O Brazeiro: um galeto na brasa voando!

 

BRAZEIRO

Dias atrás eu pousei em Congonhas, vindo de Belo Horizonte e de Ouro Preto – onde  botequei demaaaais, em companhia de meus amigos de Portugal e do Eduardo Maya, que é o idealizador de um projeto muito legal, aliás, o Vida de Boteco, uma comunidade virtual de botequeiros pelo Brasil e da qual eu com muita honra, faço parte – e…  Pois é, eu pousei em Congonhas por volta da 1 da tarde e as meninas foram me buscar para almoçarmos e seguimos direto pra região da Vila Mariana.

Nosso destino foi O Brazeiro, casa aberta há 41 anos e que é um ponto de referência gastronômico na área graças ao muito bem temperado galeto servido ali.

E vou te dizer. Era por volta das 2 da tarde e fiquei assustado com a multidão ali na porta. Até pedi pra Camila descer e ver de quanto tempo seria a espera. Quando ela me disse que a muvuca toda era por causa do serviço pra viagem e que só tinha uma mesa na nossa frente, ufa, fiquei aliviado.

Na verdade fiquei aliviado quando atravessei, segurando minha filha pela mão, aquele corredor que mais parecia a ligação da estação Paulista com a Consolação às 6 da tarde, e cheguei à mesa.

Pois bem, do lado direito do corredor fica o longo balcão de espera e do lado esquerda, a churrasqueira, com uma bateria de galetos espetados prontos para ir à brasa.

No fundo, os dois salões, que parecem ter parado no tempo, com um serviço muito ágil feito por garçons à moda antiga, competentes e ligeiros debaixo de seus coletes vinho e gravata borboleta.

Pedi, óbvio, um galeto inteiro (35 reais), que satisfez completamente a mim, Camila e as meninas – e olha ue minha caçula come com gosto! Vem com um molho de cebola e uma farofa. Não dispensamos o couvert, um delicioso pão italiano fatiado, fornecido pela padaria Ana Neri, do Cambuci, com manteiga (3,50 por pessoa), e uma porção de polenta frita na hora (15 reais), para mim a segunda melhor da cidade – a primeira é do Pira Grill, na Vila Madalena.

Pra beber, provei o chope na tulipa, 8 reais, apenas mediano e tomei uma bem gelada garrafa de Serramalte, a 14 reais – um pouco cara, né?

E por fim, meiamos dois pudins de leite daqueles caseiríssimos, sabe? Aliás, sou tão fã de pudim que até os ruins são bons.

O Brazeiro. Rua Luis Goes, 843, em Mirandópolis, Vila Clementino

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Mortadela Brasil, no Mercadão

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Quando eu nasci, meus pais moravam na Rua da Cantareira, na região central, a dois quarteirões do Mercado Municipal. Por isso, tenho muitas e boas lembranças, as mais antigas e carinhosas, dali. Eu costumava ir com meu avô até lá para comprar alpiste pros dois periquitos que nós tínhamos, e que fugiram, e me lembro bem dos animais vivos, que naquela época, ainda eram vendidos ali: pato, marreco, coelho, galinha…

Pois, com a revitalização do mercado e a construção do mezanino na gestão da Marta Suplicy, em 2004, passei imediatamente a frequentar os bares que foram montados ali: o Elidio, por exemplo, e o Mortadela Brasil.

E é do Mortadela Brasil que eu quero falar novamente. Assim como os outros botecos famosos do mercado, como o Hocca e o Bar do Mané, que é o mais antigo, o Mortadela Brasil serve aqueles sanduichões exagerados que são o objeto de desejo dos turistas.

O de pernil artesanal (foto), por exemplo, tem um recheio enorme, de carne macia – aliás, o fornecedor é o Porco Feliz, um dos açougues mais tradicionais do Mercadão – e uma receita de mais de 50 anos, da família dos donos. Custa 30 reais.

Mas eles têm também opções para os fracotes, como a versão Junior do sanduíche de mortadela: vem no pão francês e com menos recheio. Tem 100 gramas e custa 21 reais.

Desta vez em que estive lá, provei o pastel de camarão com catupiry, que tem nada menos do que 20 camarões no recheio. É mole? Custa 27 reais e, na boa, duas pessoas comem.

Aliás, minha sugestão é esta: se você estiver em um grupo, compartilhe os lanches e os pasteis, porque assim vai poder provar um pouco de cada coisa sem ter de descer, rolando, a escada do mezanino.

Para beber, chope Brahma a 10 reais, aliás, um dos mais bem tirados da cidade.

Mortadela Brasil. Rua da Cantareira, mezanino, box 4.

Bar do Alemão, um refúgio cinquentão

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Fazia uns bons dez anos que eu não visitava o Bar do Alemão, embora ele esteja sempre no meu caminho, quando venho da zona norte pra casa, via Avenida Sumaré, ali pertinho do Palmeiras.

Eu costumava passar no Alemãozinho ao fim do meu expediente no Estadão, sobretudo nos dias em que saía do trabalho já altas horas, faminto e com sede – e o Alemão era o primeiro lugar no meu caminho, que ficava aberto até 2 ou 3 da manhã no meio da semana.

Estive lá há duas sextas-feiras e fiquei muito feliz com o que eu vi. O bar passou por ma pequena reforma no ano passado, que mudou a cozinha de lugar, para o fundo do salão, mas manteve a identidade de antes – aliás, esse é o problema, a meu ver de muitos bares, que se metem a fazer uma reforma, descaracterizam todo um passado glorioso e ficam parecendo depois disso uma versão piorada daqueles restaurantes Graal da estrada…

Felizmente, esse não é o caso do Bar do Alemão, que foi aberto em 1968. Continuam lá as mesmas mesinhas de antes, o mesmo salão estreito, a mesma foto do Paulinho da Viola tomando um chope ali, o mesmo aconchegante mezanino, com duas ou três mesinhas, e que é um charme, a decoração, enfim, em estilo de chalé germânico.

E o Alemão continua sendo um refúgio, arrisco dizer que o principal refúgio de quem gosta de juntar MPB, com choro, com samba, com boemia. E não por acaso: já faz alguns anos, pertence ao músico e compositor Eduardo Gudin e à filha Joana.

A cada dia a programação musical traz um tema: segunda tem choro, quinta tem samba e MPB nos outros dias. E o legal é que os intérpretes ficam numa mesinha redonda no fundo do salão, entre a cozinha e as mesas dos clientes. Tudo junto e misturado.

O público, aliás, é na sua maioria formado de gente que, como eu, já passou dos 40: casais e velhos grupos de amigos.

Para beber, eu indico o chope, 7,90 reais, levinho, de colarinho denso, bem gostoso. E para comer, o sanduíche Blumenau, que é quase uma porção de canapê, com a linguiça crua temperada sobre pão integral (15 reais) e o sanduíche rococó que mistura rosbife e gorgonzola, e é um símbolo da boemia de nossa querida cidade. Custa 20 reais.

E uma frase pintada na parede do bar, que é o nome de um disco gravado em 1975 pelo Eduardo Gudin, a Marcia e o Paulo Cesar Pinheiro, é a mensagem que realmente importa: “O importante é que nossa emoção sobreviva”.

Bar do Alemão: Avenida Antártica, 554, Água Branca.