O rabo de galo

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Dias atrás eu fui jurado do primeiro Concurso Nacional de Rabo de Galo.

Rabo de Galo, vocês sabem, é aquele drinque que todo boteco que se preze deve ter, e que alguns barmen famosos recuperaram recentemente, criando versões com ingredientes bons e uma ou outra gourmetizada.

A ideia, inclusive, é que esse concurso viabilize a entrada do Rabo de Galo na lista de drinques clássicos catalogados na Associação Internacional de Barmen.

O evento aconteceu durante dois dias, no Clube Atlético São Paulo, o SPAC, berço do futebol no Brasil, e reuniu 28 barmen concorrentes da capital, interior, litoral, Espírito Santo e Bahia.

Entre esses 28 concorrentes, havia apenas uma mulher, lamentavelmente.

Em todo caso, o que me chamou a atenção também, desta vez, foi o bom nível médio geral da coquetelaria que vem sendo feita no país – já fui jurado em outros concursos e o nível era bem mais baixo.

Os concorrentes eram avaliados em baterias de quatro concorrentes por vez, por 12 jurados, que pontuavam desde a apresentação, manipulação dos utensílios e ingredientes, quantidade da receita (não pode sobrar nem faltar), à criatividade, e, claro, o aroma e o sabor.

O grande campeão foi o barman Rafael Welbert, do Esquina Mocotó, zona norte de SP.

Eu tive a oportunidade de provar 7 versões do drinque, e destaco algumas

  1. A do Eduardo, do restaurante Jangada, em Riviera de São Lourenço. Ele fez um drinque ao qual deu o nome de Manchada, que, segundo ele, era a forma como o avô pedia a bebida num boteco em Dracea, enquanto ele, criança, tomava sorvete. Era adocicado, cítrico e equilibrado, sem sobreposição de ingredientes.
  2. A do barman Edinardo, do Bottled Dog, no Itaim Bibi, que fez uma versão bem próxima à tradicional, só que com bons ingredientes, e uma infusão de cachaça com alecrim e manjericão. Ele cobra 29,90 pelo drinque no bar (achei caro, pra falar a verdade).
  3. A do Paulo Henrique, do Dom Camaleone, de Vitória, que fez um coquetel todo artesanal, num mixing class de barro, que ele mesmo diz ter confeccionado, à moda das paneleiras capixabas. Um drinque equilibrado, gostoso. Custa 29 reais lá em Vitória.
  4. E, por fim, o do barman Clébio, do Seu Bastião, em Amparo. Ele substituiu o vermute, da receita original, por uma infusão de café com especiarias e abacaxi macerado. Ficou bem interessante, seca, com uma nota da fruta macerada no final. Custa 22 reais.

Em tempo: sabe porque o Rabo de Galo tem esse nome? Quem me contou essa foi o barman Mestre Derivan, organizador do concurso: corria o ano de 1954, quarto centenário de São Paulo, e o governo e a prefeitura estimulavam a chegada de indústrias em São Paulo, com muitos incentivos fiscais. Uma dessas indústrias era de bebidas, de origem italiana, que fabricava vermute. O dono da empresa, ao saber que aqui se consumia muita cachaça, tratou de misturar o vermute à cachaça e criou o drinque. Agora, que nome ele iria dar ao “cocktail”? Isto mesmo: “rabo de galo”, que é a tradução livre para o português de “coq” (galo em francês) e “tail”, (rabo, em inglês).

Bravissimo!

Botteld Dog: Rua Iguatemi, 255, Itaim Bibi, São Paulo.

Dom Camaleone: Rua Desembargador Sampaio, 263, Praia do Canto ,Vitória.

Jangada: Avenida Marginal, 2571, Riviera de São Lourenço, Bertioga.

Seu Bastião: Rua 15 de Novembro, 75, centro, Amparo.

 

 

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