Uma segunda-feira na Pompeia

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Fotos: Miguel Icassatti

Segunda-feira é para os fortes. E para os garçons, cozinheiros, barmen que deram um duro danado no fim de semana, em geral, é dia de folga. Muitos bares e restaurantes nem abrem – no Rio de Janeiro, inclusive, rola já há uns quinze anos, toda segunda-feira à tarde, o Samba do Trabalhador, no Clube Renascença, no Andaraí, zona norte do Rio. Eu estive lá uns atrás e é uma balada simplesmente sensacional, que recebe muitos desses profissionais da boemia.

Pois existem algumas exceções que, felizmente, ficam abertas para receber os botequeiros nas noites de segunda-feira. E uma delas é o Petiskin do Bob, um boteco muito legal que fica no bairro da Pompeia.

O relógio marcava precisamente 8h22 da noite de segunda-feira quando cheguei ao Petiskin e toda as mesas estavam ocupadas: tanto as da calçada como as do salão. Sobrou apenas o “carretel”, conforme me indicou a garçonete, que na verdade eram dois desses carreteis de cabos elétricos que empilhados, faziam a função de balcão, no meio-fio mesmo.

Olha, fiquei contente por ver um bar cheio em plena segunda-feira!

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Enquanto esperava por uma mesa, tomei uma cerveja ali mesmo. Fiquei observando as lousinhas penduradas nas paredes e numa árvore em frente ao bar e percebi que a especialidade da casa são os pratos e petiscos com frutos do mar: moqueca e bobó de camarão (para duas pessoas, 115,90 cada um), casquinha de frutos do mar (24 reais a unidade) e os bons pasteizinhos de camarão (27 reais a porção dos 6 unidades) chamaram minha atenção entre outras receitas.

Para beber há de tudo um pouco: cervejas (Heineken, 13 reais), uns 15 rótulos de cachaça (a Solar, de Parati, por exemplo, sai a 15 reais a dose) e drinques. Eu pedi uma caipirinha (19,50), que veio com pouco gelo, mas pedi mais à garçonete, que me trouxe prontamente e pude dar um upgrade no meu próprio copo.

No fim das conta, foi uma segunda-feira, vamos dizer, de primeira!

Petiskin do Bob. Rua Miranda de Azevedo, 658, Pompeia.

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Conexão Floripa-Perdizes

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Fotos meia-boca: Miguel Icassatti

Você deve conhecer o Bar das Batidas, em Pinheiros. Talvez não por esse nome, mas se eu disser que ele fica atrás da Igreja de Nossa Senhora do MontSerrat e que, por isso, é conhecido por um apelido que presta uma, ahnnn, digamos, homenagem ao padre, vai se lembrar de qual bar estou falando?

Pois bem, não vamos falar dele, mas de um outro bar que fica também atrás de uma igreja, no caso da Igreja de São Geraldo das Perdizes, que por sua vez está instalada no Largo Padre Péricles.

Eu estou falando do Armazém Garnizé, um boteco que foi inaugurado no fim de 2017 e que vem atraindo um público meio no boca a boca, gente da região, jornalistas, hipsters.

Tem um ambiente sem muita firula, bem alternativo, com balcão de cimento queimado, paredes com reboco do azulejo.

Ele pertence a um casal que veio de Santa Catarina e tem como destaque uma boa carta de cervejas artesanais e especiais sobretudo brasileiras, que varia de tempos em tempos.

Sempre estão disponíveis pelo menos uma ou duas opções de chope – o Coruja Pilsen, do Rio Grande do Sul sai a 14 reais, por exemplo – e várias ervejas em garrafa e lata e dos mais diferentes estilos: além da Pilsen tem as India Pale Ale (IPA) e a American Pale Ale (APA), que são mais amargas, entre outras.

As gaúchas – não por acaso, no Brasil há cerca de 680 microcervejarias e o estado do estado do Rio Grande do Sul é o campeão, com cerca de 150 delas – acabam por se destacar. A Tupiniquim sai a 23 reais e a Clementina a 27 reais.

Há apenas três, poucas mas boas opções de cachaça: as catarinenses Byllard (7 reais a dose) e Imperador (17 reais a dose), além da mineira Porto do Viana (15 reais a dose).

A cozinha, que fica num canto do salão, tem dez opões de petiscos, duas de sanduíche e três de tábuas de queijos e embutidos.

Gostei bastante da porção de tulipa de frango com molhos de pimenta e de iogurte e ervas finas. Sai 30 reais e vem bem servida.

Entre os sanduíches, o de pernil custa 18 reais e é bem gostoso.

Armazém Garnizé. Largo Padre Péricles, 110 (ali na divisa entre Perdizes e Barra Funda).

St. Patrick’s Day e a Cultura de Boteco

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O 1º St. Patrick’s Day Cultura de Boteco terá 6 bares clássicos no sábado, 17 de março. Além dos petiscos, haverá o tradicional chope verde da Cervejaria Paulistânia e três bandas vão se apresentar ao vivo / Fotos: divulgação

 

Para celebrar o St. Patrick’s Day (17 de março) à moda da botecagem paulistana, a Sociedade Paulista de Cultura de Boteco reúne 6 botecos e 3 bandas de rock num festival gastromusical. A festa acontece no sábado, 17 de março, na Unibes Cultural, bem ao lado do metrô Sumaré.

A irreverência – por juntar a tradicional festa irlandesa à gastronomia dos Botecos paulistanos – é o grande destaque, com a venda de petiscos e diferentes estilos de chope Paulistânia para harmonizar: pilsen, IPA, red ale, stout, .

Originalmente, o St. Patrick’s Day homenageia São Patrício, padroeiro católico da Irlanda e da Nigéria. Nascido no ano de 385, em local desconhecido, ele tornou-se sacerdote, bispo e criou escolas, igrejas e monastérios na Irlanda. Morreu em 461. Até os anos 1970, os pubs irlandeses ficavam fechados nesse dia, em virtude também da quaresma. Mas a tradição foi rompida pouco a pouco e hoje o St. Patrick’s Day é um evento de alcance mundial, com festividades marcantes em países de língua inglesa.

Além da presença de 5 botecos consagrados da capital – Academia da Gula, Bar do Magrão, Elídio Bar, Rota do Acarajé e Veloso – , o evento contará também com a Linguiçaria Real Bragança, que é fornecedora de embutidos artesanais para casas como Comedoria Gonzales e Pobre Juan.

A partir das 14h começam os shows. Pela ordem apresentam-se as bandas Acústico Plugado (14h), Full Battery e (16h) e Electric Pepper (18h).

Todos os petiscos e receitas estarão à venda por valores entre R$ 5,00 e R$ 25,00.

A camiseta-convite que dá acesso ao evento custa R$ 40,00 e já pode ser adquirida pelo site www.sympla.com.br ou nos botecos participantes. O primeiro chope é cortesia.

Confira o cardápio do 1º St. Patrick’s Day Cultura de Boteco:

Academia da Gula: bifanas; bolinho de bacalhau; pastelzinho misto; doces portugueses

Bar do Magrão: bolinho de parmesão

Elídio Bar: bolinho do Elídio (carne com parmesão); bolinho de carne seca com abóbora

Linguiçaria Real Bragança: lanche de linguiça de Bragança; porção de linguiça; pastrami

Rota do Acarajé: mini-acarajé de mão recheado com vatapá e camarão seco defumado; casquinha de siri; bolo de manteiga de garrafa

Veloso: coxinha

SERVIÇO:

St. Patrick’s Day Cultura de Boteco – 17 de março, sábado
Local: Unibes Cultural – Rua Oscar Freire, 2500, ao lado do metrô Sumaré (linha verde)
Sábado, 17 de março, das 12h às 21h
Camiseta convite: R$ 40,00 (www.sympla.com.br ou nos botecos; 1º chope grátis)

Shows:
15h: Acústico Plugado (pop e rock)
17h: Full Battery (classic rock)
19h: Electric Pepper (blues, soul, Motown, classic rock)

 

 

Eu, mala

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Vinho bom e barato no Canaille / Foto: Miguel Icassatti

Sabe aquele tipo de freguês que garçom adora? Aquele que chega assim e pede: “ô, chefia, sabe esse filé aperitivo com alho’? Então, dá pra trocar o alho por cebola?”

Pois é, eu confesso, às vezes encarno essa figura. Não é sempre, mas dia desses encarnei, e num bar que eu gosto bastante, o Canaille, em Pinheiros.

Mas eu acho que tive lá minha razão.

O Canaille é um bar-restaurante bem charmosinho, com uma varanda gostosa e que tem uma boa carta de vinhos, com cerca de 80 rótulos, e a preços bem convidativos – inclusive opções em taça, para quem não quiser pedir uma garrafa. Tem várias opções abaixo de 100 reais, por 55, por aí. Eu pedi um rosézinho, francês, por 89, se não me engano.

Pois bem, cheguei lá com Camila e dessa vez eu queria provar algo diferente daquilo que costumo pedir sempre, que é o bom cheesesalada da casa com maionese de bacon, acompanhado de batata rústica e que custa R$ 28.

Percorri o cardápio e falei: “bom, vou pedir essa coxa e sobrecoxa de frango marinada” (R$ 25) . O problema, pra mim, é que esse prato vem acompanhado de uma porção de arroz. Eu achei que esse acompanhamento não tinha nada a ver, era bem sem graça, e perguntei à garçonete, tadinha, se eu poderia trocar o arroz, por exemplo, por algumas batatas rústicas.

Ela foi à cozinha e voltou dizendo que não dava, mas que poderia ser trocada por deliciosos… legumes.

Pô, confesso que fiquei #chatiado e desencanei do frango. Acabei voltando para o hambúrguer mesmo. E, pra falar a verdade, não me arrependi. Estava bom, embora um pouquinho acima do ponto que pedi, mal-passado.

Ao contrário, me acalmei e parti pra sobremesa. Se não me engano, um bolo com sorvete de abacaxi. Até me animei e pedi uma dose de cachaça, Nega Fulô, pra acompanhar. Mas aí, o doce veio com sorvete de… chocolate.

Fiquei confuso, perguntei pra garçonete se eu havia pedido a sobremesa certa, e ela me disse, que de fato, havia acabado o sorvete que eu havia pedido e a cozinha mandou o de chocolate.

Era a hora de eu me vingar e dizer: “Tá veeendo? O freguês é chato mas a cozinha também dá suas pisadas”.

Na verdade, na hora da conta, a casa até me ofereceu a sobremesa como cortesia, mas eu estava numa boa, com a minha gatinha, a noite tinha sido gostosa e recusei a oferta.

Pensei bem, e concluí que é melhor se lambuzar de chocolate do que descascar abacaxi.

Canaille Bar. Rua Cristiano Viana, 390, Pinheiros.

Amigo Giannotti e a fogazza

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O Icassatti e o Giannotti / Foto: Miguel Icassatti

Quando eu tinha meus 16, 17 anos, ia muito com meus amigos ao Chop Haus, um boteco fuleiro na Rua Santo Antonio, no Bexiga que tocava rock e heavy metal – uma vez, até, seguimos pra lá a pé desde o Parque Antartica, depois do show do Iron Maiden.

E lá ficamos lá até as 5 da manhã, que era o horário que começavam a circular os ônibus que nos levariam até em casa, no Pari.

E um ponto de parada antes ou depois do Chop Haus era o Amigo Giannotti, para forrarmos o estômago com a focaccia da casa.

O amigo Gianotti, no caso, é o senhor Antonio Luis Giannotti, que mantém o boteco aberto desde 1983, numa daquelas casas típicas do Bexiga – se não me engano o imóvel é dos anos 1930.

Como convém a um bom boteco, eu sempre insisto, ali ele trabalha ao lado da família: com a mulher e os filhos, que cuidam da cozinha e do salão. Eu passei lá no sábado, 1h da manhã e estava tudo mundo no batente.

Eu pedi uma focaccia de calabresa, absolutamente deliciosa. O recheio mistura a linguiça com temperos e tomate. A massa é crocante e leve, tanto quanto uma bomba dessas pode ser.

Pra beber, fui de Heineken, 13,50 a garrafa.

Ele abre o bar de quarta a domingo, a partir das 20 horas e funciona até as 2h da manhã.

Quando o dia 29 do mês coincide com o domingo, abre para o almoço e serve o famoso nhoque da sorte.

Aliás, que sorte termos um boteco como esse em São Paulo!

Amigo Giannotti. Rua Santo Antonio, 1106, Bexiga.

Duelo de empanadas

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El Guatón: empanadas chilenas em Pinheiros / Fotos: Miguel Icassatti

Qual a melhor, a empanada argentina ou a chilena?

Para fazer o tira-teima, resolvi provar, no mesmo dia, e praticamente na sequência, a empanada do El Guatón, em Pinheiros, e a do Bar das Empanadas, na Vila Madalena.

O El Guatón é uma casa que foi aberta em 1997, completou 20 anos, portanto. O cardápio traz receitas típicas do Chile, adaptadas ao paladar brasileiro.

Muito antes da modinha do ceviche nos restaurantes peruanos, por exemplo, esse prato já fazia parte do menu do El Guatón. Tem também pastel de choclo, pescado frito e, empanada, é claro.

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Empanada de carne do El Guatón

Pra o tira-teima, pedi uma de carne. Ela tem o tamanho e o peso equivalentes quase ao de um pastel de feira. Foi assada na hora, em 8 minutos. Veio, portanto, superquentinha, com recheio bem temperado e um molhinho levemente picante.

Do El Guatón, segui direto para o Empanadas Bar, que é um dos veteranos da Vila Madalena, aberto em 1980 pelo Hugo Ibarzábal, fundador também do Martin Fierro, bom restaurante especializado em carnes, no mesmo bairro. O Hugo morreu em agosto passado.

O Empanadas sempre foi ponto de econtro de estudantes, jornalistas durangos e cineastas. Não à toa há muitos pôsteres de filmes na decoração e até um Kikito, o troféu entregue aos vencedores do Festival de Cinema de Gramado.

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Estufa do Bar das Empanadas
Pois bem, ali as empanadas ficam expostas em uma estufa, que é reposta a todo instante, conforme ai sendo esvaziada.

Para poder fazer o tira-teima mais justo, pedi também uma empanada de carne.

Ela é menor que a do El Guatón, tem a massa mais úmida e recheio mais adocicado, por causa da uva-passa no meio da carne.

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No fim das contas, qual o veredito?

Vamos lá:

Massa: fico com a do Empanadas

Recheio: El Guatón

Sabor: El Guatón

Bar: Empanadas

Resultado?

Empate, e segue o jogo!

El Guatón. Rua Artur de Azevedo, 906, Pinheiros

Empanadas. Rua Wizard, 489, Vila Madalena

Uma ‘prainha’ em Higienópolis

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Salada de frutos do mar do Prainha / Foto. Miguel Icassatti

O carnaval de 2018 vai dar seus últimos suspiros neste fim de semana, o horário de verão termina na noite deste sábado e até o outono parece ter chegado antes da hora, não é?

Mas para quem, assim como eu, gosta muito desta época do ano (que deveria estar com os dias ainda beeem quentes), hoje vou indicar um botecaço que tem tudo a ver com a estação: é o Frutos do Mar Prainha, em Higienópolis.

O Prainha existe desde 1994 e ocupa uma esquina, com mesas dispostas no pequeno salão e na calçada. Tudo ali é pra lá de simples, desde o mobiliário interno até as mesas de plástico da calçada, justamente. É um típico boteco de bairro, com freguesia fiel, que muitas vezes conhece os funcionários, como o Eugenio, o Cafu, pelo nome.

À exceção de uma ou outra opção de porções de carne – entre elas a de pernil, que é mesmo boa e custa 48 reais – o cardápio se volta para os peixes e frutos do mar.

Servidos em iscas, por exemplo, tem o pintado e o linguado, a 52 reais a porção.

A casquinha de siri, cada uma, sai a 12 reais.

Quem prefere as frituras pode optar pela lula a doré, 48 reais, ou a manjubinha, 36 reais a porção – esses peixinhos crocantes mais uma cerveja gelada… ah, isso vai que vai!

Nesta visita mais recente, optei pela salada de frutos de mar, que na verdade é um misto de pescados marinados em um molho vinagrete feito com cebola e bastante pimentão.

O garçom me disse que muita gente ali prefere pedir quando a marinada é feita no dia anterior. O prato é gigante vem com polvo, sardinha, lula e mariscos. Custa 60 reais.

Para beber, vale pedir a caipirinha, cerveja gelada ou mesmo uma dose de cachaça. Entre as mineiras, por exemplo, tem a Germana e a Claudionor.

Frutos do Mar Prainha. Rua Martinico Prado, 344, esquina com Rua Martim Francisco, em Higienópolis.