Cupim é carne forte

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Em tempos de Operação Carne Fraca, de gurmetização e de um milhão de polêmicas gastrovirtuais, minha humilde contribuição ao universo botequeiro vem de uma esquina da Avenida Pompeia, repleta de gordura, fibra e sabor: é o cupim casquerdao (sic), o prato de resistência da Santa Fé Cervejaria. Falamos sobre isso ontem, Carla Bigatto e eu, na coluna Cultura de Boteco na Band News FM. Aliás, a partir deste post vou compartilhar aqui uma versão editada da coluna Cultura de Boteco, cujos 10 podcasts mias recentes podem ser ouvidos no link acima.

O cupim é uma carne que só encontrada no gado zebu genuíno ou em cruzamentos com essa raça. É aquela corcova que esses animais têm e apresenta uma enorme mistura de fibras e gordura. Essa mistura faz com que tenha uma textura mais dura, o que requer um tempo considerável para o preparo.

Pois bem, andei dando uma olhada nos bares que concorrem no Comida di Buteco e percebi que em alguns deles a receita criada para o concurso tem como ingrediente de destaque o cupim.

O Bar do Justo, em Santana, por exemplo, está servido um cupim empanado na farinha de mandioca acompanhado de cuscuz de milho, berinjela e banana crocante, a R$ 25,80.

O Caiubier, em Perdizes, tem uns canapés de cupim com polenta e palitos de mussarela, por R$ 25,90.

O Boteco do Murruga, que já foi campeão do Comida di Buteco, serve uma porção com cupim, carne-seca e linguiça mais acompanhamentos, por R$ 25,80.

E, voltando à Pompeia, a Santa Fé Cervejaria é, talvez, a casa do cupim na ZO.

É impressionante, mas o cheiro da churrasqueira em ação avança pelo quarteirão e acaba por guiar o incauto até o bar, que prepara, por exemplo, o x-cupim (um sanduíche que custa 19,90) e inclui o corte em uma das opções do almoço executivo de segunda a sexta, a 40,00

Mas a especialidade da casa, na real, é o cupim casquerado (sic), que nada mais é que o cupim assado na churrasqueira, em fogo forte, para que se forme uma casca, que permite que seja retirada em camadas, em lascas, ao longo de toda a superfície do corte.

A porção custa R$ 96,00 e é acompanhada de mandioca, vinagrete, farofa e pão. O garçom vai dizer que serve duas pessoas mas, na boa, três pessoas saem satisfeitas – e nem precisa pedir a porção de arroz que o garçom vai tentar empurrar.

Santa Fé Cervejaria. Avenida Pompeia, 600, Pompeia, São Paulo.

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Nos quintais de Minas

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Quis o destino que o retorno deste Boteclando à blogosfera, depois de quase dois anos, ocorresse em Belo Horizonte, uma das capitais brasileiras dos Botecos, e à mesa de um do baita de um boteco.

No caso, em uma mesa na Cervejaria Seu Romão, uma das casas concorrentes do festival BOTECAR, um concurso que reúne, em 2017, quase 50 estabelecimentos belorizontinos.

Em 2016, olha só, foi o boteco campeão do Botecar.

Cada um desses botecos teve de criar uma receita inspirada nos quintais, Os participantes, de acordo com a organização, “buscaram técnicas e elementos de hortas, pomares, chiqueiros e galinheiros para inventar receitas deliciosas”.

E foi isso que a Cervejaria Seu Romão fez. Ou melhor, foi o que a dona Alcione, esposa do Hubert, fez. Proprietária do bar, ao lado do marido e do filho, Felipe, ela criou esta receita da foto para concorrer no Botecar.

Trata-se do “Desconfiadinho”, uma porção de 300 gramas de copa lombo defumado, cortada em fatias e empilhada em quatro torres, digamos assim, ao molho de damasco, mais cerquinha de bacon e bolinhos de cará recheados com queijo-de-minas. Custa R$ 36,90.

O Botecar 2017 vai até o dia 13 de maio e todos que forem aos bares e pedirem o petisco concorrente podem votar.

Exercite sua cidadania, ora pois!

Cervejaria Seu Romão. Rua São Romão, 192, Santo Antonio, Belo Horizonte.