5 botecos a caminho do Itaquerão *

Nos arredores da estação Artur Alvim do metrô, na qual, recomenda-se, devem descer os torcedores que vão acessar o setor oeste do Itaquerão, até os botequins têm padrão Fifa. Uniformizados, muitos deles, ao menos os que se colocam na rota de quem chega e sai do estádio, tiveram suas fachadas pintadas de vermelho – cor predominante da cerveja Brahma e da Coca-Cola, marcas que patrocinam a Copa do Mundo.

Em dias de jogos do Mundial na Arena de São Paulo, esses bares têm ganhado mais movimento, sobretudo de turistas estrangeiros. “Já atendi ingleses, holandeses e chilenos”, disse-me o garçom do Bola Bar, situado dois quarteirões acima da estação do metrô.

No dia do jogo Bélgica e Coreia do Sul, aproveitei para dar uma volta e conhecer a vizinhança de Artur Alvim, região que leva o nome do engenheiro-chefe da antiga companhia férrea. Foi ele quem projetou a malha ferroviária naquela região da ZL paulistana.

Um quarteirão acima, próximo à entrada principal do condomínio Santa Bárbara, de predinhos ao estilo Cohab, deparei-me com uma pracinha, no entorno da qual circulavam alguns ônibus e lotações. Vi um SRD guiado por sua dona ceder à provocação de um vira-latas liberto, crianças brincando na gangorra e balançando sobre um pneu amarrado a uma árvore, em frente a uma imobiliária que anunciava apartamentos “grandes” ao preço de “médios” na Cohab I (ou seja, 195.000 reais, e diante de pequenos estabelecimentos comerciais, todos vizinhos de parede: uma assistência técnica de eletrodomésticos, uma lan house e o Xaveco’s, um dos cinco bares que descrevo a seguir.

Xaveco’s

Morador do condomínio Santa Bárbara, que fica a não mais de 100 metros do bar, o sergipano  Carlos Alberto Santos é quem comanda o bar. Santos me contou que vive em São Paulo desde 1973 e que abriu o negócio 25 anos atrás. Ele próprio decorou as paredes e o teto dos 9 ou 10 metros quadrados do lugar com objetos de toda sorte, recolhidos em suas viagens para pescar ou presenteados por amigos: bonecas, luvas de boxe, um tatu empalhado, um pedaço de couro de onça e até um chifre de rinoceronte, arrematado de um amigo que viajou à África estão entre as dezenas de quinquilharias. É por causa dessa decoração que ele não serve comida ali, apenas uns traguinhos: caipirinha (10 reais) e cerveja (Brahma e Skol a 7 reais; Seramalte e Original a 8 reais), por exemplo. Carlos Alberto é irmão do ex-meia Antonio Carlos, que nos anos 80 atuou pelo Mogi Mirim, o América do México e o Botafogo carioca. “Ele jogou com o finado Berg, o Josimar e o Alemão”, disse-me. O outro irmão, Paulo Santos, também foi jogador e fez carreira em times de Sergipe, como o Itabaiana e o Lagarto. E por que Carlos Alberto não seguiu o mesmo caminho da família?  “Mano, sou ruim de bola. Mas joguei capoeira”, contou-me.

foto (4)

Xaveco’s Bar. Rua Maria Eugênia Celso, 91-A (em frente à Praça Augusto Rodrigues de Souza). 10h às 14h e 16h à 0h.

Fotos Miguel Icassatti

Bola Bar

Cheguei ao Bola, duas quadras acima da saída do metrô e cuja fachada foi pintada de vermelho, guiado pelos decibéis emitidos (muito acima do suportável) por um carro de som estacionado em frente ao bar. “A Brahma tá bancando”, disse-me o garçom. E o Bola até que se preparou para a Copa: instalou um telão e deixou dois aparelhos de TV ligados na programa. A seleção musical era um pot-pourri de sertanejo, arrocha e até pagode cantado em inglês, estilos bem distintos do que faz supor quem chega ali e repara na decoração, pontuada por painéis fotográficos com imagens de um sorridente Mick Jagger, Beatles, Elvis e Freddy Mercury. Às sextas e sábados, vi num cartaz, há pop e rock ao vivo e aos domingos, sertanejo. No sábado, aliás, a casa fica bem cheia, disse o garçom que me serviu um passável churrasquinho no pão, graças à feijoada (16 reais, para um comensal; 25 reais para dois; 39 reais para quatro). Fiquei curioso para conferir a porção de batata frita servida na telha, com bacon (19 reais) e parmesão (16 reais).

foto (6)

Bola Bar. Rua Maria Eugênia Celso esquina com Rua Inês Monteiro, tel. (11) 2742-3111.

Casa das Empadinhas

Na movimentada via que sai da estação de metrô, e na qual os pedestres em marcha pelo meio-fio parecem ter transformado em um calçadão, essa lanchonete se destaca por suas estufas que exibem salgados às centenas: coxinhas, quibes, bolinhas de queijo e empadinhas em versão miniatura, a preço único de 70 centavos (ou três unidades por 2 reais). Atenta ao fluxo de gringos famintos, a gerência até arriscou descrever em inglês, num destacado papelzinho cor de rosa, o conteúdo de alguns dos itens, caso dos croquetes de carne (meat), das empadinhas de frango (chicken) e das de palmito (palmito, em vez de palm heart).

foto (7)

Casa das Empadinhas. Rua Doutor Campos Moura, 295.

ScarBar

“É fiscalização?”, perguntou-me o dono do bar, Wilson, desconfiado, ao ver-me chegando ao balcão, depois de eu ter tirado uma foto da fachada do boteco. Ao saber que eu estava fazendo uma reportagem, relaxou: “A ficha do bilhar é R$ 1,50, mas já vou parar o jogo para que a freguesia assista ao jogo”. Sobre a grelha da churrasqueira, já em cinzas, vi espetinhos esturricados de carne e de linguiça (4 reais cada um) e, na estufa, duas ou três costelinhas de porco e uma pequena montanha de torresmos gigantes (3,50 reais cada um). Na outra ponta do balcão pude ver uma turma devorando cumbucas de caldinho de mocotó, a 7 reais cada uma, mesmo preço da de feijão e da de vaca atolada (mandioca com costela). Para beber, cerveja Skol e Budweiser a 10 reais o litro, além de Skol e Brahma a 7 reais (a garrafa de 600 mililitros). “Esse é o preço de Copa”, explicou-me, dizendo que ao fim do evento vai baixá-los.

foto (9)

ScarBar. Rua Doutor Campos Moura, 75-B, tel. (11) 3747-5264. 10h/1h (fecha segunda).

Arena Sports Bar

Dos mesmos donos do Bola Bar, o Arena foi aberto em abril de 2014, com vista para a estação de metrô. Tem um ambiente “mais social”, conforme me havia dito o garçom do Bola Bar. Por mais social, entenda-se um salão com um balcão de pedra e uma chopeira, mesinhas de madeira escura, elemento, aliás, que permeia a decoração, que está tinindo de nova. Os preços, ali, são mais elevados: o chope, por exemplo, sai por 5,90 reais e, nos dias de jogo, é servido lamentavelmente em copo de plástico. A caipirinha custa 14,90 reais e os espetinhos, 3,90 reais (de carne, frango e coração). Têm feito sucesso, disse-me o garçom, as porções de  bolinhos de mandioca com carne seca (26,90 reais, com 8 unidades) e a de picanha no réchaud (67,90 reais). Mas àquela hora, com os times de Bélgica e Coreia do Sul perfiladas para cantarem o hino de seus países, ninguém comia. Enquanto a rapaziada postava-se nas mesas mais próximas ao telão, com copos de cerveja ao lado, em uma mesinha de canto próximo à janela, duas garotas tomavam refrigerante e bisbilhotavam nos respectivos aparelhos de celular.

foto (8)

Arena Sports Bar. Avenida Doutor Luiz Aires, 1618, tel. (11) 2639-0462

*publicado por este blogueiro originalmente no blog Clima de Copa, no site de PLACAR

Para esquecer

O cardápio do Mestre: ou como traduzir o nome de um sanduíche para o inglês

O cardápio do Mestre: ou como traduzir o nome de um sanduíche para o inglês

Este post vai contar uma breve história na qual, infelizmente, deu tudo, ou quase tudo, errado, ao menos do meio ao fim. O epílogo, conforme você, leitor, pode constatar está logo acima. Nada me fez conseguir rotacionar a foto para propiciar uam leitura mais confortável. Perdão, portanto, se vier a ter um torcicolo por causa disso.

A própria foto, em si, de minha autoria, é um desastre. Feita com o iPhone 3GS, não tem foco. Mas acho que você consegue ver a pérola por meio da qual o misto frio foi traduzido para o inglês: “mixed”. Muito bom, né?

Fazia uns bons anos que eu não ia ao Mestre das Batidas, boteco que, verdade seja dita, é um herói da resistência em meio a horda de bares sem personalidade na região do Itaim. Cinquentão, foi aberto nos anos 60 e hoje está rodeado por arranha-céus espelhados, que despejam sua nova freguesia, ruidosa e que costuma ocupar toda a calçada em frente nas noites mais quentes – foi-se o tempo em que era possível sentar-se à mesa numa boa para tomar uma cerveja, a batida de coco, célebre, e pedir uma porção de calabresa frita no álcool.

Ou para comer um bolinho de bacalhau, frito na hora. Pois pedi uma cerveja e um bolinho que, infelizmente, vi que jazia ali na estufa e chegou a mim meio murcho, quase frio, ruim, afinal. Razão suficiente para tirar meu humor. A ideia era abrir os trabalhos com o salgado fritinho na hora, quentinho.

Por pouco não fui embora àquela hora. Mas como eu já havia pedido também um americano, resolvi tomar um segundo copo de cerveja, que, ao menos, estava bem gelada. Embora num tamanho GG, o sanduba parece ter sido tirado da chapa antes de o queijo estar totalmente derretido. Não saí com fome mas saí insatisfeito. De bom, só mesmo a sorte de ter conseguido estacionar o carro em frente ao bar.

Mestre das Batidas. Rua Clodomiro Amazonas, 440, Itaim Bibi, tel. (11) 3168-7418.

 

O dia em que tomei uma cerveja com o vocalista do Iron Maiden – ao som de Agepê e Frank Sinatra

Bruce Dickinson, do Iron Maiden: "o piloto"

Bruce Dickinson, do Iron Maiden: “o piloto”

 

O dia, ou melhor, a noite em que tomei umas cervejas com Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, ao som de pagode e Frank Sinatra foi a de ontem, quinta-feira, 19 de setembro de 2013.

Foi assim que tudo aconteceu: Bruce e eu temos um grande amigo em comum, Alexey, ou Alex, com quem estudei no colegial e que o vocalista do Iron conheceu em 1996. Ambos são pilotos e fanáticos por aviação.

Pois bem, pedi ao Alex que intermediasse um contato com Bruce para uma entrevista (a ser publicada em breve na próxima edição especial Abril na Copa). Alex, el Mahandro, não só fez o meio de campo como me ligou no fim da tarde de ontem, dizendo para eu estar por volta das 8 da noite no hotel em que os caras do Iron Maiden estão hospedados.

Foi o que fiz, e às 8 e meia, mais ou menos, cheguei ao Renaissance. Reencontrei Alex, no bar do lobby, em meio a algumas dezenas de fãs — os mesmos fãs, disse-me ele, que afugentaram os integrantes da banda, que queriam ficar relaxando no hotel depois de terem desembarcado de um voo vindo do México.

A ideia era dar um tempo por ali e aguardar o chamado de Bruce. Pedimos uma cerveja (Erdinger, R$ 17,00), colocamos o papo em dia e ficamos por ali até umas 10, quando alguém do staff da banda veio até a gente, convidando-nos para subir ao Havana Club, o bar que fica no mezanino do hotel.

No espaçoso salão à meia-luz, casais dançavam na pista localizada no fundo e ao som de “Deeeeixa eu te amaaaar, faz de conta que sou o primeeeeiro”, o pagode romântico hit de Agepê. À esquerda, o balcão do bar se estende por uns bons 10 metros, e ocupa quase toda a lateral.

Em uma mesinha de canto, ao lado desse balcão, encontramos Bruce Dickinson e dois técnicos da banda, já grisalhos — como Bruce, aliás — com três copos, dos grandes, de caipirinha à frente.

Pelo que pude captar do bum humor dos três gringos, a primeira rodada dos drinques parecia algo distante no tempo. Alex e eu pedimos uma Heineken cada um (R$ 12,00 a long neck), antes que ele e Bruce engatassem uma conversa sobre jumbos, A 380s, A 330s, A 320s, gulfstreams e outros aviões. Entrei no papo quando o assunto migrou para Rock in Rio, família, a turnê.

Antes da saideira, por volta de meia-noite e meia, o DJ ainda presenteou os casais dançantes com Frank Sinatra, Bill Halley e Roberto Carlos. Bruce tomava mais uma caipirinha.

Havana Club. Alameda Santos, 2233, Hotel Renaissance, Jardim Paulista, tel. (11) 3069-2233.

 

 

 

 

Bar do Luiz: 43 anos em 12 horas de botecagem

Bar do Luiz: festança no Sambódromo

Bar do Luiz: festança no Sambódromo

Ainda dá tempo de garantir o ingresso para a quarta edição da festa “12 Horas de Boteco”, que o Bar do Luiz Fernandes vai realizar neste sábado, 24 de agosto, no Sambódromo do Anhembi, para celebrar os seus 43 anos de vida.

A partir das 15h10, vão rolar shows, em sequência, de Ana Clara, Bala de Troco, Toquinho, Leci Brandão, Demônios da Garoa, Diogo Nogueira, Osquestra Voadora, Mariene de Castro, Samba da Vela, Arlindo Cruz e a bateria da Mocidade Alegre.

O ingresso para a maratona custa R$ 300,00 e dá direito a uma camiseta da festa, acesso aos shows e consumo de bebidas e petiscos à vontade. Além dos famosos e deliciosos bolinhos de bacalhau do bar, será possível degustar as receitas das casas convidadas: o restaurante Mocotó, o Veloso Bar, a kombi do Rolando Massas, a churrascaria Anhembi e  o japonês Sushi Hiroshi.

São esperadas 6.000 pessoas na festa.

Informações: http://www.bardoluizfernandes.com.br

 

No meio do caminho tinha três botecos

Bar da Lôra: o melhor do Mercado Central de BH

Bar da Lôra: o melhor do Mercado Central de BH

Este texto está sendo escrito e publicado com 26 dias de atraso, mas em se tratando de botecos belorizontinos, é sempre tempo de correr atrás do tempo perdido.

Minha visita mais recente a Belo Horizonte ocorreu no dia 26 de junho, quando fui acompanhar a semi-final da Copa das Confederações, a da vitória do Brasil sobre o Uruguai.

Pois bem. Uma vez que meu voo havia chegado por volta das 10 da manhã em BH, não consegui fazer o check-in no hotel antes do meio-dia. Aproveitei as duas horinhas livres daquela manhã ensolarada e segui para o Bar da Lôra, no Mercado Central, um dos meus botecos prediletos na cidade.

Ex-campeão do festival Comida di Buteco e quinto colocado na edição deste ano, o bar já estava cheio àquela hora. Motivos, na verdade, não faltam para que a freguesia cerque o pequeno balcão a que se resume o estabelecimento instalado numa esquina do mercado. O mais novo deles, ao menos para um forasteiro como eu, é o versão da lôra, tira-gosto que a casa inscreveu no festival. Compõe-se de linguiça, angu (polenta, para os paulistanos), carne de panela, jiló em conserva, mandioca cozida e um molho de linguiça que poderia muito ser oferecido sozinho, como um caldinho servido em copo americano rodeado por fatias de pão francês. Espetacular e com sustança suficiente para segurar a onda depois de uma megadose de cachaça Vale Verde e alguns copos de Original.

Durante o jogo, encontrei-me com Eduardo Maya, que vem a ser o melhor cicerone da cidade de BH. Não bastasse sua generosidade em receber a todos, foi ele quem criou, justamente, o Comida di Buteco. Uma vez mais ele surpreendeu, e desta vez não só a mim, mas também aos colegas paulistanos com que fui ao Mineirão — que, aliás, está mais lindo do que antes.

Bar do Véio: linguiça de arroz carreteiro, a invenção do ano

Bar do Véio: linguiça de arroz carreteiro, a invenção do ano

Seguimos, então, para o Bar do Véio, que fica escondido ali no bairro Caiçara, em um rápido desvio no meio do caminho entre a Pampulha (onde fica o Mineirão) e a região central. Ali tive a chance de degustar o que para mim, até o momento, é a invenção do ano: uma linguiça recheada de arroz carreteiro, que corresponde a 50% da porção tropa mineira. Os outros 50% são preenchidos com croquetes de mandioca deliciosos. A foto acima mostra bem o que é a linguiça de arroz carreteiro. É ou não é a invenção do ano?

Dali seguimos para o João da Carne, o terceiro e último botecaço do dia. Terceiro e último, convém dizer, porque o grau etílico da caravana paulistana foi vencido pela cerveja e pela soberba maciez da picanha servida pelo seu João, que atende ao público em companhia dos filhos.

João da Carne: orgulho do Carlos Prates / Fotos: divulgação Comida di Buteco
João da Carne: orgulho do Carlos Prates / Fotos: divulgação Comida di Buteco

Também contribuiu para que decidíssemos encerrar a noitada ali, a porção sonho de valsa, que reúne linguiça de carne de sol, linguiça de pernil, mandioca cozida no açafrão com creme de cebola, geleia e pimenta biquinho.

Em Beagá é assim. Sempre tem um boteco, ou dois, ou três, no meio do caminho.

Bar da Lora. Avenida Augusto de Lima, 744 loja 115, Mercado Central (saída Rua Santa Catarina), tel. (31) 3274-9409.

Bar do Véio. Rua Itaguaí, 406, Caiçara, tel. (31) 3415-8455.

João da Carne. Rua Sabinópolis, 172, Carlos Prates, tel. (31) 3462-4899.

Sabiá desafinado

Sabiá: nem tão bom, nem tão ruim / Foto: Mario Rodrigues

Sabiá: nem tão bom, nem tão ruim / Foto: Mario Rodrigues

Dias atrás, fiquei no trabalho até mais tarde para evitar, na volta para casa, os transtornos decorrentes de mais uma manifestação na Paulista. Bateu a fome e tive de caçar algum bar com a cozinha aberta depois da meia-noite.

Eu não voltava ao Sabiá desde 2008, 2009, por aí. O salão vivia vazio, até que, de fato, fechou. O bar foi reaberto em 2011 e desde então uns amigos vinham comentado que, agora sim, o bar estava enchendo, legal e tal, e resolvi passar por lá.

O apetite, dizem, é o melhor cozinheiro. Mas convém não abusar de sua boa vontade, certo?

Pois é. Cheguei com fome e com sede e logo pedi um chope (bem tirado, R$ 5,50) e um pastel de camarão (gostoso, bem recheado, R$ 8,00).

Com o estômago já tranquilizado, relaxei e pedi uma dose de Claudionor (R$ 6,30), mais um sanduíche de bife à milanesa com rúcula (R$ 20,00).

Mas errei feio na pedida. E o bar desafinou legal na produção do sanduba. A começar pelo pão, que veio um pouco murcho. Para mim, se estiver 0,1% murcho, já é razão para reprovar. Com pão eu não brinco. E o recheio, confesso, me decepcionou. Faltou sal, tempero, sabor. Não valem os R$ 20,00 cobrados.

Antes de ir embora, tive tempo de flagrar algo que não gostaria. Eu estava aguardando pela nota fiscal, no caixa, quando vi um garçom devolvendo um copo de caldinho de feijão para o cozinheiro. O freguês havia reclamado da temperatura. Em vez de servir uma porção nova, aquecida, direto da panela, o que fez o cozinheiro?

Mandou pro microondas. Imperdoável.

Sabiá. Rua Purpurina, 370, Vila Madalena, tel. (11) 3032-1617.

 

O Cão Véio é legal mesmo?

Balcão do Cào Véio / Foto: Miguel Icassatti

Minutos depois que postei a foto acima no Instagram e no Facebook, um amigo me perguntou: “e aí, o Cão Véio é legal mesmo?”

Pensei um pouco, demorei alguns minutos a responder e disse: “Eu gostei, velho”.

Entendo a pergunta do meu amigo. Fazia tempo que não havia tanta expectativa diante da abertura de um bar, como ocorre agora com o Cão Véio.

Afinal, entre os idealizadores do bar estão o músico Badauí, da banda CPM 22, e o chef Henrique Fogaça, do restaurante Sal.

Cão Véio: gastropub / Foto: Fernando Moraes

O que primeiro chama a atenção do bar é a quantidade de tatuagens exibidas pelos garçons, garçonetes, barman, clientes e patrões. Sem essa fauna, o bar perderia muito de sua atmosfera.

Se Badauí dá expediente atrás do balcão do bar todas as noites, a presença de Fogaça se aparece nas receitas que ele criou. É comida substanciosa, em que diferentes variedades de carne são a base, muito bem preparadas, aliás.

Provei o pedigree, uma espécie de escondidinho de cabrito com queijo gratinado (talvez maçaricado). Custa R$ 18 a porção individual, que é pequena, mas como dizia minha vó Leonor, “sustenta”.

Em seguida, pedi um sanduíche de copa lombo com vinagrete de maçã (R$19). Para quem esperava algo gordo, me surpreendi com a extrema leveza da textura e do sabor. A carne estava desfiada e cozida na medida ideal.

Para beber, há cerca de quarenta rótulos de cerveja à venda. Eu estava a fim de tomar uma Duvel, mas os R$ 30 pedidos pela garrafa – no Mambo, você compra por R$ 13 — me fizeram migrar para uma Eisenbahn Strong Golden Ale (R$ 13) e depois para uma Rogue American Pale Ale (R$ 18).

É para esse capítulo das bebidas, portanto, que vai minha gongada: senti falta de uma ou duas opções de cerveja de garrafa que me custasse menos de 10 reais.

Mas no fim das contas e em complemento à pergunta feita pelo meu amigo lá no início desse texto, eu diria que o Cão Véio entrega o que promete: comida bem feita, bebida decente e um astral de pub bem legal.

Cão Véio. Rua João Moura, 871, Pinheiros, tel. (11) 4371-7433.

 

 

O melhor sanduíche do mundo


Pão, carne, repolho e maionese. Sem mais / Foto: Miguel Icassatti

Quando o Peru’s mudou de endereço, em 2007, do velho, acanhado e surrado salão na Rua Júlio de Castilhos para o megaponto na Rua Cajuru, eu choraminguei. O velho boteco do Belenzinho, em que eu comia o maior e melhor churrasco da minha infância, havia se tornado um restaurante enorme, com decoração mais moderna, serviço de bufê e estação de grelhados, mais ou menos como um daqueles restaurantes de estrada, tipo Graal.

Por isso, quando quero comer o melhor sanduíche do mundo, me acomodo no balcão logo à entrada e guardo uma distância respeitosa para o salão. Não consigo mais ver a chapa pelando de quente, a carne fritando, a fumaça mas fico de olho na boqueta, à espera do meu lanche.

Nesses últimos seis anos, voltei ao Peru’s umas três ou quatro vezes — menos do que gostaria — e, na real, pude constatar que naquilo que o Peru’s me é caro, que é fazer o melhor sanduíche do mundo, ele continua o mesmo, inigualável.

O melhor sanduíche do mundo compõe-se de pão francês crocante, contra-filé temperado, molho de repolho e maionese (R$ 13,60). Na versão completa, a do segundo melhor sanduíche do mundo, cabem ainda alface, queijo e tomate (R$ 15,70).

Felizmente, o meu sanduba continua o mesmo. Fui eu quem mudei, troquei o guaraná da infância pelo chopinho.

Peru’s. Rua Cajuru, 1164, Belenzinho, tel. (11) 2694-6861, http://www.perussandubas.com.br

 

Vinho e cerveja futebol clube

Este post há de ter mais serventia aos preguiçosos e/ou àqueles que, como eu, têm ficado injuriados com os preços que os bares e os restaurantes andam, como dizem por aí, “praticando”. Dos R$ 7,50 que até tu, Coqueiro Drinks, vem pedindo pela Serramalte, aos R$ 21,00 que paguei na segunda-feira ao manobrista do japonês Ohka, no Itaim, para que meu carro fosse deixado na calçada do vizinho, ninguém merece escapar da bronca.

Mas é o seguinte: a importadora de vinhos paulistana Zahil e a loja e cervejaria Clube do Malte, de Curitiba, criaram seus clubes de bebidas. O serviço funciona assim:

1. Tanto a Zahil quanto o Clube do Malte fazem uma seleção mensal de rótulos e montam um kit;
2. O cliente escolhe o kit de acordo com seu perfil (no caso da Zahil existem as opções “curioso”, “apreciador”, “conhecedor”, em que cada uma delas apresenta dois bons vinhos por mês, de diferentes faixas de preço);
3. Feita a seleção, o freguês seleciona a periodicidade da assinatura — quanto mais longo o período, mais barato sera o preço médio de cada garrafa;
4. As bebidas são entregues no endereço do cliente.

A meu ver, a adesão a esses clubes é vantajosa, ainda mais para aqueles que pretendem consumir bebidas indicadas por especialistas. Ok, eles querem vender seu peixe mas entendem do riscado e irão sugerir tipos e rótulos que o freguês provavelmente desconhecia.

Vinho australiano The Stump Jump: no kit da Zahil

A assinatura trimestral da seleção “curioso” da Zahil, por exemplo, é a mais em conta: sai por R$ 315,00 (na média, cada uma das seis garrafas entregues no período custa R$ 52,50; no catálogo da importadora, o australiano The Stump Jump, incluído na seleção de setembro, sairia a R$ 67,00).

No Clube do Malte, a assinatura de seis meses vale 6 x R$ 75,90 e dá direito a quatro rótulos por mês. Há outras e boas opções. Para quem quiser fazer um teste, recomendo encomendar um “beer pack” avulso. Recebi o meu em casa direitinho, cerca de dez dias depois de o pedido ter sido feito. A versão contendo seis cervejas do tipo ale, importadas e nacionais, sai a R$ 114,90; se os rótulos forem comprados individualmente, a conta baterá nos R$ 140,00. A embalagem, bem como as garrafas, chegaram intactas. Ou seja, não há razão para se preocupar com a turbulência do voo entre Curitiba e Cumbica nem com os buracos da Régis Bittencourt, qualquer que tenha sido o tipo de frete.

Cerveja Brookly Brown Ale, dos EUA: no kit do Clube do Malte / Foto: divulgação

De quebra, tanto na Zahil como no Clube do Malte, se a compra for feita com cartão de crédito, seu saldo de milhas aéreas vai ganhar uns pontinhos. Bom negócio, não?

Serviço:
Zahil Vinhos: http://www.vinhoszahil.com.br
Clube do Malte: http://www.clubedomalte.com.br