Aconchego paulistano

 

Aconchego Carioca, no Rio de Janeiro / Foto: Fernando Frazão

 

Boteco para uns, restaurante para outros, o Aconchego Carioca é um boteco-restaurante, hehehe, que há uns bons cinco anos (foi aberto há dez) se tornou um dos protagonistas do cenário gastronômico do Rio de Janeiro.

Ganhou fama por servir, ali na região da Praça da Bandeira, no meio do caminho entre o centro da cidade e o Maracanã, bolinhos saborosos preparados pela cozinheira e proprietária, Kátia Barbosa.

O chef francês Claude Troigros, inclusive, nunca economizou nos elogios à casa, que também se destaca por ter uma variada carta de cervejas.

Um mês atrás, mais ou menos, o Aconchego ganhou sua primeira filial, aqui em São Paulo, na Alameda Jaú, entre a Ministro Rocha Azevedo e a Padre João Manuel.

Embora pareça um tanto paradoxal o fato de uma casa da Zona Norte carioca ter uma filial no empertigado bairro paulistano dos Jardins, fiquei com a primeira impressão de que ao menos na decoração as duas casas se identificam: as geladeiras repletas de cervejas, redes penduradas no teto e fachadas pintadas na mesma cor.

Kátia Barbosa agora toma a ponte aérea (ou encara a Dutra) toda semana para dar conta das duas cozinhas. Seu sócio paulistano, Edu Passarelli, expert em cervejas e ex-Melograno, na Vila Madalena, comanda o salão no dia-a-dia.

Autor da carta de cervejas do bar, Passarelli montou uma seleção abrangente de rótulos, procedentes de países como Brasil, Bélgica, Holanda, Rússia, Itália, Irlanda, Estados Unidos e Alemanha. A lista está organizada de duas formas: por família de fermentação e por países, o que facilita a busca por entre as dezenas de opções.

Entre as sugestões nacionais estão o chope Bamberg (R$ 5,00, o item mais em conta na carta), produzido em Votorantim (SP),  e a cerveja catarinense Eisenbahn Lust Prestige, fabricada no método champenoise, com 11,5% de teor alcoólico (R$ 190,00, curiosamente a mais cara à venda). Na seção dedicada às trapistas belgas, a Affligen Triple (8,5% de álcool, R$ 14,50 a garrafa de 330 mililitros) e a Westmalle Dubble (R$ 16,00, 7%) oferecem boa relação preço-qualidade.

Bolinho de virado à paulista / Foto: Ricardo D'Angelo

 

Com o quesito bebidas resolvido, é hora de voltar à cozinha. O cardápio tem muitos dos petiscos que fazem sucesso entre ox cariócax, entre eles o incensado bolinho de feijoada (R$ 21,00 a porção com 4).

Pois achei esse bolinho uma decepção: textura muito massuda e o sabor, suave demais. Feijoada na versão bolinho, pra falar a verdade, eu prefiro o brasileirinho, do Bar do Luiz Fernandes.

E não vale me chamar de bairrista, nem por isso nem pelo fato de, nas duas vezes em que estive ali, eu ter gostado mais do bolinho de virado à paulista (R$ 21,00 a porção com 6), uma delícia feita com massa de feijão carioca com recheio de couve, linguiça, bisteca e ovo.

Gostei também do baião-de-dois (R$ 65,00), que na verdade aplaca a fome de três ou quatro comensais, ainda mais se as três ou quatro panças tiverem sido forradas pelos bolinhos e amaciadas com a cervejinha. Peça a versão acompanhada de carne seca.

E como estou vivendo uma fase bem “família”, não posso deixar de avisar às raras leitoras-mamães que o banheiro feminino é equipado com um trocador de fraldas. Boa ideia.

Serviço:

Aconchego Carioca. Alameda Jaú, 1372, Jardim Paulista, tel. (11) 3062-8262. 12h/15h e 17h30/0h (sáb. sem intervalo; dom. só almoço até 18h; fecha seg.).

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