Passeio iberopaulistano – parte II


Balcão do sancho Bar y Tapas / Foto: Cida Souza

Três dias depois da visita ao Tonel, fui finalmente conhecer o Sancho Bar y Tapas, que, ironicamente, fica a três quarteirões da minha casa. Para minha frustração, vi mais defeitos do que qualidades no bar.

O ambiente é festivo e faz lembrar o astral dos endereços do mesmo tipo encontrados, por exemplo, em Barcelona, em Sevilha e Madri. Outro ponto positivo da casa é a oferta de bebidas. A seleção de cervejas não é enorme, mas foge do trivial e tem preços honestos: Backer Pale Ale a R$ 9,90 e as espanholas Estrella Galicia e Estrella Damm Barcelona, respectivamente, a R$ 5,90 e R$ 8,90. Entre os drinques, o pisco sour, correto, custou-me R$ 18.

Decepcionei-me, porém, com dois dos três itens que selecionei do cardápio: as croquetas de jamón (croquetes de presunto cru, R$ 19 a porção com 6 unidades), por exemplo, tinham um recheio com gosto acentuado de maisena — fiquei procurando o sabor do jamón e não encontrei…

O rabo de toro con polenta (R$ 17), a meu ver, poderia ser descrito no cardápio como polenta com rabada, já que a quantidade de carne, desfiada, é mínima. E, se por um lado não notei nenhum defeito nas patatas bravas (R$ 12), por outro tenho de dizer que já provei melhores.

Sancho Bar y Tapas. Rua Augusta, 1415, Consolação, tel. (11) 3141-1956.

 

 

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Passeio iberopaulistano – parte I

As mesas do Tonel, em primeiro plano: excelente bacalhau / Foto: Miguel Icassatti

O chef Alex Atala costuma dizer que é possível fazer comida ruim com ingredientes bons, mas que não se pode fazer comida boa com ingredientes ruins. Daí que é importantíssimo celebrar um endereço em que a gente consegue encontrar ingredientes de primeira e cozinha, por mais simples que seja e é, das boas.

Felizmente, esse encontro ocorre no Tonel, uma tasca à moda portuguesa instalada numa esquina da Chácara Santo Antônio. O ambiente — eu sei, eu sei, o contraluz na foto não ajuda — remete a endereços como a Tasquinha do Fadista e outras que a gente encontra no Bairro Alto em Lisboa.

Estive lá há exatas duas semanas, num involuntário passeio por bares-restaurantes ibéricos nos últimos dias.

Ao cardápio: o bolinho de bacalhau (R$ 380), a bem da verdade, deixou a desejar. Achei muito massudo, farinhento. A alheira, por sua vez, estava uma delícia, bem temperada, com o recheio suculento e a casca sequinha (R$ 22).

De volta ao bacalhau, as “punhetas” (R$ 32) traziam o bacalhau cru desfiado e misturado com cebola, azeite e outros temperos sobre fatias de um bom e fresco pão..

O melhor do almoço, ainda bem, ficou para o prato principal: o bacalhau a lagareiro (R$ 96, para duas pessoas). Acompanhado de batatas ao murro e brócolis, vem à mesa servido  numa atravessa mergulhado em azeite borbulhante. Levíssimo e salgado na medida, sua matéria-prima é o pescado do tipo cod gadus morhua, que vem a ser o de melhor qualidade. A textura e o cozimento perfeitos e a brancura do peixe fizeram-me recordar da máxima de Alex Atala. Ele tem razão.

Tonel. Rua Antônio das Chagas, 409, Chácara Santo Antônio, tel. (11) 5181-5441. Só abre no almoço.

 

Jardins de delícias

Escrevi este texto originalmente, para a edição deste mês, fevereiro de 2013, da revista VIAGEM E TURISMO. Nele, indico alguns bares que têm jardins legais em SP.

Móveis bucólicos completam o clima agradável no Dita Cabrita

Móveis bucólicos completam o clima agradável do Dita Cabrita / Foto: Raul Zito

Sob a sombra de jabuticabeiras, palmeiras e outras árvores frutíferas e frondosas, a freguesia se acomoda ao longo de um comprido quintal do Dita Cabrita (Rua Barão do Bananal, 961, ditacabrita.com.br), a apenas um quarteirão da Avenida Pompeia – pela quietude, parecem algumas dezenas de léguas. O quintal estreito se expande conforme se aproxima da varanda coberta e do salão no fundo. Além da vegetação, chama atenção a mobília, em especial as pesadas mesas de diferentes tamanhos, garimpadas em antiquários e lojas de demolição. Para driblar a fome, passe os espetinhos e encare a especialidade da casa, o bolinho de polenta recheado com carne de cabrito (R$ 16,50, porção com seis) ou os miniacarajés (R$ 27,90, com seis). Nas tardes de sábado, uma vigorosa e bem temperada feijoada (R$ 51, para três) é servida. Bem tirado, o chope Eisenbahn sai por R$ 5.

Outros bares e restaurantes bons de cardápio de quintal

  • Casa do Espeto Músicos tocam MPB e sertanejo ao vivo, que seja dito logo de uma vez. Posto isso, os predicados: cerca de 50 tipos de espetos (assados, fritos, vegetarianos e doces) e de rótulos de cerveja, caso da holandesa La Trappe Tripel. Perfeito para curtir a céu aberto na Pompeia. (Rua Cotoxó, 582,casadoespeto.com.br)
  • Chácara Santa CecíliaParte desse bar-balada de Pinheiros é um bosque com pitangueiras, mangueiras e um laguinho de tartarugas. Do menu, comece com o chope Stella Artois (R$ 7,50) e a porção de pastel de carne-seca com queijo de coalho e manteiga de garrafa (R$ 22,50). (Rua Ferreira de Araújo, 601,chacarasantacecilia.com.br)
  • Genuíno No quintal dessa casa da Vila Mariana ficam palmeiras e outras árvores de copa alta. Ali se podem beber até dez brejas artesanais nacionais, como a Estrada Real IPA (R$ 21,50). Prove o escondidinho de costela com purê de mandioquinha (R$ 27). (Rua Joaquim Távora, 1217,genuinochopp.com.br)
  • The Queen’s Head No Centro Britânico Brasileiro, em Pinheiros, a casa se divide em pub inglês, onde bandas tocam covers de rock, e bar bem moderno, montado numa espécie de deque rodeado de plantas com vista para a rua. Tem boa carta de bebidas, com chope Guinness (R$ 14). (Rua Tucambira, 163,queenshead.com.br)