Bar do Berinjela, onde os peixes têm nome

ImageQuibe de berinjela, bolinho de alheira e bolinho de berinjela / Foto: Miguel Icassatti

 

Numa pequena praça do bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, existe um lugar que reúne todos os predicados que lhe permitem ostentar o título de Boteco com B maiúsculo.

Eu me refiro ao Bar do Berinjela.

Berinjela era o apelido do Manuel Gomes Leitão, que comprou o ponto em 1964, defronte à pracinha 20 de Janeiro. O velho Manél tinha a tal alcunha porque vendia berinjela na feira. Morreu no fim dos anos 80, mas o filho, José Manuel, herdou o bar e o apelido.

Mas… voltando aos predicados de um Boteco com B maiúsculo, o Bar do Berinjela tem o que, pra mim, é o primeiro e fundamental quesito: a presença do dono. Mais do que isso, a gente vê presença da família toda.

O Berinjela, por exemplo, domina a área da chapa, na qual prepara a berinjela à parmigiana (35 reais, para 2 pessoas). Dá gosto – literalmente – ver a fumaça e a gordura subindo pela coifa e, ao mesmo tempo, curando os gomos de linguiça pendurados ali.

A mulher dele, dona Débora, prepara as caipirinhas e fica no vaivém da cozinha trazendo salgados deliciosos aos fregueses – eis o segundo predicado, que é o fato de que as receitas são preparadas na própria cozinha do bar.

Entre os salgados, tem quibe de berinjela, bolinho de alheira e bolinho de berinjela, dos quais eu comi uma unidade de cada, em uma meia porção, a 15 reais.

E no atendimento ficam os filhos do casal, Caio e a Livia, dois jovens superatenciosos.

Além da presença da família e do cardápio, tem também cerveja gelada (Serramalte, 13 reais) e, a meu ver, preços bem convidativos, os dois outros critérios que definem um grande Boteco.

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Sem contar o ambiente, que, no Bar do Berinjela, é simples e muito acolhedor. São dois salões pequenos, com talvez umas 10 mesas, no máximo, e duas ou três banquetas no balcão.

Quando estive lá, acomodei-me numa delas, bem ao lado do aquário – e o que achei engraçado é que num pedaço de papel escrito à mão e colado com durex, estavam os nomes dos peixes: entre eles, o Evaristo, o Bunitinho e o casal Crosivaldo e Crosivalda.

As paredes são cobertas por fotos, cachecóis de times e de seleções e ostentam também duas camisetas: uma da seleção brasileira e outra da Portuguesa – time do Berinjela – autografada pelo Toquinho, Duílio, Eudes e outros craques daquele time da virada dos anos 1970 pros 80, e que eu vi jogar bastante, quando acompanhava meu pai ao Canindé.

Bons tempos e linda camisa.

Bar do Berinjela. Praça 20 de Janeiro, 67, Tatuapé.

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