BBB: Bacalhau Bom e Barato

Um dos salões da Casa Portuguesa: ambiente faz lembrar a região do Alentejo / Foto: divulgação

 

Semana sim, semana não — às vezes, semana sim, a outra também — saio para almoçar na Casa Portuguesa.

Esse restaurante simpaticíssimo, que ocupa um sobrado de esquina e cujos salões têm paredes pintadas de branco que me fazem lembrar as casinhas caiadas da região do Alentejo, prepara e vende os pratos de bacalhau mais baratos de Pinheiros e adjacências.

Ok, quando me sento à mesa, quase sempre uma daquelas instaladas ao lado da estante repleta de garrafas de vinho verde e tinto nas prateleiras, não espero encontrar o melhor dos cod ghadus morhua, o melhor e mais caro tipo de bacalhau — refiro-me ao ingrediente.

Mas nunca saio de lá arrependido por, uma vez mais, ter feito a opção pelo BBB, bacalhau bom e barato servido ali.

De segunda a sexta, há duas opções de prato do dia, que saem a R$ 23,00 cada uma. A partir de segunda, o menu varia entre bacalhau à gomes de sá e à eliseu (arroz de bacalhau com grão de bico); com natas e a brás (terças); ao forno e à gomes de sá especial (quartas); zé do pipo e com grão de bico (quintas); caldeirada, à brás e à gomes de sá especial (sextas).

Minha receita preferida, porém, é a do bacalhau à lagareiro (frito em posta, servido com batatas ao murro, brócolis e alho assado, R$ 38,00). Em geral, abro os trabalhos com dois bolinhos de bacalhau (R$ 3,00 cada um), divido essa receita e uma entrada (que pode ser a alheira, R$ 21,00) com mais uma pessoa.

Para beber, há rótulos de vinhos de diferentes regiões de Portugal, dos mais simples (a exemplo do Porca de Murça, R$ 35,00, produzido no Douro) aos que têm boa relação entre preço e qualidade, como o EA (Eugenio Almeida, alentejano, R$ 62,00).

Na falta de um bom vinho do Porto para acompanhar o pastel de nata na sobremesa (R$ 5,50), vale pedir um expresso bem tirado (R$ 3,00).

Atenção: a casa só atende durante o almoço.

Casa Portuguesa. Rua Cunha Gago, 656, Pinheiros, tel. (11) 3819-1987. http://www.casaportuguesa.com.br

Passeio iberopaulistano – parte I

As mesas do Tonel, em primeiro plano: excelente bacalhau / Foto: Miguel Icassatti

O chef Alex Atala costuma dizer que é possível fazer comida ruim com ingredientes bons, mas que não se pode fazer comida boa com ingredientes ruins. Daí que é importantíssimo celebrar um endereço em que a gente consegue encontrar ingredientes de primeira e cozinha, por mais simples que seja e é, das boas.

Felizmente, esse encontro ocorre no Tonel, uma tasca à moda portuguesa instalada numa esquina da Chácara Santo Antônio. O ambiente — eu sei, eu sei, o contraluz na foto não ajuda — remete a endereços como a Tasquinha do Fadista e outras que a gente encontra no Bairro Alto em Lisboa.

Estive lá há exatas duas semanas, num involuntário passeio por bares-restaurantes ibéricos nos últimos dias.

Ao cardápio: o bolinho de bacalhau (R$ 380), a bem da verdade, deixou a desejar. Achei muito massudo, farinhento. A alheira, por sua vez, estava uma delícia, bem temperada, com o recheio suculento e a casca sequinha (R$ 22).

De volta ao bacalhau, as “punhetas” (R$ 32) traziam o bacalhau cru desfiado e misturado com cebola, azeite e outros temperos sobre fatias de um bom e fresco pão..

O melhor do almoço, ainda bem, ficou para o prato principal: o bacalhau a lagareiro (R$ 96, para duas pessoas). Acompanhado de batatas ao murro e brócolis, vem à mesa servido  numa atravessa mergulhado em azeite borbulhante. Levíssimo e salgado na medida, sua matéria-prima é o pescado do tipo cod gadus morhua, que vem a ser o de melhor qualidade. A textura e o cozimento perfeitos e a brancura do peixe fizeram-me recordar da máxima de Alex Atala. Ele tem razão.

Tonel. Rua Antônio das Chagas, 409, Chácara Santo Antônio, tel. (11) 5181-5441. Só abre no almoço.