Um almoço no ‘bistrô’ do Chico e da Alaíde

Chico e Alaide / Foto: Miguel Icassatti

O melhor boteco do Rio de Janeiro para os jurados da edição 2011-2012 de VEJA RIO “Comer & Beber” já nasceu clássico, em 2009, quando a cozinheira Alaíde Costa e o chopeiro Francisco Chagas Gomes Filho, então funcionários do Bracarense, se juntaram para abrir o Chico & Alaíde no mesmo Leblon que fez do Braca um mito da boemia carioca.

Se a mudança, ou melhor, a ascensão da dupla fez bem ao Bracarense eu não sei – a útima vez que estive lá foi no carnaval de 2009 -, mas sempre tive reservas em relação ao bar, cujo chope fraquinho nunca me cativou, nunca esteve à altura das pérolas gastronômicas que Alaíde mandava da cozinha para a freguesia faminta.

Como restaurateur e restauratrice, digamos assim, Alaíde e Chico mandam mesmo bem. Eu diria até que, mais que um boteco, eles comandam uma espécie de bistrô carioca, um “bistroteco”, com o perdão do neologismo. Afinal, só eu fiquei com a impressão de que ali estão as menores mesas do mundo, como aquelas que a gente vê nos bistrozinhos parisienses? O chope, por sua vez, servido em copo tulipa de vidro grosso, é mais bem tirado que o do concorrente mas fica atrás do que se bebe no Astor, em Ipanema, por exemplo. O rissole e a empadinha de camarão, sem dúvida dois dos petiscos que fizeram a fama de Alaíde (e do Bracarense), permanecem deliciosos, com direito, no caso da empadinha, ao ilustre sabor de uma azeitoninha preta no recheio, daquelas que têm mais caroço do que polpa, e que está ali para deixar sempre alertas os comensais mais desavisados.

Um gol do Chico & Alaíde é o cardápio do almoço, que reserva trivialidades como a potente e gordurosa rabada (R$ 20,00) acompanhada de arroz, feijão-preto, agrião, polenta mole e batata cozida. Um colosso, que pode ser facilmente dividido por duas pessoas, como a mal tirada foto acima não me deixa mentir.

Chico & Alaíde. Rua Dias Ferreira, 679, Leblon, Rio de Janeiro, tel. (21) 2512-0028, www.chicoelaide.com.br

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Debaixo daquele Coqueiro

Coqueiro Drinks / Foto: Miguel Icassatti

Que botecos, pubs, bares (e quaisquer espeluncas que vendam produtos líquidos com teor alcoólico compreendido entre 4 e 54 graus) exercem um poder de atração irresistível sobre nós, jornalistas, até Johannes Gutenberg  já sabia. Eu não duvidaria, por exemplo, se algum biógrafo do pai da imprensa viesse a garantir que o alemão, ali pelos idos de 1450 e ao fim de cada uma das 1800 noites dedicadas à impressão de sua Bíblia, estivesse acostumado a entornar algumas canecas de weizenbier numa taberna vizinha à sua oficina.

Daquela época aos dias de hoje e da Mainz onde Gutenberg viveu ao bairro paulistano do Limão, onde quer que haja uma redação de jornal, site ou de revista sempre existirá no seu entorno, para uma saideira pós-pescoção ou pós-fechamento, um pé-sujo à disposição de focas, fechadores, repórteres, designers, infografistas, pauteiros e editores.

O mais célebre desses bares, certamente, é o Estadão Bar e Lanches, que não por acaso presta homenagem no nome ao jornal O Estado de S. Paulo. Até se mudar para o Limão nos anos 70, o Estadão (o jornal) ocupou o prédio em frente do bar, anexo ao Jaraguá (atual Novotel Jaraguá), que já foi o hotel mais chique de São Paulo, aliás. As mesmas instalações acomodaram nas décadas seguintes o Diário Popular e o Diário de S. Paulo, que saiu dali há pouco para algum lugar na Via Anhanguera -pobre da turma do ‘Dispo’…

As gerações de jornalitas do grupo Estado que migraram para o Limão, em especial as do Jornal da Tarde, vêm recorrendo nas horas difíceis ao bar do Johnny, que fica a poucos passos de uma das portarias do jornal, na Avenida Celestino Burrol. Estive lá recentemente e pude ver que o bar está mais arrumadinho do que em meados da década passada, quando trabalhei no JT e no próprio EStadão (de 2004 a 2007). O salão, mais bem cuidado do que na sua encarnação anterior, na versão Pilão, de uns tempos para cá vem recebendo festinhas animadas e noitadas musicads pela banda do Carlinhos Miller, grande ilustrador e caricaturista. Muito menos glamuroso, convenhamos, é o Folhão, nome de guerra do pé-sujo que fica em frente à Folha de S. Paulo, na Rua Barão de Limeira, região dos Campos Elíseos. Apesar da feiúra, suas vantagens competitivas são a cerveja barata e a pizza assada na hora, em especial a portuguesa, que uma ex-repórter da Folha On Line (e posteriormente da Folha) costumava pedir durante os pescoções de sexta-feira.

Meus amigos do iG, por sua vez, adotaram o Arpège, na Rua Pedroso Alvarenga, um bar que nem é tão mal diagramado assim.

E eis que de uns tempos para cá, capitaneadas pela equipe da Placar, diferentes redações – e outras áreas também – da Abril vêm adotando o Coqueiro Drink’s como ponto de encontro. Instalado na esquina das ruas Gilberto Sabino e Conselheiro Pereira Pinto, bem atrás do NEA, o prédio da empresa, o Coqueiro ganhou uma sucursal, digo, filial na rua de cima. Mas a bem da verdade, o Coqueiro II não vem tendo o mesmo ibope entre os abrilianos.

Geralmente às quintas e sextas, 6 da tarde em diante, o Coqueiro começa a pegar. A equipe da Dinap (de mudança para outro prédio) está entre as primeiros a chegar e a dominar um pedaço da calçada, seguida pelas meninas do Núcleo de Projetos Especiais das marcas femininas. Dali a pouco, quando a noite cai e a iluminação esverdeada da casa passa a ganhar destaque, juntam-se figurões da PLAYBOY, gente do marketing da VEJA, as turmas da ALFA, SUPER, Guia Quatro Rodas, MEN’S HEALTH…

Drinques? Não, nada disso, esses jornalistas preferem mesmo é beber cerveja. Ivanildo, o garçom-maravilha, diz que numa sexta-feira gorda chegam a ser vendidas 500 garrafas de Serramalte, Original, Heineken e Brahma, entre outras. Para quem chega com fome, a cozinha e a chapa soltam clássicos decentes como o churrasco com queijo (R$ 8,00), o x-salada (cujo hambúrguer de patinho é feito ali mesmo, R$ 6,50), o x-carne assada (R$ 8,00) e a porção de contra-filé aperitivo acebolado (R$ 20,00).

Apesar daquele clima soltinho da freguesia, eu não diria que o Coqueiro é um bar de paquera. Tamanha tarimba, a de ser um point para reunir corações apaixonados e outros tantos partidos, convenhamos, o bar ganhará com o tempo. Mas o Coqueiro tem lá suas virtudes, não deixa a cerveja esquentar e fica próximo ao metrô. E está fadado a conviver com uma insolúvel questão: funcionário da Abril jamais poderá pagar a conta com o crachá.

Coqueiro Drink’s. Rua Gilberto Sabino esquina com Rua Conselheiro Pereira Pinto, Pinheiros, São Paulo, tel. (11) 2337-1434.