Aberta a temporada de liquidação de vinhos nas importadoras

Como tem sido a regra nos últimos anos, algumas importadoras estão aproveitando o mês de janeiro para fazer liquidações de seu estoque de vinhos. Se você não entregou todo seu dinheiro para o Papai Noel, vale a pena aproveitar o momento, já que há descontos de até 70% sobre o preço de catálogo.

É importante, no entanto, ficar atento a alguns pontos e restrições na hora da compra:

  • em geral, não é possível trocar ou devolver garrafas, mesmo que o vinho esteja oxidado – afinal, trata-se de um bota-fora.
  • pense duas vezes antes de comprar um vinho branco menos complexo, de safras mais antigas. O líquido já pode estar deteriorado.
  • evite garrafas que estejam com a cápsula (invólucro da rolha) deteriorada.
  • alguns vinhos têm estoque limitado. por isso, quanto mais cedo você sair às compras, mais chance tem de encontrar boas pechinchas.

Confira, a seguir, a lista de importadoras e as informações sobre as liquidações:

Zind-Humbrecht, importado pela Expand / Foto: divulgação

Tanto no site como nas loja, a liquidação vai até 15 de fevereiro. Entre os 60 rótulos com desconto entre 20% e 70% estão o tinto chileno Palo Alto Reserva Cabernet Sauvignon 2009 (de R$ 34,80 por R$ 24,36) e o branco francês Zind-Humbrecht Gewurstraminer Wintzenheim 2005 (de R$ 175,00 por R$ 122,50), produzido na Alsácia.

Até o dia 22 de janeiro, os vinhos portugueses e espanhóis estão com uma cotação promocional de R$ 1,59 – vale lembrar que o catálogo da Mistral apresenta os preços em dólar. A manzanilla Classica Hidalgo, por exemplo, sai a R$ 40,54. Já a garrafa magnum (com 1,5 litro) do ícone Vega-Sicilia Unico Gran Reserva 1995 custa R$ 3.410,55. Para os rótulos produzidos nos demais países, o dólar vale R$ 1,79 (por tempo indeterminado).

Dog Point Sauvignon Blanc, importado pela Vinissimo/ Foto: divulgação

Durante o mês de janeiro ou enquanto durarem os estoques, são 48 rótulos de Argentina, Chile, Espanha, França, Nova Zelândia, Portugal e Itália com desconto. Um ótimo custo-benefício na promoção é o neozelandês Dog Point Sauvignon Blanc 2009, que obteve 90/100 pontos do crítico Robert Parker, de R$ 119,68 por R$ 95,74.

Chateau de L'estang, da importadora Vinos Y Vinos / Foto: divulgação

Entre os oito rótulos em promoção, duas opções com ótima relação preço-qualidade: o Chateau de L’Estang 2007, produzido na região francesa de Bordeaux (com 25% de desconto, sai a R$ 54,00) e o californiano Trinchero Estate Premium Cabernet Sauvignon 2004 (R$ 94,00, com 30% de desconto). Até o fim dos estoques.

Cerca de 100 rótulos, entre brancos, tintos, rosés e espumantes estão com desconto de até 70%. O champanhe Delamotte Blanc de Blancs Brut, que ganhou 89 pontos na avaliação do crítico Robert Parker, está com 41% d e desconto (de R$ 258,00 por R$ 149,90). Já o branco Trebbiano d’Abruzzo DOC 2007 sai de R$ 36,00 por R$ 19,90 (desconto de 44%). Para compras acima de R$ 300,00 os vinhos podem ser entregues no endereço do cliente. Compras acima de R$ 1.500,00 podem ser parceladas em cinco vezes no cartão de crédito. Até 4 de fevereiro ou fim do estoque.

Clos Mathis Riesling, importado pela Zahil / Foto: divulgação

Até 29 de fevereiro ou enquanto houver estoque, 22 rótulos de diversos países estão com descontos de 25% a 50% na loja da Zahil em São Paulo (Rua Manuel Guedes, 294, Itaim Bibi). A barbada aqui é aproveitar as garrafas dos últimos lotes dos vinhos alsacianos do produtor André Ostertag. Entre eles, o delicioso Riesling Clos Mathis 2006, com 40% de desconto (de R$ 243,00 por R$ 145,80). O ótimo Rutini Syrah 2006, da Argentina, sai a R$ 70,20 (35% de desconto sobre o preço original de R$ 108,00).

 

 

 

São Paulo Restaurant Week – um breve balanço

Lola Bistrot / Foto: divulgação

Terminada a 9ª edição da São Paulo Restaurant Week, faço um breve balanço dos restaurantes que visitei durante o evento. Não foram muitos, até porque nem só de SPRW vive a gastronomia paulistana. Felizmente, a cidade vem expandindo cada vez mais o seu cardápio de casas que se preocupam em oferecer um cardápio legal por um preço razoável, como é o caso do Le Jazz, do Nou, da Casa Portuguesa e do Zenna Caffè, entre outras em que estive recentemente.

Mas, de volta à SPRW, aqui vai uma avaliação rápida:

Lola Bistrot (Rua Purpurina, 38, Vila Madalena, tel. (11) 3812-3009, http://www.lolabistro.com.br)
Almoço: servido em uma porção bem pequena, o creme de cebola com torradinha e parmesão (entrada), estava salgado demais, a ponto de eu ter de lavar a boca após cada colherada. Felizmente, o pernil assado ao próprio molho com maçã, frutas secas e batata rústica (principal) estava bem gostoso. Úmido e com tempero na medida, compôs bem o prato com a maçã cozida e a batata rústica, resultando numa refeição equilibrada. O pudim de laranja, embora, também, pequenino que só, era dos bons, com açúcar equilibrado e sabor leve.
Veredito: aprovado. Mais uma vez o Lola Bistrot aproveita o evento para apresentar pratos bem executados. Boa estratégia para atraiar um público novo.

Ça Va (Rua Carlos Comenale, 277, Cerqueira César, tel. (11) 3285-4548, http://www.cavacafe.com.br)
Jantar: o crepe de palmito, opção de entrada, não deixou saudades. Já o arroz de pato, opção de prato principal, está na minha memória até agora. Não por sua excelência, mas porque havia curry em excesso. O arroz, por sua vez, estava um tanto seco. Sem dúvida, o pior arroz de pato que já comi. De sobremesa, bons os profiteroles com calda quente de chocolate e sorvete de creme.
Veredito: um desastre, decepcionante. Nem o salão charmoso, ao qual eu não visitava havia uns cinco anos, foi capaz de deixar em mim uma boa impressão. Devo demorar mais um quinquênio para voltar lá.

L’Entrecôte de Paris (Rua Pedroso Alvarenga, 1135, Itaim, Bibi, tel. (11) 3078-6942, http://www.lentrecotedeparis.com.br)
Jantar: simples mas bem feita, a salada de mix de folhas verdes com mostarda de Dijon, nozes e tomate pera abriu muito bem a refeição. Pedi que o entrecôte com molho secreto e fritas viesse ao ponto para mal-passado. De fato, veio corretíssimo, uma delícia mesmo. O bacana é que a garçonete repõe as batatas fritas – que estavam ligeiramente brilhantes e oleosas – e o molho “secreto” sempre que o cliente quiser. O pudim de leite com calda de caramelo, minha opção de sobremesa, encerrou bem os trabalhos gastronômicos.
Veredito: aprovado, muito bom! Restaurante de um prato só, ao qual estive pela segunda vez, corria o risco de ver sua cozinha desandar durante a SPRW, por causa da grande procura de clientes. Às 21h30 de sexta, tive de aguardar uma hora por uma mesa. A espera valeu a pena. A conta acabou saindo um tanto salgada porque um casal amigo levou uma garrafa de vinho, pela qual nos foi cobrdo o valor de R$ 50 como taxa de rolha.

Zeffiro (Rua Frei Caneca, 669, Consolação, tel. (11) 3259-0932, http://www.zeffiro.com.br)
Jantar: este é um restaurante ao qual tenho ido com certa frequência, coisa de duas vezes ao mês. É perto de casa, vou caminhando, em geral depois de um cineminha. Apesar de o local ter participado da SPRW com um menu específico, optei pelo de sempre: couvert (pão, foccaccia, caponata e azeitona) e ravióli recheado de mussarela de búfala com ragu de calabresa (às vezes troco pelo ragu de rabada). A porção de massa não é exagerada como na maioria das cantinas, vem na medida. Aos mais famintos recomendo que peça uma entrada. É bom dizer que não se deve esperar pela melhor massa do mundo. O espírito, aqui, é de boa relação custo-benefício. Para se ter uma ideia, o jantar dos dois casais, com vinho (levamos uma garrafa, pela qual foi cobrada a taxa de rolha de R$ 25,00), saiu a R$ 35,00 por pessoa.
Veredito: bom, como sempre. No fim das conta, acaba pesando pouquíssimo no bolso, até porque a casa é adepta da onda de servir água filtrada ao cliente, como cortesia. Aos garçons falta apenas um treinamento básico em serviço de vinho, pois eles costumam encher as taças com muita bebida, o que não é o correto.

Este jovem vinho chileno só existe no Brasil

No Chile, onde foi elaborado, não existe mais nenhuma garrafa do vinho Alfa Centauri Sauvignon Blanc 2008 à venda. A maioria das 900 unidades produzidas nesta primeira safra pela vinícola O. Fournier foi comprada pela importadora brasileira Vinci, que vai começar a vendê-lo aqui a 59,90 dólares (em torno de R$ 95,24). As unidades restantes serão privilégio dos passageiros que embarcarem na Primeira Classe dos voos da Bristish Airways que saírem e partirem da América do Sul e do Caribe entre os meses de setembro e novembro.

Tive a oportunidade de provar este e outros vinhos na segunda-feira,  durante a apresentação a jornalistas feita pelo espanhol José Manuel Ortega Gil-Fournier, proprietário das Bodegas O. Fournier. Ex-executivo do Banco Goldman Sachs, ele se dedica há cerca de dez anos à empresa, que mantém vinhedos na Argentina, na Espanha e, mais recentemente, no Chile.

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Na minha opinião, o Alfa Centauri é um vinho benfeito (ah, essa  nova ortografia…), um tanto quanto robusto, frutado e com o sabor marcado pela madeira – afinal, ficou doze meses maturando em barricas novas de carvalho farncês. Mas sua persistência no paladar é incrível e longa e o retrogosto, bem agradável.

Boa compra, talvez melhor, será o Centauri Sauvignon Blanc 2009 (sem o ‘Alfa’ no nome, notem), com clara tipicidade da uva. Por tipicidade entenda-se a presença intensa das características dessa cepa cuja origem está na região francesa do Vale do Loire e que também é muito cultivada em Bordeaux: extremamente aromática, com toques cítricos. Na boca, boas surpresas são uma certa mineralidade e o fato de não ser enjoativo, como vem acontecendo com muitos sauvignon blancs chilenos.

Sem contar que na comparação com o Alfa Centauri, sai 20 dólares mais em conta, a 39,90 dólares (61,60 reais no site da Vinci).

Tanto quanto os vinhos, porém, chamaram-me a atenção a ousadia e as convições que José Manuel Ortega Gil-Founier emprega em seu negócio.

Um exemplo? Num caminho inverso ao que os produtores de vinho europeus fizeram na América do Sul no século XIX, quando trouxeram mudas para serem produzidas aqui e dar início à produção comercail de bons vinhos, a O. Fournier trasladou e enxertou 60 pés de uva malbec argentina nos vinhedos na região espanhola da Ribera del Duero. Em 2012, disse José Manuel, eles já devem entrar em produção.

Os tintos que produz no Chile resultam de vinhedos centenários, como é o caso do Centauri Blend 2009 (US$ 53,90/ R$ 76,64), um corte de cabernet sauvignon (vinhedo de 100 anos), carignan (80 anos), merlot (60 anos) e cabernet franc (120 anos!). O que isso significa? Que esses vinhedos superantigos já não rendem tanto – 4.000 a 5.000 quilos de uva por hectare – quanto os mais novos – 12.000 por hectares – mas a qualidade de suas frutas, em compensação, tende a ser bem superior.

Menos, sim, é mais!

E por falar em Paris…

Paris e França têm estado presentes na minha vida ultimamente, ainda que no cinema ou engarrafadas com vinhos.

Dos três últimos filmes que vi no cinema, um tem como cenário o interior da França – o poético Minhas Trades com Margueritte, com Gérard Depardieu – e os demais a capital: Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, e o fabuloso Gainsbourg, O homem que amava as mulheres (e que mulheres…).

Meia-Noite em Paris (foto: divulgação)

E entre os vinhos que tenho tomado, por sorte e oferta dos amigos, os rótulos franceses têm sido insuperáveis, como este Baron de Pichon-Longueville 2002:

Essa alta dose de Paris me fez lembrar, não por acaso, do Le Cosi, onde jantei na viagem mais recente que fiz à cidade, no réveillon de 2010. A bem da verdade, esse restaurante tem um ambiente bem cute-cute, gostosinho, e uma culinária razoável, mas que no fim das contas valeu os 100 eurinhos que Camila e eu deixamos ali justamente pela somatória desses itens – e por estar em Paris, é claro.

Os pratos ali têm inspiração na gastronomia da Córsega e da Provence, caso da cocotte (sopa) de legumes com foie gras (13 euros) e da versão da casa para o entrecôte (26 euros).

O mais legal do Le Così, porém, é mesmo o seu entorno, aquele miolinho da Rive Gauche e dos Jardins de Luxemburgo, com suas ruas cada vez mais silenciosas conforme os ponteiros do relógio vão chegando e ultrapassando a meia-noite. São perfeitas para uma caminhada sob a chuva, como sugere Gil, o protagonista de Meia-noite em Paris, ou sob o frio do inverno, como felizmente pude experimentar.

Le Così. Rue Cujas, 9, Paris.

PS: propaganda nunca é demais. Paris está na capa da VIAGEM E TURISMO de agosto/2011.

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Na companhia dos Douro Boys

Rio Douro, visto a partir da Quinta do Crasto

Anteontem participei de uma degustação de vinhos elaborados pelos Douro Boys, como são chamados os produtores do Douro que, a partir de 2002, juntaram-se para promover os vinhos dessa bela região para o mundo. Não é exagero dizer que esses simpaticíssimos e competentes boys de meia-idade provocaram uma pequena revolução. Afinal, concorrentes que são, por que haveriam de se juntar num negócio? Porque viram que, unidos, poderiam explorar muito mais o potencial mercadológico da bebida sem prejuízo nenhum aos negócios de suas próprias vinícolas. Já se falou muito, aliás, que essa experiência poderia ser replicada aqui no Brasil a fim de divulgar a região do Vale dos Vinhedos e mesmo outras menos conhecidas.

Das regiões produtoras de vinho que conheço – Piemonte, Maipo e Colchágua, Franciacorta, Alentejo, Jerez, Montevidéu e Vale dos Vinhedos – o Douro é, de longe, a mais bonita e magnética. As vinícolas locais começam a se abrir para o enoturismo e as pequenas vilas e cidades ao longo do curso do rio, como Pinhão e Peso da Régua, têm lá sua graça e gastronomia castiças, que valem o investimento de alguns dias de exploração. Há exatamente um ano estive na Quinta do Crasto, onde fui muito bem recebido pelo enólogo Manuel Lobo, que conduziu uma visita pelos vinhedos e uma rápida degustação.

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Bom, o fato é que o evento de anteontem teve a presença, in loco, dos boys João Ferreira (da Quinta do Vallado), José Teles (representando a Niepoort), Francisco Olazabal (Quinta do Vale Meão), Tomás Roquette (Quinta do Crasto) e Cristiano Van Zeller (Quinta Vale D. Maria).

Os Douro Boys

A degustação começou com a prova dos brancos, dos quais gostei bastante do Crasto Branco 2010, da Quinta do Crasto (cujos rótulos no Brasil são importados pela Qualimpor). Frutado e refrescante, tem bom corpo e equilíbrio, não enjoa se bebido desacompanhado de comida. Na sequência, aponto o Redoma Reserva 2009 do Niepoort (importador: Mistral), com boa persistência, encorpadão, “novomundista”, ou seja, com uma dosezinha a mais de açúcar, um pouco enjoativo.

Na sequência, cada produtor apresentou, separadamente, rótulos de suas respectivas vinícolas.

Dos três exibidos pela Quinta Vale Dona Maria (importador: Vinho Sul), destaco o Quinta Vale Dona Maria 2007. Como os outros dois, esse é vinificado a partir de vinhas velhas, de um total de 41 castas diferentes plantadas há mais de sessenta anos. É um vinho potente, estruturado e com retrogosto de café e chocolate. Achei o mais diferentão entre eles.

Convém ressaltar, tanto para esse como para todos os demais vinhos, que são de safras recentes, logo, ainda fechados, “duros”, como se diz, e que devem proporcionar muito mais prazer a quem os degusta se forem bebidos daqui a alguns anos.

A Quinta do Vale Meão (importadora: Mistral), que produz apenas os rótulos Meandro e Quinta do Vale Meão, apresentou exemplares da safra 2008. O primeiro exibiu aromas desequilibrados, de caráter animal. Já o segundo (um corte das castas touriga nacional, touriga franca, tinta roriz, tinta barroca e tinta amarela), arrisco dizer que foi o melhor da noite. Mescla elegância e concentração. Equilibrio é mesmo tudo.

Da Quinta do Vallado (importador: Cantu), o Reserva Field Blend 2008 mandou bem, embora estivesse um tanto tímido em termos de aromas. Por ser de vinhas velhas, desconhece-se quais sejam os tipos de uva usados em sua vinificação.

Em seguida, a Quinta do Crasto foi a única a abrir quatro rótulos diferentes, dos quais o Reserva Vinhas Velhas 2009 foi o melhor. Um vinho elegante, com boa concentração o aroma e o paladar amadeirados bem integrados à bebida. Um dos meus top 3 da noite.

Também beliscou o meu pódio o Batuta 2008, um dos trê stintos trazidos pela Niepoort. Tem uma cor mais límpida e características de aroma e sabor que remetem aos vinhos da Borgonha, os bons. Se para algumas pessoas isso demonstra uma certa falta do caráter e tipicidade da região, para mim não há problema. Vinho delicioso.

Para encerrar, dos três portos Vintage apresentados, diria que o da Quinta do Vallado 2009 é o mais interessante.

Ao fim da degustação, alguém disse que a região do Douro se diferencia por conseguir produzir dois tipos de vinho – tinto e Porto – com qualidade. Eu não descartaria os brancos que vêm surgindo. E diria que seja qual for o tipo de vinho, é uma região que merece ser brindada e visitada sempre!

O ovo da dona onça

Salão do Bar da Dona Onça / Foto: Raul Zito

“A partir de agora e por todo o tempo que você permanecer no bar, seremos responsáveis pela sua felicidade”. Estão vendo a lousa no canto superior esquerdo da foto que mostra o Bar da Dona Onça? Pois bem, a frase que começa este texto estava escrita ali, como que dando boas-vindas a quem chegasse à casa.

No domingo passado, depois de ter ido à exposição do artista gráfico holandês Escher no Centro Cultural Banco do Brasil, centrão de São Paulo, parei para um almoço tardio no Bar da Dona Onça, que não visitava há um ano ou mais.

Fiquei contente por ver a casa cheia em pleno domingão, quando a região central costuma ficar vazia e tristonha. Passava das 3 e meia e havia apenas duas mesas vagas. Estava curioso para finalmente provar algumas das receitas que ainda não conhecia no novo cardápio.

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Tive a sorte de conseguir pedir a última porção de minissanduíche de carne moída temperada com azeitona e ovo cozido (R$ 24,00, com três unidades), uma versão graciosa do buraco quente, o velho pão com carne moída.

Para acompanhar o almoço, minha ideia era pedir um vinho, mas confesso que fiquei assustado com os preços. Meia-garrafa do argentino Catena malbec está custando, ali, R$ 54,00! Acabei optando por uma garrafa da cerveja Colorado Indica, R$ 19,00 e arrematei a refeição com o Terranova shiraz, produzido pela vinícola Miolo no Vale do Rio São Francisco, divisa de Bahia com Pernambuco, pelo qual paguei justos R$ 9,00 a taça.

Dividi com Camila um prato de arroz de bacalhau, que nos pareceu apetitoso. À mesa, ele chegou em dois pratos de alumínio, tipo caçarola, em quantidades que, se não generosas, suficientes para nos deixar satisfeitos. Sobre o prato de Camila veio o ovo da segunda foto deste post.

Mal a garçonete desejou-nos bom apetite, elogiei a belezura daquele ovinho frito (na hora que postei a foto abaixo no facebook não havia rolado a parte chata da história…) e brinquei, “pô, só veio pra ela?”

O ovo de R$ 4,00

Ao perceber minha vontade de provar daquele ovinho de gema quase molinha, a garçonete disse que iria ver com o chef se ele fritaria um para mim. Fiquei feliz da vida com a gentileza dela.

Pois é, não foi uma gentileza, conforme eu veria na hora em que a conta chegou. Por esse ovo extra, cobraram-me R$ 4,00.

Situações como essa me deixam beeeeem chateado. Irritado. Mal-humorado. Afinal, 1. eu não pedi pelo ovo; 2. a garçonete não me entregou o cardápio para que eu conferisse o preço; 3. não me falou que eu teria de pagar por algo que ela própria havia me oferecido (para efeito de comparação, ela me perguntou se eu iria querer o couvert…); 4. conclusão: fiquei com a nítida impressão que ela (ou o caixa) deu-me claramente um “migué” para cima de mim.

Paguei a conta, deixei os 10% do serviço, dei uma última olhada no que estava escrito na lousa e pensei: comi muito bem, como das outras três vezes em que estive ali. Mas não fiquei feliz.

Bar da Dona Onça. Avenida Ipiranga, 200, Centro, tel. (11) 3257-2016.

Uma delícia de não-caipirinha

No Alcântara (Rua Helion Póvoa, 65-F, Vila Olímpia, tel. 3045-4993), o restaurateur e agora chef Marcus Ramalho criou uma caipirinha de jerez que, de caipirinha, mesmo, não tem nada: nem limão, nem cachaça. Ainda assim, é um drinque delicioso e refrescante. Leva jerez, muitas pedras de gelo, fatias finas de pêra portuguesa e açúcar. Custa R$ 13,90 e vale um bis.