Você tem 15 chances para comprar – já – um Vinho do Porto de 1863

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Um lote de apenas 15 garrafas do Vinho do Porto Taylor’s Vintage, do ano de 1863 – ou seja, 152 anos atrás –, colocado à venda em 2014, finalmente chegou ao Brasil, e está à disposição dos clientes na Confraria Carioca, loja instalada do bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

A safra de 1863 é tida por especialistas como a última grande colheita antes da devastação causada pela filoxera nos vinhedos do Velho Mundo.

A edição limitada do Taylor’s Single Vintage, da qual foram produzidas apenas 1500 garrafas, vem acondicionada, na verdade, em um decantador de cristal, cuja tampa de vidro foi gravada e polida artesanalmente na Escócia.

Cada um dos 15 exemplares disponíveis no Brasil custa 10.000 reais. Se você for um dos compradores, receberá esse tesouro em uma caixa de madeira de plátano e um certificado de garantia de procedência e autenticidade, devidamente assinado pelo diretor geral da vinícola Taylor’s, evidentemente.

Confraria Carioca. Casa & Gourmet Shopping (Rua General Severiano, 97, loja 237-A), Botafogo, Rio de Janeiro, te. (21) 2244-2286.

Atualização: um dia depois de confirmar o preço de 10.000 reais, a Confraria Carioca informa que o preço do Taylor’s Single Vintage 1863 é 14.000 reais.

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“Eu compro o tempo”, diz chef do 6º melhor restaurante do mundo

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Em recente visita a São Paulo, o chef Andoni Aduriz, do espanhol Mugaritz, fala da importância da criatividade no trabalho e por que mantém o restaurante fechado durante 4 meses

Para o espanhol Andoni Luis Aduriz, chef do Mugaritz, em San Sebastian, Espanha, as duas estrelas conferidas a ele pelo Guia Michelin e o posto de sexto melhor restaurante do mundo em 2014 atribuído pela revista inglesa Restaurant no ranking anual The World’s 50 Best são ao mesmo tempo créditos de confiança e oportunidade para se equivocar. “Esses prêmios pressupõem que somos bons e isso nos permite correr mais riscos; então é um crédito. Ao nos equivocarmos, perderemos todos. Mas ter essa oportunidade é um privilégio”, diz Aduriz. Tido como um dos protagonistas da vanguarda gastronômica espanhola, ele proferiu uma palestra sobre criatividade e vanguarda no curso de gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Ao fim do evento, conversou com os jornalistas.

SOBRE OS 4 MESES EM QUE O MUGARITZ FICA FECHADO

ADURIZ: Se uma pessoa sai de Amsterdã, de Londres, da África do Sul, dos Emirados Árabes ou percorre meio mundo para ir ao Mugaritz, tenho de dar a ela o extraordinário. Nesses quatro meses (entre janeiro e abril), eu e minha equipe trabalhamos nos produtos, técnicas, metáforas, para depois destilar, destilar, destilar todo esse processo. É como escavar milhões de caminhões de areia para buscar uma pepita. Nós dedicamos mais de 15 mil horas por ano a isso. Nesses quatro meses, criamos 70 receitas novas. Até o fim do ano serão umas cem. Quando abrimos o Mugaritz, no primeiro dia, as pessoas já estão tuitando, publicando fotos. No minuto seguinte essas ideias já estão no mundo.

SOBRE A GASTRONOMIA

ADURIZ: O problema da gastronomia é o conceito de sabor, que está sendo cada vez mais questionado. Eu questiono. A gastronomia pode ser um caminho não só para você se alimentar, mas para alimentar suas capacidades. O conceito do que é bom ou excelente é ambíguo. No Mugaritz fazemos as coisas porque elas devem ser boas, elas devem fazer sentido. As escolas, o aprendizado de gastronomia por vezes é chato, sabe por que? Porque professores e chefs são chatos. Cozinhar não é só um ato, tem uma dimensão impressionante: social, cultural, transmite saúde, felicidade. E eu não quero estar estático, eu quero sempre perguntar e aprender.

SOBRE A CRIATIVIDADE

Ser criativo não significa ser melhor. Para mim, ter tempo é um luxo. Eu compro o tempo, eu compro os quatro meses em que fecho o Mugaritz com o meu dinheiro. São 500 mil euros, é esse valor que custa minha criatividade. E isso me faz feliz – nem melhor nem pior que ninguém, apenas feliz.