Original e os originais

Jobi: do Leblon para Moema / Foto: Selmi Yassuda

Até sexta (31), o Original abre espaço no balcão e no salão para cinco bares clássicos que lhe serviram de referência quando o boteco foi aberto, em 1998.

Nesta terceira ‘Semana dos Clássicos’, essas casas se instalam ali em Moema e servem, um a cada dia, alguns dos petiscos que lhes deram fama.

Ontem, por exemplo, Luiz Nozoie deixou de lado o expediente em seu botecaço na Saúde e levou espetinhos de camarão, além de batidinhas de amendoim, ao Original.

Hoje, terça (28), a turma do cinquentão Valadares (na Lapa) serve rã frita (R$ 12), batatas serragem (R$ 12,50 a porção) e cuscuz (R$ 10). Amanhã (quarta, 29), as filhas de Elídio Raimondi, morto este ano, preparam alguns tiragostos de balcão que ele vendia (e elas continuam vendendo) em seu boteco na Mooca.

Na quinta (30), o Zur Alten Mühle frita porções de bouletten (bolinho de carne moída temperada com cebola, alho e salsinha, R$ 33,80) e de eisbein (joelho de porco, R$ 46,80). E tal qual no passado, vai ter chope Antarctica – com barris vindos diretamente de Ribeirão Preto – para acompanhar.

Para fechar a semana, na sexta (31) o Jobi, botequim instalado no Leblon, Rio de Janeiro, vai ser representado pelo rissole de camarão (R$ 19,80 a porção com seis unidades) e pelo sanduíche de carne assada (R$ 14).

Original. Rua Graúna, 137, Moema, tel. (11) 5093-9486, www.baroriginal.com.br

Advertisements

Minha bola de capotão

 

Eu tinha 10 anos de idade – era fim de 1985 ou início de 1986. Costumava passar as tardes, depois da escola, na Portuguesa, às vezes na piscina, quase sempre jogando bola no “areião” – o campo de areia que fica ao lado do estádio, do bar que serve aaind hoje um vigoroso caldo verde, e de um dos ginásios do clube – ou nas quadras ao fundo desse campo.

A Lusa não tinha CT. E só os profissionais, acho, treinavam no gramado do Canindé. Por isso, em determinados dias, minha turma tinha de dar espaço para os treinos do time infantil, ou infanto-juvenil, não sei ao certo, que aconteciam ali no areião.

Num desses dias em que fomos desalojados, fiquei próximo ao areião observando o treino. De repente um dos garotos chutou uma bola na direção da minha turma.

(Pude ver que ali que, além de treinarem num campo pior, os moleques das categorias de base usavam bolas mais velhas, com o couro já descascado, certamente descartadas pela turma de Toninho, Luís Pereira, Edu, Jorginho, Toquinho, Esquerdinha, alguns dos jogadores do bom time da Lusa à época, vice-campeão paulista de 1985.)

O treino seguiu, ninguém veio buscar a bola e passamos a jogar com ela.

Quando me dei conta, o treino havia acabado. Coloquei a bola debaixo do braço e fui até o técnico dos meninos da Lusa a fim de devolver a bola.

– Pode ficar com ela pra você – disse-me Félix, que havia acabado de guardar todo o material do treino. 

Goleiro titular da seleção brasileira na Copa de 70, Félix treinava os times de base da Portuguesa. Morreu hoje de manhã em São Paulo, aos 74 anos.

Naquele dia, voltei para casa feliz da vida carregando aquela velha bola, e contei do presentão ao meu avô.

Durante a Copa do México em 1986, essa bola virou uma espécie de talismã.

Nos jogos do Brasil, eu vestia minha amarelinha, ligava a TV, mandava minhas irmãs fazerem silêncio, sentava-me no centro do sofá, abraçava a bola e ficava dando dribles imaginários com ela na sala. 

No único jogo que rompi o ritual – fui assistir ao jogo no colégio, era sábado de quermesse – o Brasil foi eliminado pela França.

 

Bem-vindo de novo, Bar Léo

Azulejo nas paredes do bar / Foto: Miguel Icassatti

Continuo achando mal contada a história do chope Ashby vendido como se fosse Brahma, e que motivou a interdição do Bar Léo no dia 30 de março passado e a autuação do então gerente e da proprietária à época.

O vendedor ou o distribuidor da Brahma que atendia o local à época não teria percebido uma eventual redução na quantidade de barris comprados pela casa? Esta talvez seja a pergunta de 1 milhão de dólares para quem quiser saber por quanto tempo a antiga administração do bar enganou a freguesia.

Mas, como dizem, essas são águas passadas.

Afinal, o Bar Léo foi reaberto anteontem, no mesmo número 100 da Rua Aurora, onde foi inaugurado em 1940. O boteco agora é gerido pelo grupo Fábrica de Bares, que pertence a Alvaro Aoas, empresário que revitalizou outro célebre ponto da boemia de São Paulo, o Bar Brahma, na esquina das avenidas São João e Iprianga, doze anos atrás.

Estive lá ontem à noite e pude conferir que, felizmente, Aoas teve o cuidado de não mexer na decoração. Se muito, tirou um pouco do pó das garrafas de riesling doce que ficam perfiladas numa das prateleiras coladas à parede do salão. Também estão lá as mesas de tampo de fórmica vinho, as pesdas cadeiras, os quadros, as canecas de cerâmica.

“O que mudou mesmo foi só preço do chope”, brinca Luiz de Oliveira, figura mais ilustre das história da casa que, aos 91 anos, continua dando expediente ali, ora tirando chope (R$ 6,50, mesmo preço do inigualável bolinho de bacalhau servido às quartas e sábados), ora preparando um pratinho de canapés meio blumenau meio rosbife (R$ 27,00).

Luiz conta que ele próprio recrutou novamente parte dos ex-funcionários que estão de volta à casa. Nessa turma está Fernando Lopes, o gatilho mais rápido do centro na hora de tirar o chope – Brahma, de verdade, e impecável. A eles juntaram-se funcionários de confiança dos novos administradores.

Chope Brahma, o legítimo / Foto: Miguel Icassatti

Entre as novidades, registre-se que uma comanda está substituindo as bolachas na hora de fazer a contagem dos chopes consumidos pelos clientes.

E deve-se louvar o fato de que a partir de agora o horário de funcionamento se estende até as 23 horas de segunda e sexta e até as 20 horas aos sábados – uma pequena mas bem-vinda, talvez, contribuição para que aquele pedaço colado à cracolândia traga um pouco mais de vida ao pedaço.

Fernando Lopes e a chopeira histórica / Foto: Miguel Icassatti

No mais, tudo continua como está. Inclusive a prodigiosa memória do Sr. Luiz Oliveira, que recebe os fregueses mais antigos pelo nome.

Luiz Oliveira e o blogueiro / Foto: Marcos Santo Mauro

Bar Léo. Rua Aurora, 100, Santa Ifigênia, tel. (11) 3221-0247. www.barleo.com.br.