Viva Cosme e Damião!

Foto: divulgação

Hoje é dia de comer caruru e tomar guaraná. Onde? No Soteropolitano (Rua Fidalga, 340, Vila Madalena, tel. 11/3034-4881).

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São Paulo Restaurant Week – um breve balanço

Lola Bistrot / Foto: divulgação

Terminada a 9ª edição da São Paulo Restaurant Week, faço um breve balanço dos restaurantes que visitei durante o evento. Não foram muitos, até porque nem só de SPRW vive a gastronomia paulistana. Felizmente, a cidade vem expandindo cada vez mais o seu cardápio de casas que se preocupam em oferecer um cardápio legal por um preço razoável, como é o caso do Le Jazz, do Nou, da Casa Portuguesa e do Zenna Caffè, entre outras em que estive recentemente.

Mas, de volta à SPRW, aqui vai uma avaliação rápida:

Lola Bistrot (Rua Purpurina, 38, Vila Madalena, tel. (11) 3812-3009, http://www.lolabistro.com.br)
Almoço: servido em uma porção bem pequena, o creme de cebola com torradinha e parmesão (entrada), estava salgado demais, a ponto de eu ter de lavar a boca após cada colherada. Felizmente, o pernil assado ao próprio molho com maçã, frutas secas e batata rústica (principal) estava bem gostoso. Úmido e com tempero na medida, compôs bem o prato com a maçã cozida e a batata rústica, resultando numa refeição equilibrada. O pudim de laranja, embora, também, pequenino que só, era dos bons, com açúcar equilibrado e sabor leve.
Veredito: aprovado. Mais uma vez o Lola Bistrot aproveita o evento para apresentar pratos bem executados. Boa estratégia para atraiar um público novo.

Ça Va (Rua Carlos Comenale, 277, Cerqueira César, tel. (11) 3285-4548, http://www.cavacafe.com.br)
Jantar: o crepe de palmito, opção de entrada, não deixou saudades. Já o arroz de pato, opção de prato principal, está na minha memória até agora. Não por sua excelência, mas porque havia curry em excesso. O arroz, por sua vez, estava um tanto seco. Sem dúvida, o pior arroz de pato que já comi. De sobremesa, bons os profiteroles com calda quente de chocolate e sorvete de creme.
Veredito: um desastre, decepcionante. Nem o salão charmoso, ao qual eu não visitava havia uns cinco anos, foi capaz de deixar em mim uma boa impressão. Devo demorar mais um quinquênio para voltar lá.

L’Entrecôte de Paris (Rua Pedroso Alvarenga, 1135, Itaim, Bibi, tel. (11) 3078-6942, http://www.lentrecotedeparis.com.br)
Jantar: simples mas bem feita, a salada de mix de folhas verdes com mostarda de Dijon, nozes e tomate pera abriu muito bem a refeição. Pedi que o entrecôte com molho secreto e fritas viesse ao ponto para mal-passado. De fato, veio corretíssimo, uma delícia mesmo. O bacana é que a garçonete repõe as batatas fritas – que estavam ligeiramente brilhantes e oleosas – e o molho “secreto” sempre que o cliente quiser. O pudim de leite com calda de caramelo, minha opção de sobremesa, encerrou bem os trabalhos gastronômicos.
Veredito: aprovado, muito bom! Restaurante de um prato só, ao qual estive pela segunda vez, corria o risco de ver sua cozinha desandar durante a SPRW, por causa da grande procura de clientes. Às 21h30 de sexta, tive de aguardar uma hora por uma mesa. A espera valeu a pena. A conta acabou saindo um tanto salgada porque um casal amigo levou uma garrafa de vinho, pela qual nos foi cobrdo o valor de R$ 50 como taxa de rolha.

Zeffiro (Rua Frei Caneca, 669, Consolação, tel. (11) 3259-0932, http://www.zeffiro.com.br)
Jantar: este é um restaurante ao qual tenho ido com certa frequência, coisa de duas vezes ao mês. É perto de casa, vou caminhando, em geral depois de um cineminha. Apesar de o local ter participado da SPRW com um menu específico, optei pelo de sempre: couvert (pão, foccaccia, caponata e azeitona) e ravióli recheado de mussarela de búfala com ragu de calabresa (às vezes troco pelo ragu de rabada). A porção de massa não é exagerada como na maioria das cantinas, vem na medida. Aos mais famintos recomendo que peça uma entrada. É bom dizer que não se deve esperar pela melhor massa do mundo. O espírito, aqui, é de boa relação custo-benefício. Para se ter uma ideia, o jantar dos dois casais, com vinho (levamos uma garrafa, pela qual foi cobrada a taxa de rolha de R$ 25,00), saiu a R$ 35,00 por pessoa.
Veredito: bom, como sempre. No fim das conta, acaba pesando pouquíssimo no bolso, até porque a casa é adepta da onda de servir água filtrada ao cliente, como cortesia. Aos garçons falta apenas um treinamento básico em serviço de vinho, pois eles costumam encher as taças com muita bebida, o que não é o correto.

Beba com os olhos

Sampler, menu degustação da Cervejaria Nacional / Foto: Mário Rodrigues Jr.

 

Antes da implantação da civilizada lei anti-fumo, eu pensava duas, três vezes antes de chegar a um bar de ambiente fechado. Saudade zero daquele fumacê. A bem da verdade, a memória daqueles tempos ainda provocam em mim certa desconfiança, razão pela qual levei um tempo para conhecer a Cervejaria Nacional, em Pinheiros. Mas um convite do meu amigo Marco Santo Mauro, expert em vinhos, grande e exigente bom-de-garfo, acabou por me convencer a ir até lá. Saí de lá bem surpreso.

O bar ocupa um improvável prédio de três pavimentos no meio do quarteirão da Rua Pedroso de Morais, entre as ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio. No térreo ficam os tanques de fermentação e maturação dos cinco tipos de chope fabricados na casa. O primeiro andar, sob luz baixa, é uma espécie de corredor com mesas do lado esquerdo e um imenso balcão à direita, de onde é possível observar sacas de malte na produção da bebida. A quem tiver idade suficiente para se lembrar da finada Brewpub, na Rua da Consolação, fará um inevitável déjà vu. No andar superior avista-se a cozinha ao fundo, precedida de um salão mais iluminado e formal, eu diria, como um restaurante.

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A mais gostosa e divertida maneira de experimentar a cerveja produzida na casa é o sampler, menu desgustação que inclui doses de 160 mililitros dos cinco tipos fabricados ali e que custa justíssimos R$ 14,00: domina (weiss, de trigo), y-îara (pilsen), mula (india pale ale), kurupira (ale) e sási (stout). Como mostra a foto acima, os copos são apresentados sobre uma plataforma de madeira, em uma sequência baseada na densidade da cor da cerveja e com a sugestão que se deguste da esquerda (mais clara) para a direita (mais escura, stout).

Subverti a ordem de degustação e deixei por último a mula (india pale ale), de maior teor alcoólico (7,5%), aroma mais marcante, frutado e delicioso paladar amargo. Das cinco é, sem dúvida, a melhor. Gostei também da domina (weiss), turva, adocicada e bem refrescante. Mais leve de todas, a stout poderia ser um pouco menos aguada. O aroma de café torrado cria uma expectativa que o paladar não confirma. Ainda assim, como eu disse acima, pedir um sampler é bem divertido.

Chamou-me atenção também a gentileza e o preparo dos garçons e garçonetes, que prestam informações básicas sobre as cervejas da casa. Taí um exemplo a ser seguido pela concorrência.

Entre os comes, experimentei a alheira (R$ 18,00 a porção), a linguiça picante e a temperada com erva-doce (R$ 12,00 cada porção de 150 gramas), aprovadas! A rabada com agrião (R$ 32,00) decepcionou-me um pouco. Vem, ok, no ponto e bem temperada, mas servida sem osso, com a carne como que desfiada e prensada, em meio a uma polenta de textura rugosa demais.

Fiquei curioso para provar a porção de coxa de pato grelhada. Na próxima, certamente.

Cervejaria Nacional. Rua Pedroso de Morais, 604, Pinheiros, tel. (11) 3034-4863, www.cervejarianacional.com.br

A dona da praia

Maria Nilza: o restaurante pé-na-areia / Foto: Miguel Icassatti

De volta ao tema Sul da Bahia na baixa temporada, preciso falar da Maria Nilza e de Guaiú.

Guaiú é uma vila que fica a 17 quilômetros do cais da balsa que liga Santo André a Santa Cruz Cabrália, mais um dos pedaços de litoral nos arredores de Porto Seguro que, felizmente, segue ignorado pela maioria da turba que lota a região na alta temporada. O acesso é fácil, pela BA-001, estrada que presenteia motorista e passageiros com um cenário repleto de coqueiros, ora uns platôs, ora campos encharcados em primeiro plano. De tombo, a praia (4 estrelas pelo GUIA QUATRO RODAS) tem areia clara e o Rio Guaiú desembocando no meio da enseada, formando umas lagoinhas bem legais para o banho. Um sossego só, sem frescuras nem nada que se pareça com aquele pseudoluxo artificial de praias como as Jurerês da vida.

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Nascida em Vitória da Conquista (BA), Maria Nilza Rosa Soares é a proprietária de um delicioso restaurante pé-na-areia ali em Guaiú (basta seguir as placas na estrada que será moleza encontrar o local). Em seu Restaurante Maria Nilza, Maria Nilza serve moquecas e pescados preparados, veja só, no forno a lenha (uma levíssima moqueca de peixe sai a R$ 55,00 para duas pessoas). Convém, aliás, encomendar o prato do almoço – a casa fecha às 4 da tarde – assim que se chega ali e definir o horário da refeição, que será servida pontualmente. Para segurar o apetite, vale muito a pena encarar a porção de pasteis de siri (R$ 12,00 com quatro unidades).

Estar em companhia de Maria Nilza, sim, é um luxo. O capricho na decoração da casa – do salão, uma espécie de cabana com teto de palha, aos quiosques e o deque, onde a única coisa que vai passar pela sua cabeça é a vontade de refestelar-se numa daquelas cadeiras e espreguiçadeiras com almofadas forradas de chita – e também no serviço de mesa denotam a atenção que a anfitriã dedica a quem chega ali.

Sair de lá, por fim, sem bater um papo nem tomar uma canequinha de chá feito com as ervas colhidas no jardim do restaurante será uma baita desfeita com Maria Nilza e um desperdício com você mesmo.