  à Sala São Paulo assistir ao concerto da Britten Sinfonia, uma orquestra de câmara baseada na Inglaterra, que se apresentou com o tenor inglês Allan Clayton e o carismático violinista e regente finlandês Pekka Kuusisto.

Qualquer que seja a atração, um programa na Sala São Paulo é sempre uma experiência bacana, embora toda vez eu saia de lá com a impressão de que acabei de deixar uma ilha, à qual só se pode chegar, de forma segura, de carro ou de táxi.

Desta vez, fiquei acomodado no coro, ou seja, no alto e atrás do palco, de frente para a plateia, posição que me proporcionou observar a sala de concertos por um ângulo que eu desconhecia.

Infelizmente, o café existente naquele piso, no mezanino, estava fechado.

Felizmente, isso me obrigou a descer na hora do intervalo até o café no andar térreo e a rever o belo saguão de entrada, com seu pé-direito altíssimo (quase tão bonito quanto a própria sala de concertos).

Dali pude observar de relance o pouco movimento na Praça Júlio Prestes e a lamentar o fato de que passados doze anos de sua inauguração, a Sala São Paulo continua sendo, sim, uma ilha limítrofe com a Cracolândia.  Mas, não, a única.

Ok, há planos para que a área onde ficava a antiga rodoviária, e que mais recentemente deu lugar a um shopping, venha a ser a sede da São Paulo Companhia de Dança. Mas isso deve demorar uns bons anos, já que atualmente o que se vê ali é um terreno cercado por alambrado. Um olhar mais atento por entre os losangos de arame focará os zumbis alheados, zanzando pela Rua Barão de Piracicaba. Muito, muito triste.

Durante o dia, até me arrisco a circular pela região a pé, como nos sábados em que resolvo tomar um chope no Bar Léo. Ou como fiz muitas e muitas vezes na adolescência, época em que voltava à pé da Galeria do Rock ao Pari, passando pela Avenida Duque de Caxias, o antigo prédio do Dops (atual Estação Pinacoteca), a Estação da Luz (que, além de abrigar o Museu da Língua Portuguesa, também está linda!), o Parque da Luz (mais bem cuidado também) e a Pinacoteca do Estado.

À noite, hoje em dia, o que me sobra é lamentar por quem vive ali, pela decrepitude da vizinihança e a falta de segurança, fechar os vidros, engatar a segunda e acelerar.

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, (11) 3223-3966.

1 thought on “As ilhas do Centro de São Paulo

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