Bar do Alemão, um refúgio cinquentão

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Fazia uns bons dez anos que eu não visitava o Bar do Alemão, embora ele esteja sempre no meu caminho, quando venho da zona norte pra casa, via Avenida Sumaré, ali pertinho do Palmeiras.

Eu costumava passar no Alemãozinho ao fim do meu expediente no Estadão, sobretudo nos dias em que saía do trabalho já altas horas, faminto e com sede – e o Alemão era o primeiro lugar no meu caminho, que ficava aberto até 2 ou 3 da manhã no meio da semana.

Estive lá há duas sextas-feiras e fiquei muito feliz com o que eu vi. O bar passou por ma pequena reforma no ano passado, que mudou a cozinha de lugar, para o fundo do salão, mas manteve a identidade de antes – aliás, esse é o problema, a meu ver de muitos bares, que se metem a fazer uma reforma, descaracterizam todo um passado glorioso e ficam parecendo depois disso uma versão piorada daqueles restaurantes Graal da estrada…

Felizmente, esse não é o caso do Bar do Alemão, que foi aberto em 1968. Continuam lá as mesmas mesinhas de antes, o mesmo salão estreito, a mesma foto do Paulinho da Viola tomando um chope ali, o mesmo aconchegante mezanino, com duas ou três mesinhas, e que é um charme, a decoração, enfim, em estilo de chalé germânico.

E o Alemão continua sendo um refúgio, arrisco dizer que o principal refúgio de quem gosta de juntar MPB, com choro, com samba, com boemia. E não por acaso: já faz alguns anos, pertence ao músico e compositor Eduardo Gudin e à filha Joana.

A cada dia a programação musical traz um tema: segunda tem choro, quinta tem samba e MPB nos outros dias. E o legal é que os intérpretes ficam numa mesinha redonda no fundo do salão, entre a cozinha e as mesas dos clientes. Tudo junto e misturado.

O público, aliás, é na sua maioria formado de gente que, como eu, já passou dos 40: casais e velhos grupos de amigos.

Para beber, eu indico o chope, 7,90 reais, levinho, de colarinho denso, bem gostoso. E para comer, o sanduíche Blumenau, que é quase uma porção de canapê, com a linguiça crua temperada sobre pão integral (15 reais) e o sanduíche rococó que mistura rosbife e gorgonzola, e é um símbolo da boemia de nossa querida cidade. Custa 20 reais.

E uma frase pintada na parede do bar, que é o nome de um disco gravado em 1975 pelo Eduardo Gudin, a Marcia e o Paulo Cesar Pinheiro, é a mensagem que realmente importa: “O importante é que nossa emoção sobreviva”.

Bar do Alemão: Avenida Antártica, 554, Água Branca.

 

 

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