Esquentando os tamborins – e gelando os barris de chope

Exalta Rei se apresenta em 2011 no Pirajá / Foto: Miguel Icassatti

Foi uma tarde de arromba, a do sábado, 26 de fevereiro de 2011. O Pirajá e a sua calçada ficaram pequenos para a apresentação do bloco carioca Exalta Rei, que se apresentou no canto do salão do bar para o grito de cranaval.

Pois o Exalta Rei e seu repertório de hits de monarcas como Roberto Carlos, Luiz Gonzaga e Ray Charles, transformados em marchinhas momescas, voltam ao Pirajá na tarde de 11 de fevereiro de 2012 para mais um bailinho pré-carnaval.

O público no Pirajá em 2011 / Foto: Miguel Icassatti

Este ano, além de acrescentar alguns sucessos de Roberto Carlos ao repertório, o Exalta Rei deve trazer a São Paulo a sua rainha da bateria: a escritora, blogueira e gata Thalita Rebouças. “Ainda não é certeza, mas são grandes as chances de ela vir”, diz Edgard Costa, um dos donos no Pirajá.

A rainha da bateria, Thalita Rebouças / Foto: divulgação

Se precisar de alguma ajuda para convencer a moça a vir para São Paulo, Edgard, o blog terá prazer em encampar a campanha “Vem, Thalita!”

Pirajá. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, tel. (11) 3815-6881, www.barpiraja.com.br

Venga! para São Paulo, venga!

Venga! em Ipanema, Rio / Foto: Leo Martins

Ontem à noite, durante a festa de 15 anos do bar Original, Edgar Costa contou ao blog em que pé estão os preparativos para a inauguração da filial paulistana do Venga!, bar de tapas carioca aberto em 2009 na Rua Dias Ferreira, no Leblon, e que no fim de 2010 ganhou uma unidade em Ipanema.

Edgar é um dos sócios da Companhia Tradicional de Comércio, que comanda, além do Original, o Pirajá, as pizzarias Bráz e Quintal do Bráz, a Lanchonete da Cidade e o Astor. Recentemente o grupo associou-se aos proprietários do Venga! para, enfim, dar cabo ao plano de abrir um bar de tapas legal em São Paulo. “Desta vez fizemos o caminho inverso”, diz Edgar, com o knowhow de quem exportou para o Rio as marcas Bráz e Astor. “Nenhum dos bares de tapas recentemente abertos em São Paulo se compara ao que os meninos do Venga! fizeram no Rio, no que diz respeito, por exemplo, à qualidade da comida”, completa.

As obras estão em pleno andamento. A casa tem previsão de abertura para o fim do mês de outubro, na Vila Madalena, no imóvel que fica de frente para o Astor, na esquina das ruas Turí e Delfina. “Estamos estudando alguns fornecedores, mas a princípio vamos replicar aqui o cardápio das casas do Rio, que está redondinho”, antecipa Edgar.

Que vengan, então, os pinchos, as sangrias, o polvo com batat e páprica picante e outras tapas!

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A Mooca faz bem

O dia em que Roberto Carlos foi porta-estandarte

Neste fim de semana, em meio a diversos blocos de carnaval que saem às ruas de São Paulo – estará em curso uma retomada do carnaval de rua? – para as prévias momescas, um ilustre visitante desembarca do Rio de Janeiro e dá as caras no bairro de Pinheiros.

Ciceroneado pelo compositor Moacyr Luz, o bloco Exalta Rei se apresenta a partir da 1 da tarde de sábado no Pirajá.

O bloco desfilou pela primeira vez no carnaval carioca de 2009, pelas ruas do fantástico bairro da Urca, que tem como o mais famoso morador o cantor Roberto Carlos – e este blogueiro estava lá.

Folia com ie-ie-iê na Urca

No repertório do grupo havia apenas canções  do “Rei”, tocadas em ritmo de marchinha, samba e funk, caso das versões de Amigo e Todos Estão Surdos, por exemplo.

Como virou praxe entre os blocos mais concorridos, naquele carnaval o Exalta Rei havia anunciado que desfilaria a partir das 6 da tarde da segunda-feira de carnaval. Mentira. Fez a concentração bem mais cedo, ao lado do bar Garota da Urca, e por volta de umas 3 ou 4 da tarde saiu pelas ruas do bairro – nada como ser insider, hehe.

Disciplinados como numa procissão, os foliões seguiram os músicos pela rua que beira aquele pedacinho da Baía de Guanabara e fizeram uma parada diante do prédio em que o camarada de Erasmo. Lembro da comoção que tomou conta do cordão ao ver uma discreta movimentação na sacada do apê de Roberto. Lá do alto apareceu na mureta uma funcionária, depois outra. De repente, ninguém mais. Até que Ele, Ele Mesmo, vestido de camiseta azul-clara e com aqueles indefectíveis mullets grisalhos – que um amigo definiu como franjas nas costas – deu o ar da graça.

O Rei, no alto de sua majestosa cobertura

Imagine, leitor, o que foi aquele momento. O “Rei” Ficou ali por algum tempo e se recolheu para o que seria o ápice daquela tarde ensolarada: desceu até o mezanino do edifício, deu uma sambadinha e ainda empunhou o estandarte do bloco, para delírio da galera. Realmente inesquecível.

A sambadinha real

Já por volta das 6 da tarde, caminhando para fora da Urca, em direção ao Leme, onde eu e meus amigos pretendíamos comer no Cervantes – que estava fechado, o que no obrigou a seguir de táxi até o Bar Lagoa -, cruzamos com algumas garotas no sentido contrário. Queriam saber onde era a concentração do Exalta Rei. Dei uma de estraga-prazeres e falei: “olha, com sorte vocês pegam o finalzinho do bloco”.

A prova do crime

Pelo que consta, Roberto ainda não confirmou presença no grito de carnaval do Pirajá. Mas o bloco-revelação do carnaval 2009 há de reverenciá-lo, assim como a outras majestades, como Michael Jackson, Luis Gonzaga, Elvis Presley e Ray Charles.

O blog estará lá.

Pirajá. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, tel. 3815-6881, http://www.piraja.com.br.

Exclusivo: um trecho do livro do Pirajá

Em primeiríssima mão, o blog publica logo abaixo um trecho, algumas imagens e ilustrações do livro Pirajá: uma esquina carioca, que vai ser lançado no sábado, 21 de agosto, no bar dito-cujo.

Trata-se de um apanhado de receitas de botequins clássicos e histórias contadas numa prosa tão boa quanto uma conversa de balcão, pelo sambista Moacyr Luz, com intervenções do escritor Ruy Castro. O ensaio fotográfico é de Romulo Fialdini e os desenhos, do cartunista Jaguar, ele próprio, assim como o autor, personagem de várias anedotas contadas no livro.

No dia do lançamento, marcado para as 14 horas, Luz vai puxar uma roda de samba ao lado de Paulão Sete Cordas, violonista que toca com Zeca Pagodinho, e Pedro Miranda.

De quebra, o chef português Vítor Sobral desembarca de Lisboa para estrear um cardápio especial de oito petiscos – já estou curioso par saber do que se trata essa tal de alhada de camarão (R$ 29,00)… O menu de Sobral deve ficar em cartaz por cerca de um mês na casa.

Quem aparecer por lá, consegue comprar o livro por R$ 50,00. Nas livrarias estará à venda por R$ 65,00.

Pirajá. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, tel. (11) 3815-6881.

* * *
Uma tarde noto o teto do Pirajá mais baixo, rebaixado.
Deduzi ser uma estratégia de marketing com as bebidas na prateleira
mais perto das mãos, ou da vista, para não recorrer ao exagero,
o desejo e o material. Enfim, coisas do mundo consumista.
Nada.
O teto sofrera um tratamento acústico para amenizar o bafafá diário
do cliente exasperado.
– Ué, isso existe?
Achei um apêndice desnecessário àquele órgão de álcool e acepipes.
O problema é que, depois disso, reparo sempre no volume da conversa
quando a parede apela somente para a cal para selar barulhos.
– Rapaz – falei sozinho –, esse troço ajuda.
O mesmo espanto sofri quando assentei no piso do nosso bar
paulistano.
Acolchoava.
Nascia em botequim o piso hidráulico.
– Ué, faz diferença?
Não, não faz.
Parêntesis:
Houve um tempo em que rodapé de balcão era bordado de serragem.
O sujeito que não cuspisse em botequim era expulso veladamente
da confraria do bar.
Se houvesse um quadro, a foto dele estaria virada.
O malandro pedia uma dose qualquer, pingava na serragem um
gole para o santo, bebia garganta adentro toda a graduação contida e
depois, olhos ardendo em fogo, cuspia o último travo no chão.
Penso, em desnecessárias elucubrações: seria o piso hidráulico
uma serragem pós-moderna?
Num domingo de eleição, cinco da tarde, lei seca encerrada, o bar
da esquina abre e lota. Fiéis clientes e bebuns de títulos antigos.
O garçom está empolgado, mas é nítida a pouca prática com o serviço.
Ele grita para o balcão:
– Oito chopes, quatro refris e copo com gelo e limão!
Um alvoroço na altura da cintura. É a sede de democracia.
O garçom, suando, pega a bandeja lotada até o fim do inox e sai
correndo para o esquecido fundo do bar.
Faz um passo de balé, em vão.
Chão molhado, o coitado escorrega na bainha e todos os mililitros
daquele volume despencam na cabeça de uma perua que acabara de
sentar contrariada com o marido.
Entre os culpados, sobrou até para o governo.
Intervenção (de Ruy Castro):
OS BOTEQUINS não têm culpa se, às vezes, seus frequentadores
não dominam a etiqueta do lugar. No tempo
em que morei em São Paulo, nos anos 80 e parte
dos 90, nunca me conformei com a ausência dos botequins
sórdidos, estilo carioca, nem menos ainda com a
solução encontrada por São Paulo para substituí-los:
as padarias. Para mim, não há lugar mais inadequado
para beber a sério do que uma padaria.
Para os que começam cedo os trabalhos, tipo sete
ou oito da manhã, o que pode haver de mais broxante
do que sentar-se ao balcão, pedir a primeira e ver o
recinto invadido por gente a fim de comer sanduíche
de mortadela, tomar coalhada ou comprar margarina?
Como beber na presença de senhoras discutindo o
preço das geladeiras na Mooca, o penteado de Yoná
Magalhães na novela ou a escassez de panetone depois
do Natal? Toda vez que isso me aconteceu, preferi
pegar minha síndrome de abstinência, sem perder
um tremido, e ir beber alhures – o que costumava ser,
por inevitável, mais uma padaria, só que vazia.
As padarias são “família” demais para quem gosta
de botequins. E quem leu Freud ou Nelson Rodrigues
sabe que não se pode confiar em famílias – são um
covil de bandalheiras, mesquinharias e golpes baixos.
Em comparação, os botequins, por mais vis em matéria
de apresentação e higiene, são de uma pureza
absoluta. Neles, depois de um certo grau de álcool no
sangue, ninguém é melhor que ninguém, e ai de quem
transgredir essa lei.
* * *
Hoje é comum encontrar essas melhorias em qualquer botequim
vagabundo.
A discussão perde o sentido.
É comum, principalmente em balcão de mármore, implicar com
o óbvio.
– Você não viu jogar o Ananias. Esse sim, melhor que o Pelé… –
Bom mesmo era quando a estrada era de terra… A praia era deserta,
uma maravilha…
– Eu gostava mais da tevê em branco e preto… Detesto controle
remoto! Perde a graça!…
– Não troco minha Brasília por importado nenhum…
– Eu também…
– Só assisto a programas culturais…
– Concordo, enquanto não conhecer meu país de ponta a ponta não
viajo para fora…
– É isso mesmo! Prefiro a gordura de porco em barra a arriscar meu
estômago com essas canolas ou óleos transgênicos…
– Cachaça só presta se for de cabeça.
– Se você conhecesse minha Olivetti, entenderia meu desprezo por
esses micros…
– Já eu pego o uísque, passo um pouco no pulso e cheiro. Se sobrar
bouquet, é verdadeiro…
– Isso sem falar no fulano, um injustiçado. O mérito fi cou apenas
com o Tom Jobim, o rei do plágio… É, é, o rei do plágio!
E foi o maestro quem proferiu a frase:
– O sucesso incomoda!
Chega uma hora em que essas miudezas acordam necessárias.
Meu grande ídolo Jaguar, recusando uma excursão etílica, justifica:
– Ô rapaz, eu não tenho mais coragem para isso. Nem pretendo que
o meu bar se transforme numa CTI de asseado, mas um conforto é
necessário…
Fui dormir com duas dúvidas.
Será que não frequento bares, e sim safáris?
O que eu comi agora foi salmão mesmo? Ou teria sido uma sardinha
pintada de rosa?
Nesse saibro rebato todas as bolas a favor do Pirajá.

Todos por um

Fotos: Rômulo Fialdini
“Original, histórias de um bar comum” é, por assim dizer, o próximo item a ser incorporado ao cardápio do bar que já nasceu um clássico, não só pelas homenagens que desde sempre prestou aos célebres botecos de São Paulo e do Rio mas também por que é um honrado discípulo de todos eles. Trata-se de um livro de autoria do jornalista atleticano Nirlando Beirão, com fotos de Rômulo Fialdini e prefácio do publicitário Washington Olivetto. “Nosso propósito principal é devolver ao universo dos bares e botequins uma dosezinha de tanto o que dele temos absorvido nesses últimos 11 anos”, conta Edgard Bueno da Costa, um dos proprietários do bar e um dos pais da idéia.

No livro – ainda no prelo, com lançamento previsto para agosto de 2007, mas do qual este blog antecipa um aperitivo com exclusividade –, Beirão conta a vida de um, o Original, a partir de passagens curiosas de personagens bons de copo em alguns dos melhores bares do mundo. A quem se encanta por histórias assim, é um texto de arrepiar. Quero dizer, só poderia ter sido escrito por um globetrotter dos balcões como Nirlando que, sim, esteve em todos eles, a começar pelo mitológico Harry’s Bar, de Veneza, citado no trecho a seguir.

“Personagem do Harry’s Bar, tanto na ficção quanto na realidade, Ernest Hemingway vai freqüentar muito este nosso livro, a partir de agora – ainda que muitas vezes trôpego, fazendo ziguezague, sempre de ressaca.
Hemingway era um homenzarrão de quase dois metros de altura e compleição de atleta, o que lhe dava ampla vantagem no que dizia respeito à capacidade de armazenar álcool – bourbon e gin sendo os seus favoritos.
Já era um escritor de fama quando veio se juntar, na Europa do pós-guerra (a Primeira Guerra, bem entendido), àquela legião cigana de norte-americanos que, beneficiados pelo dólar favorável, sonhavam em ver seu talento artístico desabrochar de repente ao pé da Sainte Chapelle ou sob a inspiração do sol de Cap d’Antibes. Como passaram à história como lost generation, geração perdida, é legítimo supor que o sucesso deles foi relativo.
Hemingway, não – foi tão bom na máquina de escrever quanto de copo na mão e deixou para a posteridade uma trilha em que o álcool coincide com o talento. Na Espanha que ele percorreu com regularidade nos anos 1930 e 1940, insuflado por mais uma de suas bandeiras de virilidade, as corridas de touro, até muito recentemente não havia um botequim digno do nome que não tivesse, a um canto, uma cadeira ou uma mesa que dissesse: aqui bebeu Ernest Hemingway. Em geral, era verdade.
Na Paris de uma époque que já não era tão belle, foi na Closerie des Lilas, em Montparnasse, que ele fez o ninho dele e até hoje rebanhos de japoneses sobem lá dos Jardins du Luxembourg para registrar em suas câmeras o mito na forma de um café-restaurante agora caríssimo e na verdade medíocre.
Mas Hemingway foi o supra-sumo do boêmio, daqueles que fazem a reputação de qualquer lugar pela sua simples presença ali. E, lá na esquina de Montparnasse com o Quartier Latin, ele ainda contava com um impressionante elenco de apoio, os ciganos da literatura com sotaque americano. Uma vez, deixou que se sentasse à sua mesa o dândi Ford Maddox Ford – que ele odiava. Ford perguntou:
– O que você está bebendo?
– Conhaque – respondeu Hemingway.
– Não sabe que começar a beber conhaque é fatal para um jovem escritor?
– Ah, é? Você bebe sempre? Não é sempre que eu bebo.
Hemingway não era dado a sutilezas, mas dessa vez saiu. Em Paris é uma festa (memória que cobre o período entre 1921 e 1926), ele conta que a Closerie des Lilas era conveniente por vários motivos: ficava perto de casa, era bem aquecida, tinha um agradável terraço para o verão e a primavera e não haveria nenhum perigo que aparecesse por lá aquela gente do Rotonde, do Dôme e da Coupole, vizinhos de arrondissement, onde os frívolos iam buscar – como fazem os atuais colunáveis – “uma migalha de imortalidade”.
Já no Closerie era possível ver o poeta Blaise Cendras, “com sua cara quebrada de boxeador e a manga vazia do paletó voltada para cima e presa com alfinetes, enrolando um cigarro com a mão que lhe sobrava”. E, é claro, a bordo de sua tresloucada Zelda, o magnífico Scott Fitzgerald, a quem Hemingway, porém, por puro ciúme profissional, jamais quis ceder o mérito de protagonista.
Com aquela macheza truculenta com substrato de sadismo, Hemingway explorava as inseguranças literárias de um autor que, no entanto, era muito mais requintado do que ele; humilhava Scott, fazia-o sofrer. Quando ficou claro quem era a autêntica estrela das letras, ali, o grandalhão Ernest desafiou o frágil Scott para um tira-teima lá no banheiro do tipo quem é o mais bem-dotado. A história não registra quem saiu vencedor. Mas há uma pista: ao contrário do fanfarrão Hemingway, Scott seria incapaz de alardear publicamente uma coisa dessas.
Entre a Europa e a América, Hemingway bebeu um oceano. Mas o Harry’s Bar – que ele ajudaria a eternizar – só em 1950, depois da Segunda Guerra, é que ganharia dele o privilégio literário. E, em Across the river and into the trees, não mais como cenário, mas na condição de protagonista tão importante quanto o coronel Richard Cantrell, alter ego do escritor, criatura dilacerada entre o amor por uma jovem condessa italiana e a culpa por ter executado 122 inimigos na guerra – episódio que, sabe-se agora, é cruelmente autobiográfico.
Enquanto se encharcava de negrone e dry martini no aconchego dos Cipriani, Cantrell-Hemingway balbuciava com seus botões: “Eu sou um porra de um felizardo e nunca deveria ficar triste por nada”. E, de novo, mergulhava na melancolia, a cantoria dos gondoleiros, lá fora, impregnando a alma junto com os odores desagradáveis da laguna.
Também naquela Cuba em que se refugiaria na década de 1950, em busca da paz para escrever e de marlins para pescar, o bar era seu lar. Recorria aos mojitos da Bodeguita del Medio com sede de retirante, freguês de carteirinha, assíduo e de língua solta. De vez em quando, revezava com La Floridita, onde o forte eram os daiquiris. Tinha um quarto no hotel Ambos Mundos e uma pequena mesa de trabalho que lhe batia no peito e era ali que ele batucava sua Remington, sempre de pé, descortinando a entrada fortificada do porto de Havana. Quando a inspiração secava, Papa Hemingway saía para umedecer o paladar.
Sua escrita era destilada, com punch de armagnac. Mas falava tanto de bebida que não há leitor que não saia de suas páginas trocando as pernas, inebriado. De mais a mais, o superboêmio Hemingway não dá dor de cabeça no dia seguinte.”
Trecho inédito de “Original, histórias de um bar comum”, de Nirlando Beirão

Original: Rua Graúna, 137, Moema, tel.
5093-9486. http://www.baroriginal.com.br/

Encontro de barmen

Ontem à noite, dois dos melhores barmen do país estavam no Pirajá (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, tel. 3815-6881) . Um deles, Derivan, feliz da vida, circulava sem parar pelo salão. Afinal, era um dos anfitriões da festa de lançamento da Cachaça da Tulha – edição única 2007.
O outro, Guilherme — ele mesmo, do hibernante Pandoro –, preparava caipirinhas, caju amigo e outros drinques no balcão do bar.
Mais novidades vêm por aí.
Como um amigo disse a este BOTECLANDO, “o que é do homem…”