O MoDi — ou a boa relação entre preço e qualidade

Os 30 e poucos minutos de espera por uma mesa, na segunda vez em que fui ao MoDi, na noite de sexta passada, valeram a pena. Taí um restaurante bom, bacana e barato, que, um amigo me contou ontem à noite, vai ganhar uma segunda unidade no mesmo bairro de Higienópolis, na área externa do shopping.

Por que é bacana? O MoDi ocupa aquele imóvel de pé-direito alto no térreo do Edifício Paquita, no meio do quarteirão na Rua Alagoas, no trecho em frente ao Parque Buenos Aires, que já hospedou outros empreendimentos gastronômicos, como a padaria do chef Olivier Anquier. À esquerda da entrada, fica o bar e há mesas no térreo e no mezanino. O único senão, falando do ambiente, é a acústica sofrível.

Por que é bom? Porque o chef Diogo Silveira, que é um dos sócios, acerta a mão em receitas como a dobradinha à toscana com bruschetta de ervas e polenta mole (R$ 25), servida apenas na primeira semana do mês. Nas demais semanas, revezam-se outras opções de miúdos. Quero voltar na próxima-última, dedicada à língua de boi. Outra boa sugestão é o varênique sbagliato recheado de cebola caramelizada com queijo cremoso e chips de presunto cru (R$ 28).

Das entradas, vai melhor a bruschetta de cogumelos (R$ 11) do que o cone al mare, uma seleção de frutos do mar encharcados, quero dizer, empanados (R$ 11).

As sobremesas estavam mais ou menos: tanto o canollo quanto a torta de chocolate (R$ 11 cada um).

Em compensação, os preços dos vinhos são bem convidativos, a exemplo da taça do porto Graham’s Tawny (R$ 11) e da garrafa do tinto Urban Tempranillo, vendida a R$ 68.

Para não perder tempo, tome o cuidado de não seguir o exemplo deste blogueiro e chegue o mais cedo que puder, ou fora dos horários de pico no almoço e no jantar. A cozinha funciona do meio dia às 11 da noite.

MoDi Gastronomia. Rua Alagoas, 475, Higienópolis, tel. (11) 3564-7031.

PS: texto alterado pelo blogueiro, para corrigir uma informação. Diferentemente do que foi escrito, a casa não faz reservas.

 

Um voto para a picanha do Fuad

 

Com o início do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, dei-me conta que esta será a primeira eleição sem a presença de Fuad Sallum, mentor do Esquina Grill do Fuad, talvez o boteco mais tradicional da região de Santa Cecília.

Em eleições anteriores, era batata: político que estivesse em campanha e quisesse arranjar uns votos a mais ou fazer uma média com os eleitores da área, tinha de tirar uma foto ao lado de Fuad Sallum, que dirigiu o conselho de segurança do bairro. Estão lá na parede do bar que ocupa a esquina das ruas Martim Francisco e Imaculada Conceição, registros do anfitrião ao lado de representantes da esquerda à direita, de Paulo Maluf a Dilma Rousseff.

Fuad Sallum morreu em 2013 e o bar mantém-se sob comando da família. Na parede central do salão reformado, branquinho da silva, chama atenção a churrasqueira, da qual saem porções generosas de carnes, que acabam por perfumar com cheiro de brasa quem se instala por ali. É por isso que prefiro esperar sempre, no frio ou no calor, por uma das mesas da calçada.

Estive lá algumas semanas atrás, numa tarde de domingo, e comecei pelos pasteis de carne, queijo e palmito (R$ 8,40 a porção com uma unidade de cada sabor). Na dúvida entre  a picanha saralho (servida no réchaud coberta com alho dourado) e o chuletão na brasa, optei pelo plano C, a picanha a la Ronaldo (R$ 67,90). Duas pessoas traçam com tranquilidade o corte servido em fatias, com arroz-de-carreteiro, agrião e um bolinho de mandioca bem gostoso. A carne não é a melhor do mundo, mas a pedida (ao ponto para mal-passado, não se esqueça) tem um ótimo custo-benefício, também por causa dos acompanhamentos.

Esquina Grill do Fuad. Rua Martim Francisco, 244, Santa Cecília, tel. (11) 3666-4493, www.esquinagrill.com.br.