Vinho e cerveja futebol clube

Este post há de ter mais serventia aos preguiçosos e/ou àqueles que, como eu, têm ficado injuriados com os preços que os bares e os restaurantes andam, como dizem por aí, “praticando”. Dos R$ 7,50 que até tu, Coqueiro Drinks, vem pedindo pela Serramalte, aos R$ 21,00 que paguei na segunda-feira ao manobrista do japonês Ohka, no Itaim, para que meu carro fosse deixado na calçada do vizinho, ninguém merece escapar da bronca.

Mas é o seguinte: a importadora de vinhos paulistana Zahil e a loja e cervejaria Clube do Malte, de Curitiba, criaram seus clubes de bebidas. O serviço funciona assim:

1. Tanto a Zahil quanto o Clube do Malte fazem uma seleção mensal de rótulos e montam um kit;
2. O cliente escolhe o kit de acordo com seu perfil (no caso da Zahil existem as opções “curioso”, “apreciador”, “conhecedor”, em que cada uma delas apresenta dois bons vinhos por mês, de diferentes faixas de preço);
3. Feita a seleção, o freguês seleciona a periodicidade da assinatura — quanto mais longo o período, mais barato sera o preço médio de cada garrafa;
4. As bebidas são entregues no endereço do cliente.

A meu ver, a adesão a esses clubes é vantajosa, ainda mais para aqueles que pretendem consumir bebidas indicadas por especialistas. Ok, eles querem vender seu peixe mas entendem do riscado e irão sugerir tipos e rótulos que o freguês provavelmente desconhecia.

Vinho australiano The Stump Jump: no kit da Zahil

A assinatura trimestral da seleção “curioso” da Zahil, por exemplo, é a mais em conta: sai por R$ 315,00 (na média, cada uma das seis garrafas entregues no período custa R$ 52,50; no catálogo da importadora, o australiano The Stump Jump, incluído na seleção de setembro, sairia a R$ 67,00).

No Clube do Malte, a assinatura de seis meses vale 6 x R$ 75,90 e dá direito a quatro rótulos por mês. Há outras e boas opções. Para quem quiser fazer um teste, recomendo encomendar um “beer pack” avulso. Recebi o meu em casa direitinho, cerca de dez dias depois de o pedido ter sido feito. A versão contendo seis cervejas do tipo ale, importadas e nacionais, sai a R$ 114,90; se os rótulos forem comprados individualmente, a conta baterá nos R$ 140,00. A embalagem, bem como as garrafas, chegaram intactas. Ou seja, não há razão para se preocupar com a turbulência do voo entre Curitiba e Cumbica nem com os buracos da Régis Bittencourt, qualquer que tenha sido o tipo de frete.

Cerveja Brookly Brown Ale, dos EUA: no kit do Clube do Malte / Foto: divulgação

De quebra, tanto na Zahil como no Clube do Malte, se a compra for feita com cartão de crédito, seu saldo de milhas aéreas vai ganhar uns pontinhos. Bom negócio, não?

Serviço:
Zahil Vinhos: http://www.vinhoszahil.com.br
Clube do Malte: http://www.clubedomalte.com.br

Uma breve volta ao mundo dos vinhos

Não tenho do que reclamar, até aqui, desta semana que termina fria e com trânsito mais pesado do que o normal.

No embalo da Expovinis, maior feira de vinhos do país, que aconteceu de terça a quinta-feira nos pavilhões da Expo Center Norte, outros eventos ligados à enogastronomia tomaram conta da cidade.

Além da Expovinis, tive a oportunidade de ir à apresentação de alguns rótulos da vinícola australiana Mitolo (importados pela Casa Flora) e ao evento que reuniu vários produtores da região italiana do Piemonte.

Da breve volta ao mundo feita em companhia dos meus copos, destaco os meus top 10, na ordem em que foram degustados, entre terça e quinta-feira:

1. Mitolo G.A.M. 2007

Mitolo G.A.M. / Foto: divulgação

Importado pela Casa Flora, este vinho leva apenas uvas shiraz. Além de ter alcançado 91 pontos na avaliação do crítico americano Robert Parker, foi eleito um dos dez melhores shiraz australianos de acordo com uma prova feita pela revista inglesa Decanter. Tem bom corpo, aroma terroso e de geleia de frutas e denota muita tipicidade. Custa cerca de R$ 180,00 e vale cada real investido.

2. Mitolo Serpico 2007

Produzido pela mesma Mitolo em vinhedos próximos aos do G.A.M., este vinho é 100% elaborado com uvas cabernet sauvignon. Uma ousadia, se pensarmos na tradição da vinícola (e do país) no trato com a shiraz. Minhas primeiras impressões aromáticas foram de notas herbáceas e compota de frutas. Na Casa Flora, sai por cerca R$ 220,00. É para comprar hoje e guardar pór uns bons anos.  

3. Domaine de La Mavette Gigondas Prestige 2007

 Foi um dos bons achados na Expovinis deste ano. A pequena vinícola do sul da região francesa do Rhône ainda não tem importador no Brasil. Dos 34 hectares de vinhas, apenas 8 estão na comuna de Gigondas. Ali é produzido esse vinho, composto de grenache (65%) e syrah (35%). Lembro-me dos aromas tostados e presença de madeira, que pede também uns aninhos de guarda na adega.

4. Cartuxa Reserva Tinto 2007

 É um clássico da rgião do Alentejo, em Portugal. Produzido pela Fundação Eugénio de Almeida nos arredores da bela cidade de Évora, tem como importadora para o Brasil a Adega Alentejana, certamente a que tem a maior oferta de vinhos lusitanos. Seu blend leva alicante bouschet, trincadeira, aragonês e alfrocheiro. Se for bebido em breve, deve passar por decantador. Vale a pena mantê-lo mais uns anos na adega.

5. Tour D’Artus 2009 Grand Cru 2009

Dos vinhos apresentados na Expovinis no estande de Saint Emillion, na região vinícola de Bordeaux, gostei bastante deste aqui. Os finos taninos da uva merlot já mostram algum equilíbrio, apesar da juventude do vinho. Acho que vai evoluir bastante na garrafa. Este pequeno produtor não tem importador no Brasil.

6. Malvira’ 2010 Roero Arneis

Para não dizerem que não falei de brancos, este aqui é um dos raros italianos brancos que já bebi e que são dignos de nota. Um pouco alcoólico além da conta, é produzido com a uva arneis, nas colinas da vila de Roero.

7. Elio Grasso Barolo 2005 Ginestra Casamate

Barolo Elio Grasso / Foto: Miguel Icassatti

 Um dos grandes Barolo, é importado pela Interfood. Ainda austero tanto no que refere aos aromas quanto ao paladar, bebê-lo nso dias de hoje seria quase um desperdício – é bom lembrar que o vinho está na faixa dos três dígitos… Eu guardaria na adega e abriria daqui a uns cinco anos.

8. Ciabot Nentin Domenico Clerico 2007

Outro grandissíssimo Barolo, uma outra safra ganhou 98 pontos do crítico Robert Parker. Produzido por Domenico Clerico (que tem vinhos importados no Brasil pela Vinci Vinhos), é muito jovem aindam as esbanja elegância. Para ocasiões especiais.

9. Paolo Scavino Barolo Bric Dël Fiasc 2007

Barolo Paolo Scavino 2007 / Foto: Miguel Icassatti

Outro vinhaço, que demostra boa tipicidade e elegância. As notas frutadas devem ficar mais equlibradas com o passar do tempo.

10. Barolo Vigna del Gris Conterno Fantino 2007

Uma das mais novas importadoras de vinho no Brasil, a Wine To Go representa o grande produtor Conterno Fantino. É um vinho ainda muito jovem, com tanino presente e que deve ser guardado por vários anos. Uma aposta, para quem tiver R$ 333,00 para investir em uma garrafa.

 

Na companhia dos Douro Boys

Rio Douro, visto a partir da Quinta do Crasto

Anteontem participei de uma degustação de vinhos elaborados pelos Douro Boys, como são chamados os produtores do Douro que, a partir de 2002, juntaram-se para promover os vinhos dessa bela região para o mundo. Não é exagero dizer que esses simpaticíssimos e competentes boys de meia-idade provocaram uma pequena revolução. Afinal, concorrentes que são, por que haveriam de se juntar num negócio? Porque viram que, unidos, poderiam explorar muito mais o potencial mercadológico da bebida sem prejuízo nenhum aos negócios de suas próprias vinícolas. Já se falou muito, aliás, que essa experiência poderia ser replicada aqui no Brasil a fim de divulgar a região do Vale dos Vinhedos e mesmo outras menos conhecidas.

Das regiões produtoras de vinho que conheço – Piemonte, Maipo e Colchágua, Franciacorta, Alentejo, Jerez, Montevidéu e Vale dos Vinhedos – o Douro é, de longe, a mais bonita e magnética. As vinícolas locais começam a se abrir para o enoturismo e as pequenas vilas e cidades ao longo do curso do rio, como Pinhão e Peso da Régua, têm lá sua graça e gastronomia castiças, que valem o investimento de alguns dias de exploração. Há exatamente um ano estive na Quinta do Crasto, onde fui muito bem recebido pelo enólogo Manuel Lobo, que conduziu uma visita pelos vinhedos e uma rápida degustação.

Veja também: 7 dias de vinho, vinho, vinho, boa comida, sesta, cavalgadas, e spa na deliciosa Mendoza, da revista VIAGEM E TURISMO

Bom, o fato é que o evento de anteontem teve a presença, in loco, dos boys João Ferreira (da Quinta do Vallado), José Teles (representando a Niepoort), Francisco Olazabal (Quinta do Vale Meão), Tomás Roquette (Quinta do Crasto) e Cristiano Van Zeller (Quinta Vale D. Maria).

Os Douro Boys

A degustação começou com a prova dos brancos, dos quais gostei bastante do Crasto Branco 2010, da Quinta do Crasto (cujos rótulos no Brasil são importados pela Qualimpor). Frutado e refrescante, tem bom corpo e equilíbrio, não enjoa se bebido desacompanhado de comida. Na sequência, aponto o Redoma Reserva 2009 do Niepoort (importador: Mistral), com boa persistência, encorpadão, “novomundista”, ou seja, com uma dosezinha a mais de açúcar, um pouco enjoativo.

Na sequência, cada produtor apresentou, separadamente, rótulos de suas respectivas vinícolas.

Dos três exibidos pela Quinta Vale Dona Maria (importador: Vinho Sul), destaco o Quinta Vale Dona Maria 2007. Como os outros dois, esse é vinificado a partir de vinhas velhas, de um total de 41 castas diferentes plantadas há mais de sessenta anos. É um vinho potente, estruturado e com retrogosto de café e chocolate. Achei o mais diferentão entre eles.

Convém ressaltar, tanto para esse como para todos os demais vinhos, que são de safras recentes, logo, ainda fechados, “duros”, como se diz, e que devem proporcionar muito mais prazer a quem os degusta se forem bebidos daqui a alguns anos.

A Quinta do Vale Meão (importadora: Mistral), que produz apenas os rótulos Meandro e Quinta do Vale Meão, apresentou exemplares da safra 2008. O primeiro exibiu aromas desequilibrados, de caráter animal. Já o segundo (um corte das castas touriga nacional, touriga franca, tinta roriz, tinta barroca e tinta amarela), arrisco dizer que foi o melhor da noite. Mescla elegância e concentração. Equilibrio é mesmo tudo.

Da Quinta do Vallado (importador: Cantu), o Reserva Field Blend 2008 mandou bem, embora estivesse um tanto tímido em termos de aromas. Por ser de vinhas velhas, desconhece-se quais sejam os tipos de uva usados em sua vinificação.

Em seguida, a Quinta do Crasto foi a única a abrir quatro rótulos diferentes, dos quais o Reserva Vinhas Velhas 2009 foi o melhor. Um vinho elegante, com boa concentração o aroma e o paladar amadeirados bem integrados à bebida. Um dos meus top 3 da noite.

Também beliscou o meu pódio o Batuta 2008, um dos trê stintos trazidos pela Niepoort. Tem uma cor mais límpida e características de aroma e sabor que remetem aos vinhos da Borgonha, os bons. Se para algumas pessoas isso demonstra uma certa falta do caráter e tipicidade da região, para mim não há problema. Vinho delicioso.

Para encerrar, dos três portos Vintage apresentados, diria que o da Quinta do Vallado 2009 é o mais interessante.

Ao fim da degustação, alguém disse que a região do Douro se diferencia por conseguir produzir dois tipos de vinho – tinto e Porto – com qualidade. Eu não descartaria os brancos que vêm surgindo. E diria que seja qual for o tipo de vinho, é uma região que merece ser brindada e visitada sempre!