Com quantas fatias de mortadela se faz um sanduíche no Mercadão?

Bar Mortadela Brasil: sanduíche de escabeche de sardinha / Foto: divulgação

Bar Mortadela Brasil: sanduíche de escabeche de sardinha / Foto: divulgação

“São doze a quinze fatias de mortadela, que perfazem 290 a 300 gramas”, disse-me o garçom do Mortadela Brasil, um dos bares que faziam lotar o mezanino do Mercado Municipal Paulistano, por volta da 1 da tarde de hoje.

O Mortadela Brasil não foi o inventor — não foi, ao menos, ali no Mercadão — do megassanduíche de mortadela (R$ 19,00, com queijo) que há muitos anos faz com que longas filas se formem nesse e em outros bares do local. Mas, para quem se dispõe a encarar esse exagero da gula, é uma das alternativas ao do famoso Hocca Bar, cujo ponto original fica no térreo do mercado. Ali, aliás, a atendente limitou-se a me dizer que o sanduíche tem 300 gramas. Recusou-se a me dizer quantas fatias vão no lanche (R$ 15,00, quente ou frio).

Para falar a verdade, tanta mortadela assim de uma vez, seja do Mortadela Brasil, seja do Hocca, não faria tão bem ao meu coração, ainda mais na véspera de mais um São Paulo x Corinthians, de modo que optei pelo sanduba de escabeche de sardinha, a mais popular fonte de ômega 3 que se conhece, a fim de proteger minhas artérias.

Alguns meses atrás eu havia provado a deliciosa versão fria do lanche criado pelo Mortadela Brasil. Para os padrões da casa, ele tem o tamanho médio, o que significa, talvez, uns 150 gramas do peixe. Hoje resolvi pedir a versão quente (R$ 16,00), e confesso que me decepcionei, já que tive de descartar boa parte do recheio, que estava torrada demais. O pão e o azeite com o qual reguei o sanduíche, em compensação, estavam muito bons, assim como o chope (R$ 7,00), tirado com capricho.

No fim das contas, voltar ao Mercadão é sempre um bom programa.

Mortadela Brasil. Rua da Cantareira, 306, mezanino, box 4 (Mercado Municipal Paulistano), tel. (11) 3311-0024, http://www.mortadelabrasil.com.br

 

 

 

Bowie, Berlim e KaDeWe

Detalhe do piso gourmet da KaDeWe / Foto: Miguel Icassatti

 

Este 8 de janeiro que já está quase acabando em um provável dilúvio aqui em São Paulo  marca o aniversário de pessoas queridas, entre elas David Bowie (espero que a chuva não faça faltar energia elétrica em casa, para que eu possa ouvir Space Oddity na minha vitrolinha Bel Air 1973 daqui a pouco).

Pois eis que no dia de hoje Bowie divulga um novo single, Where are you now?, coisa que não fazia há muito tempo (veja o clipe no link http://www.youtube.com/watch?v=FOyDTy9DtHQ&feature=share).

Na canção e no vídeo ele cita Berlim, em endereços como a Potsdamer Platz e a KaDeWe, sobre a qual escrevi neste mesmo blog em 2008.

Como bateu uma nostalgia danada de Berlim, reproduzo aqui trechos daquele velho post escrito durante minhas férias, diretamente da Alemanha, em versão editada. Acho que ainda está valendo:

“Pois estive em Berlim pela terceira vez, durante quatro dias na semana passada (perdão, mas as postagens não estão acompanhando devidamente o ritmo da viagem. Estou de férias, compreendem?). Das cidades que conheço, Berlim é a que mais me tocou. Conheci Berlim em 2003, na mesma viagem em que descobri Paris e Londres. É claro que me encantei por esses dois destinos, mas Berlim, em duas noites, me pegou de jeito, justamente porque eu não esperava encontrar toda aquela energia.

Voltei em 2006, durante a Copa do Mundo, quando percorri a Alemanha de sul a norte a bordo de um motorhome, com meus amigos de faculdade Alexandre Scaglia e Beto Gomes. Viagem inesquecível, em que assistimos a estreia do Brasil, comemorada num boteco ao lado do Estádio Olímpico no meio de um exército de croatas bêbados. Num exemplo de fair play, trocamos camisetas, contamos como se pronuncia alguns palavrões nos respectivos idiomas e tomamos muita, mas muita cerveja.

Desta vez (nota de 2013: em 2008) fiquei hospedado no bairro de Kreuzberg, que é repleto de bares. Nas margens do rio Spree e de seus canais (aliás, pouco se fala da belez que é a Berlim cortada por canais) há alguns deles, assim como em vias importantes como a Oranienstrasse. Um bar ao lado do outro, um restaurante italiano colado num asiático e assim por diante.

É diferente de Prenzlauerberg, bairro que fica na área correspondente à da antiga Berlim oriental, e que vem sendo restaurado a uma velocidade incrível. Velhos prédios tornam-se apartamentos de luxo e pontos comerciais deteriorados dão lugar a cafés e bares charmosíssimos que, aos domingos, ficam lotados de gente já pela manhã, para o brunch.

Nos quatro dias em que passei por Berlim, perdi a conta dos bares em que parei para uma cerveja ou mesmo um vinho. Em meio a eles, aproveitei para rever a KaDeWe, uma megaloja de departamentos que fica na regiao da Ku’Damm, uma das vias mais movimentadas da cidade.

Antes que o leitor pense que vai ler dicas de descontos e liquidações de grifes, convém avisar que a missão do blogueiro ali era a de subir diretamente ao sexto andar, o piso gourmet.

Chamar aquilo ali de Piso gourmet é questão de modéstia. Melhor propor o seguinte: imagine o Mercado Central de São Paulo, com seus boxes de frutas, frios, peixes. Pense agora que as dasluzetes passaram por lá e fizeram uma megafaxina, deram um banho de esguicho e de loja nos donos e nos funcionários dos boxes.

É mais ou menos essa a impressão que se tem do sexto andar da KaDeWe. Há córneres com vinhos à venda (juro que vi uma garrafa do brasileiro Miolo Lote 43 não muito longe de um Chateau Pétrus), três ou quatro boxes de frios e salsichas de todos os tipos, prateleiras e mais prateleiras de cervejas, acougue, peixaria, produtos como caviar, especiarias e bares, claro.

Um deles é um champanhe bar da Moët Chandon. Há tambem um sushi bar, tentei parar no vizinho, um oyster bar (especializado em ostras) mas não havia uma banqueta vazia; passei rapidamente por um bar especializado, acreditem, em lagosta; e parei para tirar uma foto diante do bar do famoso chef, que virou marca, Paul Bocuse.

Como um bom mercadão, uma multidão circulava pelos corredores e por esses bares. Faltava pouco menos de meia hora para a loja fechar e, em vez de ter de beber algo correndo, parei na seção de bebidas para viagem, comprei uma garrafinha de espumante, abri ali mesmo e desci as escadas rolantes tomando uns goles. Ao meu lado desciam esguias alemãs carregando sacolas Dolce & Gabbana, Gucci, Prada…”

KaDeWe. Tauetzienstrasse, 21. Tel. (00XX49) 302189851, www.kadewe-berlin.de

Dois dias e 211 anos nos bares do Sul

Bar Naval, em Porto Alegre/ Foto: Miguel Icassatti

No intervalo de uma semana, oito dias para ser mais exato, estive nas duas maiores cidades da região Sul e pude conhecer dois bares que, juntos, somam 211 anos de idade.

O Naval, o caçula deles, foi inaugurado em 1907 no Mercado Público de Porto Alegre. Sou velho conhecido do mercado pois, sempre que me sobra um tempinho nas breves visitas que faço à capital do Rio Grande, passo pelo Empório 38 e trago na bagagem algumas garrafas de vinho produzido no Vale dos Vinhedos, por pequenos vitivinicultores.

Uma vez mais fui tentado a almoçar no Gambrinus mas como já estava de mala e cuia e a caminho do aeroporto para voltar a São Paulo, decidi aproveitar a chance e pousar nesse outro ponto centenário do local, que ainda não havia conhecido.

Ok, se a idéia for comparar um e outro, Gambrinus e Naval, diria que o primeiro ainda é o meu bar preferido na cidade. Por mais que a ambientação não seja mais 100% original, estão lá, com seus 122 anos de idade, os lustres, o mobiliário de madeira e algumas peças de decoração que têm lá seu charme. Se a gente for falar de chope, ambos se equiparam. Na variedade e na qualidade do cardápio, porém, mais uma vez o Gambrinus se destaca. Só de lembrar da costela ao molho que comi ali, putz, começo a salivar.

A austeríssima e autêntica decoração, com azulejos dos tempos em que foi aberto, marcam o Naval, que tem uma cara mais assim de pé sujo. A porta que dá para a rua, entreaberta, deixa passar uma luminosidade que não chega a dominar todo o ambiente mas que provoca um interessante jogo de luz e sombra sobre o balcão gasto, o piso de cerâmica, a chopeira e as fotos de Carlos Gardel, Francisco Alves, Lupcínio Rodrigues e outros dinossauros presas na parede.

Para acompanhar o chopinho, optei por triviais salgados, clássicos da boemia: bolinho de bacalhau e bolinho de batata recheado com carne (R$ 4,00 cada um). Fossem fritos na hora e não tão massudos, certamente eu teria saído de lá mais feliz.

Na semana seguinte baixei em Curitiba. Como o hotel em que me hospedei ficava a próximo ao centro da cidade, preferi encarar a caminhada de pouco mais de um quilômetro até a Praça Osório, para almoçar no Stuart.

Em funcionamento desde 1904, esse bar de nome britânico preserva pouco, lamentavelmente, do que deve ter sido sua arquitetura original. No que restou, felizmente a disposição das mesas parece ter sido mantida. A despeito da marca que a capital paranaense ostenta – a de ser a mais fria do Brasil –, algumas mesas ficam coladas aos janelões de vidro, todos eles abertos, escancarados quase até o chão. Convém não dar sopa para trombadinhas, é verdade, mas não deixa de ser muito legal fica por ali a observar as árvores e  o vaivém dos pedestres pela Praça Osório, em companhia de um chopinho.

Foi o que fiz. Na mesa ao lado, um senhor de seus 80 anos  lia tranquilamente o jornal. Três incautos adentraram o salão e ao perguntarem sobre o que havia para ao almoço, foram informados de que a casa prepara apenas aperitivos. Deram meia volta e se foram.

Nem cinco minutos após ter feito meu pedido, chegou à mesa o sanduíche de pernil “com verde completo” (R$ 9,50), ou seja, com um molho de verduras e queijo. À parte veio uma espécie de molho chimichurri. O lanche estava bem gostoso, com tempero na medida, e sem aquele recheio exagerado e dispensável dos sandubas que temos aqui no Mercadão paulistano.

Ainda no Stuart, vi que um costume de outros tempos, e que ainda é comum em bares da Europa, se mantém: o próprio garçom é quem fecha a conta para o freguês e cobra pela conta. Ele tira do bolso sua caderneta, faz a soma “de cabeça”, informa o valor, o cliente paga, ele tira do bolso o bolo de notas e dá o troco, se for o caso.

Simples e rápido. Certas coisas não deveriam ter mudado, né?

Empório 38. Mercado Público (Largo Glênio Peres, s/nº), centro, tel. (51) 3224-4548.

Gambrinus. Mercado Público, tel. (51)3226-6914.

Naval. Mercado Público, lojas 91 e 93, centro, tel. 3286-3423.

Stuart. Praça Osório, 427, centro, Curitiba, tel. (41) 3323-5504.

Sandubas e mais sandubas no Mercadão

Começou hoje – e eu já pretendo conferir amanhã mesmo – o Festival Gastronômico Caminhos e Sabores de São Paulo, que reúne doze boxes, bares e quetais do Mercado Municipal Paulistano.

Até o dia 14 de novembro, algumas dessas casas estão apresentando em primeira mão receitas recém-criadas.

Outras estão concedendo desconto no preço de itens clássicos, caso do Hocca Bar, famoso pelo pastelão de bacalhau e o sanduba de mortadela, que baixou de R$ 8,50 para R$ 3,00 o do sanduíche bela baby (mortadela com queijo).

Estou particularmente curioso para provar estes dois sandubas:

1. o de sardinha escabeche do Mortadela Brasil (R$ 8,00)

fotos: divulgação

2. o bacalanche da Lanchonete Ponto 27, que, a foto não nos deixa enganar, traz bacalhau desfiado bem fininho, temperado com ervas finas e azeitona verde (R$ 14,00).

O mais legal é que, a cada pedido, o cliente pode levar para casa as dicas sobre o modo de preparo.

Se de fato eu conseguir passar por lá amanhã cedo, conto aqui depois se valeu a pena.

Mercado Municipal de São Paulo. Rua da Cantareira, 306, centro.