Para esquecer

O cardápio do Mestre: ou como traduzir o nome de um sanduíche para o inglês

O cardápio do Mestre: ou como traduzir o nome de um sanduíche para o inglês

Este post vai contar uma breve história na qual, infelizmente, deu tudo, ou quase tudo, errado, ao menos do meio ao fim. O epílogo, conforme você, leitor, pode constatar está logo acima. Nada me fez conseguir rotacionar a foto para propiciar uam leitura mais confortável. Perdão, portanto, se vier a ter um torcicolo por causa disso.

A própria foto, em si, de minha autoria, é um desastre. Feita com o iPhone 3GS, não tem foco. Mas acho que você consegue ver a pérola por meio da qual o misto frio foi traduzido para o inglês: “mixed”. Muito bom, né?

Fazia uns bons anos que eu não ia ao Mestre das Batidas, boteco que, verdade seja dita, é um herói da resistência em meio a horda de bares sem personalidade na região do Itaim. Cinquentão, foi aberto nos anos 60 e hoje está rodeado por arranha-céus espelhados, que despejam sua nova freguesia, ruidosa e que costuma ocupar toda a calçada em frente nas noites mais quentes – foi-se o tempo em que era possível sentar-se à mesa numa boa para tomar uma cerveja, a batida de coco, célebre, e pedir uma porção de calabresa frita no álcool.

Ou para comer um bolinho de bacalhau, frito na hora. Pois pedi uma cerveja e um bolinho que, infelizmente, vi que jazia ali na estufa e chegou a mim meio murcho, quase frio, ruim, afinal. Razão suficiente para tirar meu humor. A ideia era abrir os trabalhos com o salgado fritinho na hora, quentinho.

Por pouco não fui embora àquela hora. Mas como eu já havia pedido também um americano, resolvi tomar um segundo copo de cerveja, que, ao menos, estava bem gelada. Embora num tamanho GG, o sanduba parece ter sido tirado da chapa antes de o queijo estar totalmente derretido. Não saí com fome mas saí insatisfeito. De bom, só mesmo a sorte de ter conseguido estacionar o carro em frente ao bar.

Mestre das Batidas. Rua Clodomiro Amazonas, 440, Itaim Bibi, tel. (11) 3168-7418.

 

Bar do Luiz: 43 anos em 12 horas de botecagem

Bar do Luiz: festança no Sambódromo

Bar do Luiz: festança no Sambódromo

Ainda dá tempo de garantir o ingresso para a quarta edição da festa “12 Horas de Boteco”, que o Bar do Luiz Fernandes vai realizar neste sábado, 24 de agosto, no Sambódromo do Anhembi, para celebrar os seus 43 anos de vida.

A partir das 15h10, vão rolar shows, em sequência, de Ana Clara, Bala de Troco, Toquinho, Leci Brandão, Demônios da Garoa, Diogo Nogueira, Osquestra Voadora, Mariene de Castro, Samba da Vela, Arlindo Cruz e a bateria da Mocidade Alegre.

O ingresso para a maratona custa R$ 300,00 e dá direito a uma camiseta da festa, acesso aos shows e consumo de bebidas e petiscos à vontade. Além dos famosos e deliciosos bolinhos de bacalhau do bar, será possível degustar as receitas das casas convidadas: o restaurante Mocotó, o Veloso Bar, a kombi do Rolando Massas, a churrascaria Anhembi e  o japonês Sushi Hiroshi.

São esperadas 6.000 pessoas na festa.

Informações: http://www.bardoluizfernandes.com.br

 

BBB: Bacalhau Bom e Barato

Um dos salões da Casa Portuguesa: ambiente faz lembrar a região do Alentejo / Foto: divulgação

 

Semana sim, semana não — às vezes, semana sim, a outra também — saio para almoçar na Casa Portuguesa.

Esse restaurante simpaticíssimo, que ocupa um sobrado de esquina e cujos salões têm paredes pintadas de branco que me fazem lembrar as casinhas caiadas da região do Alentejo, prepara e vende os pratos de bacalhau mais baratos de Pinheiros e adjacências.

Ok, quando me sento à mesa, quase sempre uma daquelas instaladas ao lado da estante repleta de garrafas de vinho verde e tinto nas prateleiras, não espero encontrar o melhor dos cod ghadus morhua, o melhor e mais caro tipo de bacalhau — refiro-me ao ingrediente.

Mas nunca saio de lá arrependido por, uma vez mais, ter feito a opção pelo BBB, bacalhau bom e barato servido ali.

De segunda a sexta, há duas opções de prato do dia, que saem a R$ 23,00 cada uma. A partir de segunda, o menu varia entre bacalhau à gomes de sá e à eliseu (arroz de bacalhau com grão de bico); com natas e a brás (terças); ao forno e à gomes de sá especial (quartas); zé do pipo e com grão de bico (quintas); caldeirada, à brás e à gomes de sá especial (sextas).

Minha receita preferida, porém, é a do bacalhau à lagareiro (frito em posta, servido com batatas ao murro, brócolis e alho assado, R$ 38,00). Em geral, abro os trabalhos com dois bolinhos de bacalhau (R$ 3,00 cada um), divido essa receita e uma entrada (que pode ser a alheira, R$ 21,00) com mais uma pessoa.

Para beber, há rótulos de vinhos de diferentes regiões de Portugal, dos mais simples (a exemplo do Porca de Murça, R$ 35,00, produzido no Douro) aos que têm boa relação entre preço e qualidade, como o EA (Eugenio Almeida, alentejano, R$ 62,00).

Na falta de um bom vinho do Porto para acompanhar o pastel de nata na sobremesa (R$ 5,50), vale pedir um expresso bem tirado (R$ 3,00).

Atenção: a casa só atende durante o almoço.

Casa Portuguesa. Rua Cunha Gago, 656, Pinheiros, tel. (11) 3819-1987. http://www.casaportuguesa.com.br

Dois botecos que (sempre) me trazem boas lembranças

Pé Pra Fora: um dos grandes botecos de SP

 

Por dever de ofício, digamos assim, tenho de visitar e descobrir novos bares e restaurantes toda semana, a fim de apresentá-los a você, caro e raro leitor, aqui neste espaço.

Minha vida tem sido mais ou menos essa desde que fui contratado como repórter da PLAYBOY, em 1998, com a tarefa de escrever a página de bares na revista. Nunca fiz as contas exatas mas estimo que, desde então, já devo ter estado – a trabalho, logo, bebendo em serviço – em uns 800 a 1000 desses estabelecimentos em São Paulo e no Brasil. Nesse montante eu coloco também os bares que costumo visitar na condição de pessoa física e os dos países pelos quais passei.

Com tantos lugares a visitar, é de se supor, portanto, que eu não seja daqueles fregueses fiéis que costumam bater cartão num mesmo endereço. Fico meses, anos, até, sem voltar a um bar embora, é verdade, esteja acostumado dar as caras mais vezes naqueles que ficam no meu caminho, perto de casa ou do trabalho.  

Por coincidência, estive recentemente em dois dos melhores botecos de São Paulo, perto dos quais eu morei, mas aos quais não voltava há pelo menos um ano.

Um deles é o Bar do Jô, no Pari, onde participei recentemente de um encontro com meus amigos de colégio. Joilson Batista Araújo, o Jô, abriu o boteco em 1980, ao lado da papelaria Koisas do Arko e de um laticínio do qual não lembro mais o nome. Passados 31 anos, esses dois estabelecimentos já não existem mais e seu espaço foi anexado pelo Jô nas duas ampliações que fez na casa.

Com mesas na calçada, o Bar do Jô é porto seguro para as tardes do sábado, uma espécie de horário nobre local. Jô toma conta do seu boteco dia e noite e ainda arranja tempo para correr em provas de 20 quilômetros, meia-maratonas e maratonas.

As porções que saem da cozinha são grandes, satisfazem facilmente a duas ou três pessoas, caso da feijoada (R$ 50,00). Benfeitos são a caipirinha (R$ 10,00, com cachaça Nega Fulô) e os pastéis de carne, queijo e palmito (R$ 7,00 a porção com três unidades). E para um cidadão pariense como eu, voltar o bairro, rever o Jô, passar em frente ao Colégio Santo Antônio (hoje Bom Jesus), bem, são atrativos extras sempre bem-vindos.

O outro boteco, do qual tornei-me habitué ali por 1998, 1999, é o Pé Pra Fora. Aquela varanda, sempre cheia, festiva, às vezes florida, desde então me oferece a ilusão de que, numa tarde de sol, a praia está mais perto. Perdi a conta das vezes em que, vizinho dali, descia ao bar nas tardes de domingo para um almoço tardio, e os garçons ajeitavam uma mesa para mim diante de uma das TVs para que eu assistisse, mais bem acomodado até do que nas cativas do Morumbi, aos jogos do Tricolor.

Quarentão, o Pé Pra Fora mantém-se digno no serviço e na qualidade do que vende: o bolinho de bacalhau frito na hora (R$ 4,70) só encontra rivais no Bar Léo e no Bar do Luiz Fernandes. A empadinha de camarão (R$ 3,00) é bem decente, a Serramalte (R$ 6,80) está sempre gelada e o espeto misto, composto de alcatra, linguiça e lombo (R$ 48,20), haverá de deixar felizes o paladar e o apetite do caro leitor e de sua senhora.

Promessa para o Ano-Novo: não ficar tanto tempo longe desses botecaços.

Bar do Jô. Rua Conselheiro Dantas, 479, Pari, tel. (11) 3311-0347, http://www.bardojo.com.br.

Pé Pra Fora. Avenida Pompeia, 2517, Sumarezinho, tel. (11) 3672-4154, http://www.pepraforabar.com.br.

A propaganda é a alma do negócio

Alguns posts atrás o blog comentou o lugar comum das propagandas das marcas de cerveja brasileiras e, em contrapartida, deu exemplos de anúncios mais criativos produzidos para algumas cervejarias europeias.

Pois o Velho Mundo também produziu esse anúncio. Na minha viagem a Portugal entre junho e julho – sobre a qual pretendo contar aqui algumas experiências botecogastronômicas –, não resisti e fotografei o cartaz da foto abaixo (desculpem pela qualidade; sou péssimo fotógrafo e pior ainda com a câmera do celular).

Estava afixado num ponto de ônibus de Vila Nova de Gaia, no norte do país, região do Douro, terra do vinho do Porto. Em pleno verão português, com o sol de 37 graus na cachola, uma taça de vinho refrescante como é o vinho verde era tudo o que eu passei a querer ali, naquele exato momento em que caminhava entre as caves locais, à beira do rio Douro, no meio da tarde.

Dessa sede eu só viria a dar cabo, na verdade, na semana passada, quando me reuni para jantar com minha confaria no bar Academia da Gula.

Já escrevi aqui sobre esse grande bar, administrado pela portuguesa Rosa Brito, natural de Barcelos, e sua filha, Daniela. Fica na Vila Mariana e prepara um excepcional bacalhau cru desfiado com cebola e azeitona, um bolinho de bacalhau perfeito e – apenas sob encomenda – um ótimo cozido português.

Para começar os trabalhos, abri uma garrafa de Quinta de Azevedo (importado pela Zahil, R$ 46,00 no www.vinhoszahil.com.br) e coloquei as coisas no seu devido lugar.

 

Academia da Gula. Rua Caravelas, 374, Vila Mariana, tel. (11) 5572-2571.

Seis bolinhos de bacalhau e uma chipa


Aqui vão seis dicas de lugares que preparam excelentes bolinhos. Se eu estivesse por aqui no feriado, certamente iria a algum deles. Acontece que vou voar para o Paraguai, para me refestelar de chipa, feita pela minha vó Nena. E o endereço dela, não passo não.

Academia da Gula – moldado na colher pela turma de Dona Rosa, a anfitriã, o bolinho é miúdo, para ser comido de uma vez só.
Rua Caravelas, 374, Vila Mariana, tel. (11) 5572-2571.

Bar do Luiz Fernandes – redondinho, feito pela Dona Idalina, mulher do Luiz, divide a preferência da freguesia com o bolinho de carne. Ótimo.
Rua Augusto Tolle, 610, Mandaqui, tel. (11) 6976-3556.

Cais do Porto Adega – na verdade, a patanisca não é um bolinho, mas leva bacalhau na receita. Sem problemas: se você for lá neste fim de semana ouvir o fado ao vivo, vai comer tantas quanto conseguir.
Rua Comendador Nestor Pereira, 33, portão 3 (Associação Portuguesa de Desportos), Pari, tel. (11) 3228-2627.

Del Mar – também pequeno, do tamanho de meio dedinho, é o acompanhamento perfeito para o ótimo chope da casa.
Rua dos Andradas, 161, Santa Ifigênia, tel. (11) 3222-8600.

Léo – não tem a mesma fama do chope, mas deveria. Na minha opinião é o melhor bolinho de bacalhau de São Paulo, servido apenas às quartas e sábados.
Rua Aurora, 100, Santa Ifigênia, tel. (11) 3221-0247.

Casa Santos – orgulho do Pari, este restaurante cinqüentão costuma ter fila nos fins de semana. É justo, pois o bolinho é uma delícia.
Rua Conselheiro Dantas, 92, Pari, tel. (11) 3228-5971.

Hasta luego e feliz Páscoa!