Brera, os panini ‘de boy’ e o bom exemplo do garçom

Passaram-se quatro ou cinco meses desde a inauguração do Brera, um bar-sanduicheria aberto nos Jardins, até que, na noite do sábado, fui conhecer a casa. E, antes de esclarecer o porquê, digo que gostei, e muito dali.

O Brera ocupa uma espécie de sobrado do lado esquerdo da rua, em sua parte plana. Um terraço em nível elevado em relação à calçada acomoda uma mesa coletiva ao redor da qual, em noites gostosas como foi a de sábado, turmas podem se reunir num certo clima de dolce far niente. Essa impressão ganha força ainda mais quando, de passagem, ouve-se pessoas falando em italiano. Algo que ali não acontece por acaso, porque alguns dos donos nasceram na Bota.

Lá dentro, num ambiente à meia-luz, as paredes são cobertas por réplicas com fotos em preto-em-branco de padeiros e padarias italianos do fim do século 19 e início do 20. Uma delas é esta:

Padeiro italiano, em foto de 1865: belas imagens nas paredes do Brera

Padeiro italiano, em foto de 1865: belas imagens nas paredes do Brera

Especializado em panino, o local trabalha com frios, queijos e demais ingredientes de primeira, expostos aos clientes no balcão instalado logo à direita da entrada do salão. A imensa maioria dos itens — da mortadela de Bolonha ao presunto de Parma — é importada da Itália. As exceções ficam por conta do pão (produção especial da padaria Em Nome do Pão, especialmente para o Brera, e que tem assim uma textura de ciabatta) e dos itens de salada. E os frios são cortados na hora, como bem fazem as boas padocas.

Para cada uma das 20 e poucas combinações, há dois tamanhos: o padrão, digamos assim, que vêm a mesa disposto sobre uma tábua e acompanhado e de uma salada, e o míni, que é servido num pão menor, quase do tamanho do nosso francês.

Primeiro, provei o langhe, que é montado com presunto cru de Parma maturado por 18 meses, queijo brie, tomate, azeite trufado piemontês (em tempo: bem suave, cujo delicado sabor integrou-se aos demais ingredientes) e rúcula (R$ 23,90/ R$ 12,50 o míni).

Langhe: boa opção de panino

Langhe: boa opção de panino

Em seguida, pedi o longobardo, composto de mortadela, qeuijo gorgonzola, tomate, anchovas e mostarda (R$ 22,90/ R$ 11,50), também saboroso.

A primeira boa surpresa, porém, tive logo que pedi uma taça de vinho para acompanhar a refeição. O syrah (R$ 14,00) havia acabado e o garçom me ofereceu o nero d’ávola, cuja taça custa R$ 19,00, pelo mesmo preço do primeiro.

Taí um exemplo que deveria ser seguido por todos os estabelecimentos.

Brera. Rua Ministro Rocha Azevedo, 1068, Jardins, tel. (11) 3895-5855.

 

Mi Palermo querido, papá!

O zôo do Buenos Aires: centenário

O zôo do Buenos Aires: centenário

Tenho certeza absoluta: para Maria Cecília, o colo do papai é o melhor lugar do mundo. Disputam o segundo posto na preferência da minha filhota os colos do vovô Gê, da mamãe, das vovós, titias e, desde o fim de semana passado, as ruas de Palermo, o querido bairro portenho.

Em sua primeira visita a Buenos Aires, Ciça, a nenê globetrotter, parecia sentir-se em casa. Embirrou, tagarelou, disparou algumas vezes pelas calles Thames, Serrano e Honduras, pelo saguão do Aeroparque, fez amigos nos restaurantes, brincou na areia, pirou no zoológico e cantou parabéns à mamãe, aniversariante.

Este foi meu quinto encontro com Buenos Aires. Na verdade, o mais correto é dizer que foi o quarto reencontro com Palermo Viejo, e só com Palermo Viejo, já que desta vez não saí do bairro, que conheci em 2004, na minha primeira viagem à cidade, e pelo qual fiquei imediatamente arrebatado. Gosto muito de seus prédios residenciais, de suas praças, bares e restaurantes, de suas lojinhas e kioskos, de suas casas e árvores desfolhadas no inverno, das ruas largas e retíssimas.

Saímos de São Paulo, Ciça, Camila e eu, na sexta, ao meio-dia, e desembarcamos em Ezeiza por volta das 3 da tarde. A corrida a bordo do táxi oficial do aeroporto até o hotel (Aspen Square, muito bom e bem localizado) custou-nos 240 pesos (100 reais). O voo de volta, na noite de domingo, partiria do Aeroparque, a vinte minutos e 40 pesos de Palermo. Portanto, vai aqui uma dica: tente sempre pousar e decolar desse aeroporto, para ganhar tempo e economizar dinheiro.

Contra a tentação de encarar uma parrilla logo nas primeiras horas em Buenos Aires, jantamos no italiano La Baita (Thames, 1603), a 700 metros do hotel e ao qual chegamos após uma agradável caminhada. Na verdade, Ciça pareceu ter se empolgado mais com o restaurante do que eu, já que resolveu circular por entre as mesas e explorar o restaurante, antes de voltar para meu colo e se deliciar com as galhetas, grissinis e pãezinhos do couvert. O ambiente é aconchegante, a carta de vinhos tem umas três dezenas de rótulos a preços razoáveis (tomei um Clos de los Siete por um valor equivalente a uns 70 reais), mas o cardápio decepcionou-me. Pedi uma milanesa com batatas e anchovas, que pesou mais do que o esperado no estômago.

No fim da manhã de sábado, seguimos direto para o Zoológico, a três quarteirões de distância. O zôo de Buenos Aires (35 pesos a entrada) não é grande, mas rende uma boa diversão. Muitas das jaulas, viveiros e áreas reservadas aos animais estão ali desde a fundação, em 1888. Maria Cecília empolgou-se com o elefante, o camelo, o filhote de hipopótamo, os rinocerontes e as lhamas.

Dali, caminhamos meio sem destino pelas transversais e paralelas à larga e bela Avenida Libertador e chegamos ao Voulez Bar, que fica numa esquina do bulevar Cerviño. Nesse bar, nem o colo do papai nem o da mamãe tiveram vez. Ciça deu um pequeno show, chiou, fez manha e só se acalmou quando lhe demos uns calmantes, digo, biscotinhos de polvilho. Quero voltar lá para comer um dos bonitos e enormes sanduíches, ou mesmo repetir a dose com o filé de frango acompanhado de purê de abóbora.

Na dúvida entre esticar para o Malba ou voltar ao hotel para fazer uma parada estratégica e acalmar a pequena, seguimos pelo bulevar Cerviño até que, poucos passos adiante, Ciça dormiu. Pudemos, assim, fazer uma paradinha em um café ao lado do parquinho infantil vizinho ao Jardim Botânico.

Ciça e seu amigo Santiago: a integração latinoameriacana é possível

Ciça e seu amigo Santiago: a integração latinoameriacana é possível

Ao fim do café, Ciça acordou, com toda a energia do mundo. Não poderíamos estar em um lugar melhor, ao lado do parquinho. Em meio à criançada, ela deu uns passos hesitantes, segurando em minha mão, até que a soltou e se entregou ao tanque de areia, onde fez amizade com dois garotinhos portenhos, os xarás de nome Santiago. No único momento de tensão dessa etapa do passeio, ela tirou o rastelinho da mão de Santiago I, que por sua vez abraçou o baldinho: — Noooo, Ciçaaaaa!

Já de volta ao hotel, fralda trocada, deixamos mamãe aniversariante descansar e andamos alguns quarteirões até a Calle Honduras, para comprar seu presente. Estava anoitecendo, muita gente nas ruas, e àquela hora Palermo ganha uma luminosidade toda especial, graças ao embate entre o sol a se pôr e a iluminação pública.

Ciça e o blogueiro, num tranquilo passeio no fim de tarde palermitano

Ciça e o blogueiro, num tranquilo passeio no fim de tarde palermitano

No jantar de sábado, finalmente fomos a uma parrilla, no caso La Retirada. Típica casa de carnes argentinas, cujos cortes são assados em forno de barro. Dividimos um ojo de bife ao ponto, que na verdade veio passado além da conta, considerado o padrão argentino. Ainda assim, estava saboroso. E Ciça, sonhando com os anjinhos.

Acordamos tarde no domingão — tarde, é bom dizer, significa 8h30 da matina, já que Ciça desperta entre 6h30 e 7h —, em tempo de pegar o bom e farto café da manhã do hotel. Assim, fizemos o check-out sem pressa. Deixamos as malas guardadas ali e tomamos a rua em direção ao La Cabrera, o meu restaurante predileto por lá.

O salão do La Cabrera: um dos prediletos dos brasileiros, entre os quais este blogueiro

O salão do La Cabrera: um dos prediletos dos brasileiros, entre os quais este blogueiro

Arrisco dizer que essa parrilla é quase uma embaixada brasileira, assim como o La Brigada, em Santelmo, e o Cabaña Las Lillas, no Puerto Madero. Pela relação entre custo e benefício, eu fico com ela e com cortes como o asado de centro (asado de tira/ costela), o bife de chorizo, o fantástico ojo de bife e as empanaditas fritas. E também por causa do serviço: durante a espera de quase uma hora, na calçada, serviram-nos de um drinque aperitivo e chouriço (linguiça). Já no salão, fomos atendido pelo garçom Chiche que, ao saber que era aniversário de minha Camila, ofereceu-nos duas taças de espumante e um pudim de leite, sobre o qual colocou uma vela para cantarmos parabéns. Ciça, no colo da mamãe, provou um doce pela primeira vez em sua vida, justamente, duas ou três colheradas do pudim de aniversário.

Maria Cecília, uma vez adocicada, ficou ligadona, feliz da vida. E não se deu conta de que o melhor lugar do mundo não é o colo do papai, nem Palermo, nem Buenos Aires. Mas, sim, todo e qualquer lugar em que o papai e a mamãe puderem estar ao seu lado.

 

 

Vinho na Bienal

Entrada da Wine Weekend no prédio da Bienal: estandes de 24 importadoras / Foto: Miguel Icassatti

Entrada da Wine Weekend no prédio da Bienal: estandes de 24 importadoras / Foto: Miguel Icassatti

Pelo quarto ano consecutivo, acontece de hoje (25) a domingo (28) em São Paulo a Wine Weekend, feira que reúne 24 pequenas importadoras de vinhos e algumas das principais vinícolas brasileiras.

É a primeira vez que a feira acontece no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera — nos anos anteriores ocorreu no estacionamento do Jockey Club.

O ponto mais bacana deste evento, porém, é que, diferentemente de outras feiras, o visitante pode não apenas degustar os vinhos, mas principalmente comprar as garrafas (em geral, com desconto) ali mesmo. E quantas garrafas quiser ou conseguir acomodar nos carrinhos de supermercado colocados à disposição.

Casa Valduga, Lídio Carraro, Pericó, Perini, Aurora e Salton são as principais vinícolas nacionais presentes. No estande da Salton, por exemplo, o Talento (elaborado com as uvas cabernet sauvignon, merlot e tannat), tinto servido à comitiva do papa Francisco, está à venda por R$ 49,00. Na compra da caixa com seis unidades (R$ 294,00), ganha-se uma garrafa. O tinto Desejo (100% merlot) sai a R$ 55,00 e o branco Virtude, feito com a uva chardonnay, custa R$ 45,00.

Entre as importadoras, destacam-se a De La Croix, com seu portfólio dedicado aos vinhos franceses, a Qual Vinho? (com boa oferta de sul-africanos), a Cantu (que vende o fantástico Quinta do Vallado Reserva Field Blend 2008, R$ 125,00) e uma novata, a Weinkeller. Fundada há um ano, essa importadora é especializada em vinhos alemães, muitos deles com boa relação entre preço e qualidade, caso do branco Pfaffmann riesling (R$ 49,00).

A quem vai de carro, a boa notícia é que para estacionar não se gasta mais do que os R$ 3,00 do bilhete Zona Azul. Palestras e degustações temáticas, assim como uma exposição do cartunista Hermé, completam o programa.

Wine Weekend São Paulo Festival 2013. Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Bienal), Parque Ibirapuera, portões 3 e 4. Ingresso: R$ 50,00, com direito a uma taça de cristal. http://www.wineweekend.com.br.

Um peruano em Brasília

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Foto: Ligia Skowronski

 

Em viagem a Brasília no fim de semana passado para a cobertura da estreia da seleção brasileira na Copa das Confederações, jantei no sábado na companhia de amigos no peruano Taypá.

Meus amigos alertaram-me que a casa é um sucesso na capital do país, razão pela qual tivemos de chegar às 20 horas ao restaurante. Nós não havíamos feito reserva.

De fato, a casa lotou logo depois que chegamos, mérito do chef Marco Espinoza, peruano que comanda também o Lima Gastrô Bar, no Rio de Janeiro, e de seu auxiliar, o compatriota Giancarlo Arakaki.

Eles propõem mudanças no cardápio a cada seis meses e, entre as novidades, está a adoção de pratos da cozinha nikkei, que funde as gastronomias andina e japonesa.

Eleito o melhor restaurante da cidade pelos jurados da edição “Veja Brasília – Comer & Beber 2013/2014”, o Taypá apresentou altos e baixos na minha visita.

A noite começou muito bem. Éramos cinco à mesa e pedimos, de entrada, o ceviche taypá (R$ 52,00), uma série de três tipos diferentes dessa especialidade, à escolha do cliente. Optamos pelos de atum com leche de tigre (caldo de peixe com alho, gengibre e limão), criollo (peixe branco e polvo com crème de coentro) e o clássico, apenas de peixe.

Para acompanhar, pedimos uma garrafa do Leyda Sauvignon Blanc (R$ 65,00, talvez um pouco menos, se não me engano). Uma delícia.<

Quando partimos para os pratos principais, fiquei um tanto decepcionado com minha pedida, o cerdo glaseado en soya (barriga de porco ao shoyu com aroma de especiarias, acompanhada de arroz salteado oriental, R$ 48,00). Embora o ponto de cozimento estivesse bom — a carne fica cinco horas na panela —, o sabor do shoyu dominou o prato e roubou o sabor da carne. Um lamentável desequilíbrio.

Em compensação, fechamos bem a noite com um malbec ao qual sempre reputo boa relação entre preço e qualidade, o argentino Alto las Hormigas.

Taypá. SHIS QI 17, conjunto F, loja 208, Fashion Park, Lago Sul, (61) 3248-0403 e 3364-0403. http://www.taypa.com.br.

La vie en rosés…

É certo que muitos experts e críticos do mundo do vinho torcem o nariz quando é colocada à sua frente uma taça de vinho rosé. O que é uma bobagem tremenda. Vinho bom e vinho ruim não têm cor predeterminada. Tá certo que entre os vinhos mais caros e prestigiados do mundo um outro rosé apareça com algum destaque e na forma de espumante. Mas eu não desprezo um bom rosé.

Os vinhos rosés são em geral versáteis, porque se apresentam como uma boa opção de bebida para os dias mais quentes — a temperatura média nos primeiros dez dias de dezembro em São Paulo foi de 31,1 graus! — e podem fazer bom papel tanto como aperitivo como acompanhando pratos mais leves, como pescados, massas com molhos delicados e até frituras.

Já que está um calorão danado lá fora e como estamos a poucos dias do verão, aproveito para indicar cinco rótulos rosés — três dos quais degustei recentemente — que valem a pena ser degustados, e sem que nenhum nariz fique torcido.

Cà’del’Bosco Cuvée Prestige Rosé DOCG (R$ 268,65, na Mistral): é um grande símbolo da bela região da Franciacorta, na Lombardia, norte da Itália, que destaca justamente pela produção de espumantes. Feito com uvas chardonnay (brancas), essa edição especial, digamos assim, tem produção limitada. Em sua produção são acrescidos vinhos de outras safras. Um vinhaço, para ser bebido em grandes (ou pequenas, por que não?) comemorações.

 

Ercavio Tempranillo Rosado 2010 (R$ 41,40, na Decanter): boa opção custo-benefício, esse rosé espanhol é produzido com uvas tempranillo na região de Castilla – Toledo. Ganhou 87/100 pontos do crítico americano Robert Parker. O aroma discreto esconde um sabor bem gostoso de frutas vermelhas, em especial morango. Vai muito bem com uma paella.

 

Les Hauts de Janeil Rosé (R$ 44, na Zahil): Trata-se de uma espécie de repaginação do Rosé Les Bateaux. Apesar da mudança de nome e da apresentação (a garrafa tem agora formato bordalês), mantém-se como boa opção de preço-qualidade. É produzido na região do Languedoc, sul da França, com uvas syrah.

Janeil rosé: ótima relação preço-qualidade (R$ 44)

 

Paul Bur Rosé (R$ 59, na Zahil): ótimo custo-benefício, esse espumante francês é produzido com as uvas tempranillo (de origem espanhola) e grenache. Gosto tanto desse vinho que foi o escolhido para embalar a festança do meu casório. No caso, escolhi a versão brut.

 

Whispering Angel 2011 (R$ 129,90 na Todovino Interfood): os  rosés produzidos pelo Chateau D’Esclans são os melhores que tomei nos últimos dois ou três anos. O céu é o limite — na verdade, o limite pode ser os R$ 320,90 do top dessa vinícola, o Les Clans 2009 —, mas eu me contentaria e muito com o vinho de entrada, o Whispering Angel. Produzido no mais antigo chateau da Provence, datado de 1201, esse vinho é feito como os brancos da Borgonha, ou seja, as uvas são colhidas à noite e refrigeradas a 6 graus até chegarem à adega para a vinificação. Um vinho realmente especial.

 

Whispering Angel 2011: vale o investimento

 

Família feliz em Santiago

Parque Bicentenario, em Vitacura, Santiago; ao fundo a Torre Costanera Norte / Foto: Camila Antunes Icassatti

Uma fila de carrinhos de bebê toma conta do acesso ao elevador da estação de metrô. Babás e vovós passeiam de mãos dadas com seus pimpolhos pelas ruas. Três casais amassam maçãs e bananas e servem papinha a seus filhotes enquanto tomam o café da manhã no hotel. No restaurante, para qualquer lado que se olhe, veem-se recém-nascidos no colo de um adulto.

Pode ser que o olhar de um neopai, como é o meu caso, esteja viciado nesse universo de carrinhos, bebês-confortos, fraldas e pomadas. Mas acabo de voltar de Valparaíso e de Santiago — na verdade, “acabamos” de voltar de lá Camila, eu e minha pequena Maria Cecília, que aos 5 meses de vida cumpriu suas primeiras horas de voo numa boa —com a convicção de que esse pedaço do Chile está se tornando um destino para viagens em família. Ou que está vivendo um baby boom, graças, quem sabe, ao 44o. posto que ocupa no ranking de Desenvolvimento Humano da ONU, o que o coloca entre o de melhor qualidade de vida na América Latina e Caribe.

Não foi assim tão por acaso que escolhi o Chile como destino dessa viagem de curtas férias, que seria a de estreia de Maria Cecília e o farewell da licença maternidade de Camila. Embora a pediatra não tivesse se oposto à nossa ideia original, de visitar minha irmã na Alemanha, resolvemos lançar mão de (alg)uma dose de prudência e concordamos que 4 horas de voo seria o limite para nossa filhota que, afinal, ainda está amamentando. Sair do país já seria uma aventura e tanto. Além disso, já conhecíamos Santiago e havíamos gostado da cidade (aqui neste post de 2009, o primeiro de três, eu descrevo um pouco daquela viagem), que é plana e organizada.

É claro que, desta vez, a viagem foi mais light, isto é, não fizemos mil coisas por dia. Taí a um primeiro conselho: programe apenas uma atividade por dia. O que vier a mais é lucro.  Bebês de cinco meses — como a minha Maria Cecília — podem ser bons companheiros de viagem mas dormem, acordam, choram, fazem número 1 e número 2 várias vezes ao dia e se cansam.

E essa é a deixa para o conselho número 2: se você está acostumado a economizar na hospedagem, agora que viaja com um bebê trate de desembolsar uma grana a mais para um hotel que seja bem localizado, e que tenha uma boa infra-estrutura, com academia, restaurante, sauna e piscina, por exemplo. Ah, e que tenha um bom banheiro no quarto.

Desta vez nossa base foi a região de Las Condes, a área mais moderna de Santiago. Suas ruas de calçadas largas e uniformes concentram bons hotéis, restaurantes, belos casarões, prédios residenciais e muitos arranha-céus comerciais. Está sendo erguido ali o Gran Torre Costanera (foto), com 300 metros de altura e 64 andares, que será o mais alto da América Latina — não por acaso os locais se referem ao pedaço como “Sanhattan”.

Nosso hotel, o quatro estrelas Plaza El Bosque Park, estava a um quarteirão da Avenida Isidora Goyenechea, onde estão lado a lado restaurantes como o Piola, o Bariloche (onde comi, no primeiro dia, um bom ceviche e um razoável asado de tira), o Nolita e o Miguel Torres, que funciona também como enoteca. Miguel Torres, aliás, é uma vinícola espanhola e uma das pioneiras a produzir bons vinhos no Chile. A comida, para minha frustração, não estava à altura dos vinhos — comi, provavelmente, a pior rabada da minha vida.

A cerca de 15 minutos dali, em Vitacura, fica o Parque Bicentenário, também conhecido como Parque de las Américas. É um espaço espremido entre uma encosta do Cerro San Cristobal e as vias que margeiam o rio Mapocho, com gramados bem cuidados, pouca sombra, mas que nos fins de semana coloca à disposição dos visitantes espreguiçadeiras e guarda-sóis.

Madame Ciça e seu motorista-blogueiro no Parque Bicentenario / Foto: Camila Antunes Icassatti

Outra área verde bacaninha é o Jardim das Esculturas, em Providência, bairro um pouco mais central, também repleto de bares, escritórios e restaurantes. Em 2009, hospedei-me nesse bairro. Pequeno, à beira do rio Mapocho, não vai tomar mais do que uma hora de seu passeio. Fizemos uma pausa na livraria instalada no local, antes de seguirmos para o almoço, que foi no simpaticíssimo El Jardín de Epicuro, na rua Orrego Luco. Nessa arborizada ruazinha há cinco ou seis restaurantes cujos terraços parecem se confundir. Tomei ali o primeiro pisco sour da viagem e comi um delicioso côngrio grelhado.

De volta a Las Condes, três endereços são imperdíveis: 1. a Praça Peru, que tem um parquinho para a criançada passar uma boa hora gastando energia; 2. em frente, no térreo do hotel W, fica a autoexplicativa El Mundo del Vino, megaloja especializada em rótulos chilenos mas que também vende vinhos produzidos em outros países. Há uma filial no shopping Parque Arauco mas esta daqui é muito maior — e mais legal; e 3. o restaurante Happening, especializado em carnes. É uma filial de uma casa argentina, que até faz lembrar o Rubaiyat.

Nesses quatro dias em Santiago, ainda consegui rever o Pátio Bellavista, um centro gastronômico que abriga também umas lojinhas boas para comprar suvenir, cercado por universidades, bares e restaurantes instalados em casas antigas. Mas frustrei-me por não ter podido voltar ao Ligúria, que está em reforma.

No próximo post vou contar sobre Valparaíso, ok?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vinho e cerveja futebol clube

Este post há de ter mais serventia aos preguiçosos e/ou àqueles que, como eu, têm ficado injuriados com os preços que os bares e os restaurantes andam, como dizem por aí, “praticando”. Dos R$ 7,50 que até tu, Coqueiro Drinks, vem pedindo pela Serramalte, aos R$ 21,00 que paguei na segunda-feira ao manobrista do japonês Ohka, no Itaim, para que meu carro fosse deixado na calçada do vizinho, ninguém merece escapar da bronca.

Mas é o seguinte: a importadora de vinhos paulistana Zahil e a loja e cervejaria Clube do Malte, de Curitiba, criaram seus clubes de bebidas. O serviço funciona assim:

1. Tanto a Zahil quanto o Clube do Malte fazem uma seleção mensal de rótulos e montam um kit;
2. O cliente escolhe o kit de acordo com seu perfil (no caso da Zahil existem as opções “curioso”, “apreciador”, “conhecedor”, em que cada uma delas apresenta dois bons vinhos por mês, de diferentes faixas de preço);
3. Feita a seleção, o freguês seleciona a periodicidade da assinatura — quanto mais longo o período, mais barato sera o preço médio de cada garrafa;
4. As bebidas são entregues no endereço do cliente.

A meu ver, a adesão a esses clubes é vantajosa, ainda mais para aqueles que pretendem consumir bebidas indicadas por especialistas. Ok, eles querem vender seu peixe mas entendem do riscado e irão sugerir tipos e rótulos que o freguês provavelmente desconhecia.

Vinho australiano The Stump Jump: no kit da Zahil

A assinatura trimestral da seleção “curioso” da Zahil, por exemplo, é a mais em conta: sai por R$ 315,00 (na média, cada uma das seis garrafas entregues no período custa R$ 52,50; no catálogo da importadora, o australiano The Stump Jump, incluído na seleção de setembro, sairia a R$ 67,00).

No Clube do Malte, a assinatura de seis meses vale 6 x R$ 75,90 e dá direito a quatro rótulos por mês. Há outras e boas opções. Para quem quiser fazer um teste, recomendo encomendar um “beer pack” avulso. Recebi o meu em casa direitinho, cerca de dez dias depois de o pedido ter sido feito. A versão contendo seis cervejas do tipo ale, importadas e nacionais, sai a R$ 114,90; se os rótulos forem comprados individualmente, a conta baterá nos R$ 140,00. A embalagem, bem como as garrafas, chegaram intactas. Ou seja, não há razão para se preocupar com a turbulência do voo entre Curitiba e Cumbica nem com os buracos da Régis Bittencourt, qualquer que tenha sido o tipo de frete.

Cerveja Brookly Brown Ale, dos EUA: no kit do Clube do Malte / Foto: divulgação

De quebra, tanto na Zahil como no Clube do Malte, se a compra for feita com cartão de crédito, seu saldo de milhas aéreas vai ganhar uns pontinhos. Bom negócio, não?

Serviço:
Zahil Vinhos: http://www.vinhoszahil.com.br
Clube do Malte: http://www.clubedomalte.com.br