O boteco mais seguro do Rio de Janeiro

Demorou um bocado, mas finalmente fui conhecer o Pavão Azul, boteco localizado na esquina as ruas Barata Ribeiro e Hilário de Gouveia, em Copacabana.

Foi uma visita rápida, é bem verdade, a meio caminho entre Ipanema e o Aeroporto Santos Dumont, quarta-feira passada.

Mas com tempo suficiente para pescar, acho eu, um tiquinho da alma do bar que — diferentemente de outros botecos da Zona Sul carioca, que costumam valer-se da fortuna de sua localização como vantagem competitiva, esquecendo-se do que realmente importa: atendimento, comida e bebida.

Percebi verdade naquelas pataniscas (uma espécie de primo pobre e disforme do bolinho de bacalhau, R$ 2,30 a unidade) e no chope, servido em copo adequado (tipo Hannover, com pezinho).

Não consegui me acomodar em uma das mesas sobre a calçada, mas o garçom deu um jeito de me arranjar uma banqueta, sobre a qual coloquei copo, petiscos e porta guardanapos, quase no meio-fio. A uns 5 metros de distância, alguns clientes tomavam cerveja e conversavam, encostados nos carros parados nas vagas a 45 graus.

A uma distância ainda menor, duas freguesas trocavam segredos, copo de cerveja na mão, pernas cruzadas e cadeiras descansando sobre o capô de um carro da polícia, também estacionado ali — a 12ª Delegacia de Polícia fica ali em frente, no que deve fazer do Pavão Azul o bar mais seguro do Rio de Janeiro.

Pavão Azul. Rua Hilário de De Gouveia, 71, Copacabana, tel. (21) 2236-2381.

O duelo das porchettas: Nova York x Itapecerica da Serra

Foi meu compadre Caio Mariano quem recomendou, de última hora, pelo what’sapp: “tenta ir no Porchetta”. Era meu penúltimo dia em Nova York e, ao ler a dica dele pensei: Caio não blefa, restam-me umas horinhas, vou fazer de tudo para ir lá.

E fui, e aproveitei para me encontrar com duas amigas ali, na porta do que eu imaginava ser um restaurante italiano. E tomei uma surpresa: até agora tenho dúvidas se o Porchetta é um restaurante (pequeno demais para isso, com assentos apenas em dois balcões internos e do lado de fora) ou um bar (não pode ser, pensando bem, já que não vi muita coisa para beber). Talvez seja uma lanchonete. O fato é que é o chamariz da casa é a receita da porchetta alla romana — na verdade o bar-restaurante-lanchonete prepara também um sanduíche de frango com acompanhamentos.

Originária da Emilia-Romagna, no centro da Itália, a porchetta é um corte que pega toda a lateral de um leitão, que por sua vez vai ao forno completamente desossado. A pele, porém, é mantida. Após muitas horas, umas cinco, pelo menos, assando a uma temperatura de 250 graus, essa capa ganhará uma deliciosa consistência de pururuca — generosamente, o Porchetta publica em seu site a receita.

Eu pedi a versão sanduba — do mesmo modo como se come nas ruas da região de Roma (12 dólares) — e a carne estava com uma textura macia, enriquecida pelo bom tempero de alecrim e outras ervas. O pão ciabata, crocante, era dos bons, menos aerados do que as ciabatas que costumamos comer nas padocas de São Paulo.

Essa surpresa novaiorquina me fez lembrar da primeira vez que provei a porchetta: foi na costelaria Rancho do Vinho, em Itapecerica da Serra. Faz uns quinze anos, eu era repórter da Playboy e havia ido até lá para experimentar a costela e conferir a adega da casa que, na ocasião, guardava uma considerável oferta de vinhos brasileiros.

Lembro-me do proprietário e chef Celso Frizon tirando lasca por lasca do interior da porchetta exposta no meio do salão desse restaurante à beira da rodovia Régis Bittencourt. A carne saia úmida, branquinha e muito bem temperada para rechear as duas bandas de pão francês.

Celso continua preparando a própria versão da porchetta alla romana, mas apenas sob encomenda e no Dr. Costela, novo nome do Rancho do Vinho. Para a receita, Celso lança mão de leitõezinhos de 7 a 8 quilos. Recheados com carne suína selecionada, ervas frescas, embutidos e outros temperos, a porchetta chegará aos 15 quilos e ficará pronta depois de 17 horas de forno. Por cada quilo, Celso cobra 65 reais.

Qual das duas é a melhor? A menos que você consiga ir a Nova York, confie em mim: sinceramente, temos aqui um empate.

Porchetta. 110 East 7th Street, Nova York, tel. 212-777-2151, http://www.porchettanyc.com

Dr. Costela. Rodovia Régis Bittencourt, quilômetro 293,5, Itapecerica da Serra (SP), tel. (11) 4147-1557, http://www.drcostela.com.br.

 

Mi Palermo querido, papá!

O zôo do Buenos Aires: centenário

O zôo do Buenos Aires: centenário

Tenho certeza absoluta: para Maria Cecília, o colo do papai é o melhor lugar do mundo. Disputam o segundo posto na preferência da minha filhota os colos do vovô Gê, da mamãe, das vovós, titias e, desde o fim de semana passado, as ruas de Palermo, o querido bairro portenho.

Em sua primeira visita a Buenos Aires, Ciça, a nenê globetrotter, parecia sentir-se em casa. Embirrou, tagarelou, disparou algumas vezes pelas calles Thames, Serrano e Honduras, pelo saguão do Aeroparque, fez amigos nos restaurantes, brincou na areia, pirou no zoológico e cantou parabéns à mamãe, aniversariante.

Este foi meu quinto encontro com Buenos Aires. Na verdade, o mais correto é dizer que foi o quarto reencontro com Palermo Viejo, e só com Palermo Viejo, já que desta vez não saí do bairro, que conheci em 2004, na minha primeira viagem à cidade, e pelo qual fiquei imediatamente arrebatado. Gosto muito de seus prédios residenciais, de suas praças, bares e restaurantes, de suas lojinhas e kioskos, de suas casas e árvores desfolhadas no inverno, das ruas largas e retíssimas.

Saímos de São Paulo, Ciça, Camila e eu, na sexta, ao meio-dia, e desembarcamos em Ezeiza por volta das 3 da tarde. A corrida a bordo do táxi oficial do aeroporto até o hotel (Aspen Square, muito bom e bem localizado) custou-nos 240 pesos (100 reais). O voo de volta, na noite de domingo, partiria do Aeroparque, a vinte minutos e 40 pesos de Palermo. Portanto, vai aqui uma dica: tente sempre pousar e decolar desse aeroporto, para ganhar tempo e economizar dinheiro.

Contra a tentação de encarar uma parrilla logo nas primeiras horas em Buenos Aires, jantamos no italiano La Baita (Thames, 1603), a 700 metros do hotel e ao qual chegamos após uma agradável caminhada. Na verdade, Ciça pareceu ter se empolgado mais com o restaurante do que eu, já que resolveu circular por entre as mesas e explorar o restaurante, antes de voltar para meu colo e se deliciar com as galhetas, grissinis e pãezinhos do couvert. O ambiente é aconchegante, a carta de vinhos tem umas três dezenas de rótulos a preços razoáveis (tomei um Clos de los Siete por um valor equivalente a uns 70 reais), mas o cardápio decepcionou-me. Pedi uma milanesa com batatas e anchovas, que pesou mais do que o esperado no estômago.

No fim da manhã de sábado, seguimos direto para o Zoológico, a três quarteirões de distância. O zôo de Buenos Aires (35 pesos a entrada) não é grande, mas rende uma boa diversão. Muitas das jaulas, viveiros e áreas reservadas aos animais estão ali desde a fundação, em 1888. Maria Cecília empolgou-se com o elefante, o camelo, o filhote de hipopótamo, os rinocerontes e as lhamas.

Dali, caminhamos meio sem destino pelas transversais e paralelas à larga e bela Avenida Libertador e chegamos ao Voulez Bar, que fica numa esquina do bulevar Cerviño. Nesse bar, nem o colo do papai nem o da mamãe tiveram vez. Ciça deu um pequeno show, chiou, fez manha e só se acalmou quando lhe demos uns calmantes, digo, biscotinhos de polvilho. Quero voltar lá para comer um dos bonitos e enormes sanduíches, ou mesmo repetir a dose com o filé de frango acompanhado de purê de abóbora.

Na dúvida entre esticar para o Malba ou voltar ao hotel para fazer uma parada estratégica e acalmar a pequena, seguimos pelo bulevar Cerviño até que, poucos passos adiante, Ciça dormiu. Pudemos, assim, fazer uma paradinha em um café ao lado do parquinho infantil vizinho ao Jardim Botânico.

Ciça e seu amigo Santiago: a integração latinoameriacana é possível

Ciça e seu amigo Santiago: a integração latinoameriacana é possível

Ao fim do café, Ciça acordou, com toda a energia do mundo. Não poderíamos estar em um lugar melhor, ao lado do parquinho. Em meio à criançada, ela deu uns passos hesitantes, segurando em minha mão, até que a soltou e se entregou ao tanque de areia, onde fez amizade com dois garotinhos portenhos, os xarás de nome Santiago. No único momento de tensão dessa etapa do passeio, ela tirou o rastelinho da mão de Santiago I, que por sua vez abraçou o baldinho: — Noooo, Ciçaaaaa!

Já de volta ao hotel, fralda trocada, deixamos mamãe aniversariante descansar e andamos alguns quarteirões até a Calle Honduras, para comprar seu presente. Estava anoitecendo, muita gente nas ruas, e àquela hora Palermo ganha uma luminosidade toda especial, graças ao embate entre o sol a se pôr e a iluminação pública.

Ciça e o blogueiro, num tranquilo passeio no fim de tarde palermitano

Ciça e o blogueiro, num tranquilo passeio no fim de tarde palermitano

No jantar de sábado, finalmente fomos a uma parrilla, no caso La Retirada. Típica casa de carnes argentinas, cujos cortes são assados em forno de barro. Dividimos um ojo de bife ao ponto, que na verdade veio passado além da conta, considerado o padrão argentino. Ainda assim, estava saboroso. E Ciça, sonhando com os anjinhos.

Acordamos tarde no domingão — tarde, é bom dizer, significa 8h30 da matina, já que Ciça desperta entre 6h30 e 7h —, em tempo de pegar o bom e farto café da manhã do hotel. Assim, fizemos o check-out sem pressa. Deixamos as malas guardadas ali e tomamos a rua em direção ao La Cabrera, o meu restaurante predileto por lá.

O salão do La Cabrera: um dos prediletos dos brasileiros, entre os quais este blogueiro

O salão do La Cabrera: um dos prediletos dos brasileiros, entre os quais este blogueiro

Arrisco dizer que essa parrilla é quase uma embaixada brasileira, assim como o La Brigada, em Santelmo, e o Cabaña Las Lillas, no Puerto Madero. Pela relação entre custo e benefício, eu fico com ela e com cortes como o asado de centro (asado de tira/ costela), o bife de chorizo, o fantástico ojo de bife e as empanaditas fritas. E também por causa do serviço: durante a espera de quase uma hora, na calçada, serviram-nos de um drinque aperitivo e chouriço (linguiça). Já no salão, fomos atendido pelo garçom Chiche que, ao saber que era aniversário de minha Camila, ofereceu-nos duas taças de espumante e um pudim de leite, sobre o qual colocou uma vela para cantarmos parabéns. Ciça, no colo da mamãe, provou um doce pela primeira vez em sua vida, justamente, duas ou três colheradas do pudim de aniversário.

Maria Cecília, uma vez adocicada, ficou ligadona, feliz da vida. E não se deu conta de que o melhor lugar do mundo não é o colo do papai, nem Palermo, nem Buenos Aires. Mas, sim, todo e qualquer lugar em que o papai e a mamãe puderem estar ao seu lado.

 

 

No meio do caminho tinha três botecos

Bar da Lôra: o melhor do Mercado Central de BH

Bar da Lôra: o melhor do Mercado Central de BH

Este texto está sendo escrito e publicado com 26 dias de atraso, mas em se tratando de botecos belorizontinos, é sempre tempo de correr atrás do tempo perdido.

Minha visita mais recente a Belo Horizonte ocorreu no dia 26 de junho, quando fui acompanhar a semi-final da Copa das Confederações, a da vitória do Brasil sobre o Uruguai.

Pois bem. Uma vez que meu voo havia chegado por volta das 10 da manhã em BH, não consegui fazer o check-in no hotel antes do meio-dia. Aproveitei as duas horinhas livres daquela manhã ensolarada e segui para o Bar da Lôra, no Mercado Central, um dos meus botecos prediletos na cidade.

Ex-campeão do festival Comida di Buteco e quinto colocado na edição deste ano, o bar já estava cheio àquela hora. Motivos, na verdade, não faltam para que a freguesia cerque o pequeno balcão a que se resume o estabelecimento instalado numa esquina do mercado. O mais novo deles, ao menos para um forasteiro como eu, é o versão da lôra, tira-gosto que a casa inscreveu no festival. Compõe-se de linguiça, angu (polenta, para os paulistanos), carne de panela, jiló em conserva, mandioca cozida e um molho de linguiça que poderia muito ser oferecido sozinho, como um caldinho servido em copo americano rodeado por fatias de pão francês. Espetacular e com sustança suficiente para segurar a onda depois de uma megadose de cachaça Vale Verde e alguns copos de Original.

Durante o jogo, encontrei-me com Eduardo Maya, que vem a ser o melhor cicerone da cidade de BH. Não bastasse sua generosidade em receber a todos, foi ele quem criou, justamente, o Comida di Buteco. Uma vez mais ele surpreendeu, e desta vez não só a mim, mas também aos colegas paulistanos com que fui ao Mineirão — que, aliás, está mais lindo do que antes.

Bar do Véio: linguiça de arroz carreteiro, a invenção do ano

Bar do Véio: linguiça de arroz carreteiro, a invenção do ano

Seguimos, então, para o Bar do Véio, que fica escondido ali no bairro Caiçara, em um rápido desvio no meio do caminho entre a Pampulha (onde fica o Mineirão) e a região central. Ali tive a chance de degustar o que para mim, até o momento, é a invenção do ano: uma linguiça recheada de arroz carreteiro, que corresponde a 50% da porção tropa mineira. Os outros 50% são preenchidos com croquetes de mandioca deliciosos. A foto acima mostra bem o que é a linguiça de arroz carreteiro. É ou não é a invenção do ano?

Dali seguimos para o João da Carne, o terceiro e último botecaço do dia. Terceiro e último, convém dizer, porque o grau etílico da caravana paulistana foi vencido pela cerveja e pela soberba maciez da picanha servida pelo seu João, que atende ao público em companhia dos filhos.

João da Carne: orgulho do Carlos Prates / Fotos: divulgação Comida di Buteco
João da Carne: orgulho do Carlos Prates / Fotos: divulgação Comida di Buteco

Também contribuiu para que decidíssemos encerrar a noitada ali, a porção sonho de valsa, que reúne linguiça de carne de sol, linguiça de pernil, mandioca cozida no açafrão com creme de cebola, geleia e pimenta biquinho.

Em Beagá é assim. Sempre tem um boteco, ou dois, ou três, no meio do caminho.

Bar da Lora. Avenida Augusto de Lima, 744 loja 115, Mercado Central (saída Rua Santa Catarina), tel. (31) 3274-9409.

Bar do Véio. Rua Itaguaí, 406, Caiçara, tel. (31) 3415-8455.

João da Carne. Rua Sabinópolis, 172, Carlos Prates, tel. (31) 3462-4899.

Mistura confusa

Foto: Xando Pereira

Foto: Xando Pereira

Se ousasse definir Itapuã, eu diria que esse bairro onde fica a famosa praia estão mais para Lauro de Freitas, Arembepe, Itacimirim e Praia do Forte do que propriamente para Salvador. Parte integrante da orla norte da capital baiana, Itapuã fica a cerca de 30 quilômetros da região mais central e turística da cidade, composta pelo emaranhado de bairros formado por Barra, Ondina, Rio Vermelho, Pituba, Nazaré, Campo Grande e Pelourinho. Para quem quer distância do fervor soteropolitano e busca pedaços de areia mais sossegados, sol e coco fresco, Itapuã é o que há.

Condomínios residenciais e pousadas escoltam o farol, à esquerda e à direita, tendo o mar verde azulado e bravo à frente, em trechos com pedras que formam piscinas naturais e curtas faixas de areia divididas por poucos banhistas e surfistas locais – bem, ao menos foi o que vi no fim de semana passado.
Para minha sorte, é por ali que fica o restaurante Mistura, especializado em peixes e frutos do mar, que eu queria conhecer havia tempos. Para falar a verdade, a visita não empolgou.
Para fugir do lugar comum das moquecas, pedimos, eu e minha mulher, o robaleto com legumes (R$ 54,00) e o penne ao molho cremoso de camarão (R$ 49,00).
O cardápio descreve que no molho da massa entra queijo grana padano. Se entra mesmo, deve ser tão pouquinho que não percebi. Ao menos o ponto de cozimento do penne e do camarão estava bom, correto.
Já o robaleto mostrou-se absolutamente insosso. O sabor sumiu em meio ao do tomate concassê e o leve amargor dos aspargos que acompanham o pescado.
Para beber, pedimos uma garrafa do chileno Terranoble Sauvignon Blanc 2011 (R$ 68,00) e água mineral – confesso que fiquei surpreso quando veio à mesa uma garrafa da água italiana Panna, por caros R$ 13,00.
E fiquei incomodado com o atendimento. O garçom demorou ao menos 10 minutos para terminar de nos atender, porque começava a tomar nota de uma coisa, parava para atender a mesa ao lado, voltava a falar conosco e interrompia novamente o serviço.
Espero que na próxima vez que voltar à casa a experiência seja melhor.
Mistura.Rua Professor Souza Brito, 41, Itapuã, Salvador, tel. (71) 3375-2623, http://www.restaurantemistura.com.br.

Um peruano em Brasília

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Foto: Ligia Skowronski

 

Em viagem a Brasília no fim de semana passado para a cobertura da estreia da seleção brasileira na Copa das Confederações, jantei no sábado na companhia de amigos no peruano Taypá.

Meus amigos alertaram-me que a casa é um sucesso na capital do país, razão pela qual tivemos de chegar às 20 horas ao restaurante. Nós não havíamos feito reserva.

De fato, a casa lotou logo depois que chegamos, mérito do chef Marco Espinoza, peruano que comanda também o Lima Gastrô Bar, no Rio de Janeiro, e de seu auxiliar, o compatriota Giancarlo Arakaki.

Eles propõem mudanças no cardápio a cada seis meses e, entre as novidades, está a adoção de pratos da cozinha nikkei, que funde as gastronomias andina e japonesa.

Eleito o melhor restaurante da cidade pelos jurados da edição “Veja Brasília – Comer & Beber 2013/2014”, o Taypá apresentou altos e baixos na minha visita.

A noite começou muito bem. Éramos cinco à mesa e pedimos, de entrada, o ceviche taypá (R$ 52,00), uma série de três tipos diferentes dessa especialidade, à escolha do cliente. Optamos pelos de atum com leche de tigre (caldo de peixe com alho, gengibre e limão), criollo (peixe branco e polvo com crème de coentro) e o clássico, apenas de peixe.

Para acompanhar, pedimos uma garrafa do Leyda Sauvignon Blanc (R$ 65,00, talvez um pouco menos, se não me engano). Uma delícia.<

Quando partimos para os pratos principais, fiquei um tanto decepcionado com minha pedida, o cerdo glaseado en soya (barriga de porco ao shoyu com aroma de especiarias, acompanhada de arroz salteado oriental, R$ 48,00). Embora o ponto de cozimento estivesse bom — a carne fica cinco horas na panela —, o sabor do shoyu dominou o prato e roubou o sabor da carne. Um lamentável desequilíbrio.

Em compensação, fechamos bem a noite com um malbec ao qual sempre reputo boa relação entre preço e qualidade, o argentino Alto las Hormigas.

Taypá. SHIS QI 17, conjunto F, loja 208, Fashion Park, Lago Sul, (61) 3248-0403 e 3364-0403. http://www.taypa.com.br.

Bowie, Berlim e KaDeWe

Detalhe do piso gourmet da KaDeWe / Foto: Miguel Icassatti

 

Este 8 de janeiro que já está quase acabando em um provável dilúvio aqui em São Paulo  marca o aniversário de pessoas queridas, entre elas David Bowie (espero que a chuva não faça faltar energia elétrica em casa, para que eu possa ouvir Space Oddity na minha vitrolinha Bel Air 1973 daqui a pouco).

Pois eis que no dia de hoje Bowie divulga um novo single, Where are you now?, coisa que não fazia há muito tempo (veja o clipe no link http://www.youtube.com/watch?v=FOyDTy9DtHQ&feature=share).

Na canção e no vídeo ele cita Berlim, em endereços como a Potsdamer Platz e a KaDeWe, sobre a qual escrevi neste mesmo blog em 2008.

Como bateu uma nostalgia danada de Berlim, reproduzo aqui trechos daquele velho post escrito durante minhas férias, diretamente da Alemanha, em versão editada. Acho que ainda está valendo:

“Pois estive em Berlim pela terceira vez, durante quatro dias na semana passada (perdão, mas as postagens não estão acompanhando devidamente o ritmo da viagem. Estou de férias, compreendem?). Das cidades que conheço, Berlim é a que mais me tocou. Conheci Berlim em 2003, na mesma viagem em que descobri Paris e Londres. É claro que me encantei por esses dois destinos, mas Berlim, em duas noites, me pegou de jeito, justamente porque eu não esperava encontrar toda aquela energia.

Voltei em 2006, durante a Copa do Mundo, quando percorri a Alemanha de sul a norte a bordo de um motorhome, com meus amigos de faculdade Alexandre Scaglia e Beto Gomes. Viagem inesquecível, em que assistimos a estreia do Brasil, comemorada num boteco ao lado do Estádio Olímpico no meio de um exército de croatas bêbados. Num exemplo de fair play, trocamos camisetas, contamos como se pronuncia alguns palavrões nos respectivos idiomas e tomamos muita, mas muita cerveja.

Desta vez (nota de 2013: em 2008) fiquei hospedado no bairro de Kreuzberg, que é repleto de bares. Nas margens do rio Spree e de seus canais (aliás, pouco se fala da belez que é a Berlim cortada por canais) há alguns deles, assim como em vias importantes como a Oranienstrasse. Um bar ao lado do outro, um restaurante italiano colado num asiático e assim por diante.

É diferente de Prenzlauerberg, bairro que fica na área correspondente à da antiga Berlim oriental, e que vem sendo restaurado a uma velocidade incrível. Velhos prédios tornam-se apartamentos de luxo e pontos comerciais deteriorados dão lugar a cafés e bares charmosíssimos que, aos domingos, ficam lotados de gente já pela manhã, para o brunch.

Nos quatro dias em que passei por Berlim, perdi a conta dos bares em que parei para uma cerveja ou mesmo um vinho. Em meio a eles, aproveitei para rever a KaDeWe, uma megaloja de departamentos que fica na regiao da Ku’Damm, uma das vias mais movimentadas da cidade.

Antes que o leitor pense que vai ler dicas de descontos e liquidações de grifes, convém avisar que a missão do blogueiro ali era a de subir diretamente ao sexto andar, o piso gourmet.

Chamar aquilo ali de Piso gourmet é questão de modéstia. Melhor propor o seguinte: imagine o Mercado Central de São Paulo, com seus boxes de frutas, frios, peixes. Pense agora que as dasluzetes passaram por lá e fizeram uma megafaxina, deram um banho de esguicho e de loja nos donos e nos funcionários dos boxes.

É mais ou menos essa a impressão que se tem do sexto andar da KaDeWe. Há córneres com vinhos à venda (juro que vi uma garrafa do brasileiro Miolo Lote 43 não muito longe de um Chateau Pétrus), três ou quatro boxes de frios e salsichas de todos os tipos, prateleiras e mais prateleiras de cervejas, acougue, peixaria, produtos como caviar, especiarias e bares, claro.

Um deles é um champanhe bar da Moët Chandon. Há tambem um sushi bar, tentei parar no vizinho, um oyster bar (especializado em ostras) mas não havia uma banqueta vazia; passei rapidamente por um bar especializado, acreditem, em lagosta; e parei para tirar uma foto diante do bar do famoso chef, que virou marca, Paul Bocuse.

Como um bom mercadão, uma multidão circulava pelos corredores e por esses bares. Faltava pouco menos de meia hora para a loja fechar e, em vez de ter de beber algo correndo, parei na seção de bebidas para viagem, comprei uma garrafinha de espumante, abri ali mesmo e desci as escadas rolantes tomando uns goles. Ao meu lado desciam esguias alemãs carregando sacolas Dolce & Gabbana, Gucci, Prada…”

KaDeWe. Tauetzienstrasse, 21. Tel. (00XX49) 302189851, www.kadewe-berlin.de