Um breve balanço da primeira semana de 2011

Le Jazz / Foto: Cida Souza

Aos poucos, os bares e restaurantes da cidade vão retomando suas atividades após a merecida pausa de fim de ano. De quarta à noite ao almoço de hoje, passei por três lugares. Aqui vão minhas primeiras impressões gastronômicas de 2011:

Seu Domingos (Rua Fidalga, 289, Vila Madalena), quarta-feira à noite: este bar, inaugurado no finzinho de 2010, pertence ao empresário Flavio Pires, que legou à Vila Madalena endereços lendários como o Santa Casa e o Quitandinha, que passa por bom momento. Já a nova casa, aberta na esquina das ruas Fidalga e Aspicuelta, ainda não decolou. Tomei algumas garrafas de Serramalte (R$ 7,00) e provei proções absolutamente triviais, como a dos massudos bolinhos de arroz com gorgonzola e a de linguiça na chapa.

Così (Rua Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília, http://www.restaurantecosi.com.br), jantar de quinta-feira: coincidentemente, decidi passar por lá justamente no dia em que o restaurante estava reabrindo. Notei que os preços subiram, em comparação com a visita mais recente, se não me engano em outubro. O polpettone está melhor do que antes. Já o agnolotti de cordeiro pareceu-me pesado demais. Ainda hoje pela manhã eu conversava com o prato.

Le Jazz (Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros, http://www.lejazz.com.br), almoço de hoje: salão incrivelmente cheio na primeira sexta-feira do ano – ainda bem que meu amigo havia feito reserva. Cheguei ávido para provar a porção de moulles et frites (mexilhão com batata frita), mas o garçom disse que só estaria disponível para o jantar. Tudo bem, a bisteca de porco com molho de cogumelos, brócolis e purê de batata recompensou.

E hoje à noite, o que vai ser?

Desserviços de manobristas

Acostumado a deixar R$ 15,00 separados na carteira para pagar pelo serviço de manobrista nos bares da região da Vila Madalena e de Pinheiros, fiquei surpreso por ter gastado “apenas” R$ 10,00 na noite de ontem n o restaurante Le Jazz Brasserie.

O Le Jazz Brasserie, é bom dizer, está bombando há quase dois meses, desde que foi inaugurado em dezembro. Por seu ambiente, cardápio e estilo de serviço, arrisco dizer que, em São Paulo, a casa é a que mais se aproxima do conceito dos bistrôs e brasseries parisienses.

Vou ter de voltar lá num fim de semana para experimentar os mexilhões, disponíveis apenas aos sábados e domingos, mas aprovei a bem temperada terrine campagne (R$ 10,50) de entrada. Entre os principais há steak tartar, sanduíches, quiches, peito de pato, peixe do dia e omeletes, além de uma espécie de escondidinho de rabada (R$ 23,50) muito saboroso, em que a carne (misturada também a um pouco de músculo) vem bem desfiada e coberta com purê de batata e migalhas de pão gratinados.

Quem pede o couvert (R$ 4,50), em que o pão é reposto sem maiores esforços do comensal, surpreende-se com a jarrinha de água “da casa” que completa o trio de itens, composto também por manteiga.

O leitor mais atento há de reparar no preço dos pratos: R$ 10,50 + R$ 23,50 + R$ 4,50. Com os 10% do serviço, gastei menos de R$ 42,00. Tentei puxar na memória a última vez em que gastei esse valor em um bar, consumindo petiscos e tomando um chopinho, e não consegui encontrar. (Na verdade, a relação preço-qualidade nos bares será tema de post em outra oportunidade).

Soa coerente, portanto, que o valor cobrado pelo serviço de manobrista do Le Jazz – terceirizado, diga-se – seja um dos mais em conta na região.

Se tem uma coisa que me irrita é o preço que se paga nesta cidade pelo serviço de manobrista. Em regiões como Jardins, Itaim e Vila Madalena, chega a parecer que há um cartel formado por empresas desse setor.

Acabei de fazer um breve levantamento com base na edição especial “Comer & Beber” da VEJA SÃO PAULO e constatei que dos 35 bares indicados na região Pinheiros/Vila Madalena, oito cobram R$ 15,00 para manobrar os carros, quatro cobram R$ 14,00, onze cobram R$ 12,00 e apenas três cobram R$ 10,00. Detalhe: são preços publicados em setembro de 2009!

Sim, há também os bares e restaurantes que zelam pelo veículo do cliente e não cobram (os manobristas se contentam com as gorjetas) e existem aqueles que não dispõem do serviço.

Mas a regra é ter uma empresa terceirizada, que vai cobrar um absurdo para, sabe-se lá, deixar seu carro na rua, em geral num trecho em que é proibido estacionar.

Ok, se num exemplo de correção levarem seu carro a um estacionamento, a devolução pode reservar surpresas, que só serão descobertas mais tarde: um arranhão no para-choque, o banco irritantemente deixado fora de posição, o rádio sintozinado na rádio que você mais detesta, a demora de 10, 15, 20 minutos até o carro chegar. Afinal, não raro uma mesma equipe de manobristas atende a mais de um estabelecimento ao mesmo tempo. Alguém já reparou, por exemplo, no uniforme dos funcionários que correm para lá e para cá para dar conta dos carros que chegam aos bares no cruzamento das ruas Aspicuelta e Fradique Coutinho, na Vila Madalena?

Resultado: ou nos conformamos em deixar na mão dessa turma o valor equivalente ao de dois ou três copos de chope, ou corremos o risco de notar, como já aconteceu com este trouxa que vos escreve, que o estepe, o som e os CDs preferidos foram surrupiados do interior do querido carrinho que tanto tempo você levou para pagar.

Le Jazz. Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros, tel. (11) 2359-8141.

PS: mudando de assunto… na mesa ao lado da minha, não tive como não reparar na conversa de dois casais. Na verdade, numa das partes de um dos casais, uma senhora de fino trato, 50 e muitos ou 60 e poucos anos de idade, que soltou em alto e bom som três pérolas enquanto eu me entretia com meu escondidinho.
Divido com vocês:
1. “Eu já fui em muito motel na minha vida” (pela surpresa do marido, ele não deve ter sido a companhia em todas as vezes)

2. “Ah, Zé Augusto, você é o Berlusconi brasileiro” (para o marido)

3. “Esta bolsa aqui é aquela que paguei 725 euros. Repara na qualidade das ferragens”