On the road: 3 botecos em Campinas

citybar

(Foto: citybar.com.br)

Fim de semana chegou e você não sabe para onde ir? Seus problemas acabaram! Boteclando e SP Cultura de Boteco têm a solução: convoque seu motorista da vez e pé na estrada!, como diria o Kerouac.

E nem precisa ir muito longe, se a ideia for botecar. Pela Bandeirantes ou a Anhanguera, Campinas tem alguns clássicos da boemia paulista.

Minha primeira sugestão é o City Bar, um boteco que, desde que eu o conheci, uns dez anos atrás, vive lotado. Símbolo da boemia campineira, foi inaugurado em 1958 e fica no bairro do Cambuí, com dezenas de mesas na calçada e de frente para uma praça.

A especialidade da casa é o bacalhau, que é a base de torta e, obviamente, do bolinho  – 7 reais cada um, no tamanho regulamentar, mas também há uma porção de minibolinhos por 30 reais. A fatia de torta, por sua vez, sai por 6,80 reais. Além da de bacalhau, tem de frango, de palmito e de frango com catupiry.

Para beber, cerveja: Original e Serramalte, 12 reais a garrafa, sempre gelada.

Outro boteco de que gosto muito é o Nosso Bar, que fica dentro do Mercado Campineiro, no centro de Campinas.

Conheci o Nosso Bar também dez anos atrás e, na época, fiquei fissurado no sanduíche de lombinho e no de aliche que era servdo naquele espaço pequenininho em meio a uma coleção de cervejas muito respeitável.

Pois bem. Passaram-se os anos, o bar deu uma caída, até que mudou de mãos. Os novos donos deram um tapa mas mantêm a alma do lugar.

Hoje são oito bicos de chope expostos no balcão, de frente para as banquetas que ficam lado a lado, no trecho do corredor do mercado, que fica em frente ao bar.

De sete desses bicos saem chope da Cervejaria Campinas – o copo de pilsen sai a 8 reais, por exemplo. O oitavo bico é da irlandesa Guinness, aquela cerveja preta, do tipo stout, com aroma defumado – sai pela bagatela de 38 reais.

Pra comer, tenho duas dicas: o pastelão de bacalhau, por 15 reais, e o sanduíche de aliche, por 23 reais.

E o terceiro botecão que recomendo em Campinas é o Bar do Cação, cuja especialidade é… camarão!

No caso, o camarão-rosa empanado, que vem acompanhado de cubinhos de mussarela empanada e batata frita – sai 18,90 reais .

Pra quem não gosta de pescado e se dá bem com felinos, pode escolher o sanduíche de carne de onça.

É um sanduba típico, na verdade, de Curitiba, feito com carne moída, mas aqui a versão leva carpaccio, cebola, azeitona e temperos e é servida em pedacinhos – sai por 27,90 reais.

Entre as bebidas, chope Brahma, a 7,90 reais.

 

Vai pegar a estrada? Lembre-se: se beber não dirija. Há ônibus de hora em hora entre São Paulo e Campinas.

City Bar. Avenida Júlio Mesquita, 450, cambuí, Campinas.

Nosso Bar. Rua Barão de Jaguara, 988 (Mercado Campineiro), centro, Campinas.

Bar do Cação. Avenida Dputor Armando Sales de Oliveira, 9, taquaral, Campinas.

 

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Vai um chivito aí?

chivito

Na mistureba que corre em minhas veias há sangue mineiro, holandês, paraguaio, italiano, alemão e até uruguaio – consta que sou bisneto de Don Miguel Rodriguez, cidadão nascido no Uruguai. Razão pela qual tenho apreço pelo país, pelos seus vinhos, por seu futebol – em especial por Dario Pereyra e Diós Lugano – e por sua gastronomia.

Tenho pra mim que um dos pratos que cabem muito bem aos botecos uruguaios é o chivito, um sanduíche típico do país, criado por um restaurante de Punta del Este nos anos 1940.

A lista de ingredientes desse megassanduíche mais parece uma escalação do Peñarol: filé-mignon (ou outra carne), presunto, queijo, bacon e alface; tomate, maionese e ovo cozido; salada de batatas ou fritas pra acompanhar.

Em São Paulo, o chivito dá até nome a um boteco, o Chivito de Ouro, justamente, que fica na borda da Vila Madalena, numa esquina da Heitor Penteado. São dois salões, que vivem cheios na hora do almoço, graças ao meu do dia – a feijoada do sábado, para 2 pessoas e com 2 bistecas, sai a 51 reais.

 

Pois bem, o Chivito de Ouro já existe há 35 anos e pertence na verdade a um português – não tenho sangue lusitano, mas aqui é uma questão de amor -, segundo me contou o garçom.

Lá nos anos 80, o dono foi passar uns dias no Uruguai, viu o sanduíche e decidiu abrir um bar com esse nome. Ou seja, é um boteco luso-uruguaio.

No Chivito de Ouro são servidas também algumas versões do sandubão: a clássica, por 31 reais; duas opções no prato, como a Big Chivito, que é feita com frango no lugar do filé, e vem embalado num omelete, que faz a função do pão.

Foi esse que comi, o colosso da foto acima, e, vou te dizer, não caiu pesado, até porque mandei ver depois de uma corridinha de 5k. Custou 23 reais e a versão com contra filé sai a 25 reais.

E tem ainda o chivito uruguaio no prato, a 48 reais.

Para beber, fui de Serramalte, a 11,50, mesmo preço da Heineken e da Original. A Paulistânia sai por 12 reais.

Chivito de Ouro. Rua Heitor Penteado, 1565, esquina com a Rua Paulistânia,  Vila Madalena.

 

Urca: pizza e boteco

urca

São Paulo é aquele lugar em que tudo se transforma, se adapta, se metamorfoseia ambulantemente diante da deselegância discreta de suas meninas. O que é legal, na maioria das vezes.

Uma cidade que tem boas pizzarias e botecos sensacionais, é claro, haveria mesmo de oferecer ao seu povo uma pizzaria-boteco (ou boteco-pizzaria). Refiro-me a Urca, tradicionalíssimo endereço na esquina da Brigadeiro Luiz Antônio com a Alameda Santos, que existe desde 1958.

Estive lá um tempinho atrás e reparei essa falha em meu currículo – nunca havia colocado os pés ali. Desde que era office-boy e cruzava a Paulista pela Brigadeiro, confesso, eu era meio desconfiado com a Urca porque, da janela do busão, nunca via a casa cheia – quem está na rua mal consegue ver o salão, e, a bem da verdade, não conhecia ninguém que tivesse comentado algo sobre a casa.

Até que… fui e gostei.

São 41 sabores de pizza, assados no forno a lenha, e o cliente pode escolher a espeessura da massa. Fui de meia portuguesa, meia peperoni, com massa média, e saí bem feliz.

Mas cadê o boteco?

Pois é, eu achei que a alma botequeira meio que passeia pelo salão, que parece  parado no tempo, ainda mais com o estranho desenho triangular: da entrada ao fundo, vai afinando, afinando, até ficar bem estreitinho.

A lista de bebidas apresenta drinques que nossos pais bebiam: hi-fi (16 reais), cuba libtre (15 reais) e até batida espanhola, aquela bem docinha, feita com vinho, abacaxi e leite condensado, a 19 reais.

Pra falar a verdade eu pedi um chope Brahma (9 reais), tirado com capricho, colarinho, bem cremoso.

Caso alguém não queira comer pizza, pode ficar com as porções de frios defumados (como o pastrami, 34 reais a porção), ou a de queijos (o maasdam, por 38 reais) e até frango a passarinho – 31 reais.

Aliás, um dos mais famosos frangos a passarinho de São Paulo está em outra pizzaria, a Camelo, na rua Pamplona, aquela do deputado da mala.

Pizzaria Urca. Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, 2401, esquina com Alameda Santos.